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Antigo avião de espionagem da era soviética poderá voar na Guerra na Ucrânia

Myasishchev M-55 Geophysica. Foto: Alex Beltyukov - RuSpotters Team.
Myasishchev M-55 Geophysica. Foto: Alex Beltyukov - RuSpotters Team.

A Rússia pode estar trazendo de volta às atividades um raro avião-espião, usado na antiga União Soviética. É o que avalia a inteligência do Reino Unido, afirmando que o jato Myasishchev M-55 Geophysica poderá ter novos equipamentos para atuar na guerra com a Ucrânia.

Em um relatório publicado no último domingo (19), o Ministério da Defesa britânico diz que o M-55 foi observado com equipamentos de inteligência indicando um possível novo uso para o avião-espião. Isto seria para contornar uma falha estratégica na obtenção de informações de alvos no conflito.

https://twitter.com/DefenceHQ/status/1726153057971401130

“Uma falha crítica na estratégia de compras russa tem sido a sua incapacidade de estabelecer uma capacidade adequada de Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento (ISTAR)”, diz a publicação da pasta no X (antigo Twitter). “Isto é fundamental para a aquisição oportuna e precisa dos alvos pelas forças aéreas, marítimas e terrestres.” 

No início de novembro um dos poucos M-55 fabricados foi visto no campo de aviação Ramenskoe, perto de Moscou, carregando um pod UKR-RT, desenvolvido para coleta de dados e sinais em missões de Inteligência Eletrônica (ELINT).

“Com um teto operacional de mais de 70.000 pés, a aeronave foi recentemente utilizada como plataforma de pesquisa em ciências da terra. No entanto, foi observado carregando uma cápsula de reconhecimento militar, desenvolvida para uso em caças russos.”

Conforme observa o The War Zone, o uso do UKR-RT “sobre as linhas de frente, ou mesmo perto delas, apresenta um nível de risco muito alto.” Cabe lembrar que o Su-34 é uma das principais vítimas das defesas antiaéreas da Ucrânia, com 21 aeronaves derrubadas desde o início do conflito, segundo dados do portal OSINT Oryx

O avião-espião M-55 pode ser uma solução “paliativa” para esse problema. Voando em grandes altitudes e do lado de fora das fronteiras ucranianas, o Geophysica poderia cumprir missões ISTAR sem ficar tão vulnerável aos mísseis antiaéreos.
 
M-55 Geophysica foi desenvolvido como avião-espião, mas nunca foi realmente usado na função.

M-55 Geophysica foi desenvolvido como avião-espião, mas nunca foi realmente usado na função. Foto: Vitaly V. Kuzmin.

Também chamado de “U-2 russo”, em referência ao jato norte-americano, o M-55 foi desenvolvido na década de 1960 para missões de reconhecimento de grande altitude. Todavia, ao contrário do U-2 dos EUA, o M-55 não entrou em serviço militar. Apenas cinco aeronaves foram fabricadas pela Myasishchev e foram empregadas em atividades de pesquisa atmosféricas, recebendo o apelido Geophysica. Na OTAN, é chamado de Mystic-B. 

Com dois motores Soloviev D-30 – os mesmos usados no cargueiro Il-76 – e uma envergadura de 37,4 metros, o M-55 pode voar sem problemas a 70 mil pés (cerca de 21 km). Mas com a necessidade de uma solução nova no conflito, é possível que o M-55 finalmente seja usado para aquilo que foi originalmente proposto.

 

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Estudante de Jornalismo na UFRGS, spotter e entusiasta de aviação militar.