aviões mais feios
Foto: National Air and Space Museum

Uma das curiosidades dos nossos leitores é sobre os aviões mais feios do mundo. Realmente, é difícil eleger somente um, temos vários que poderíamos colocar em uma lista.

E com foco neste tipo de questionamentos fizemos um levantamento interno, juntamente com alguns detalhes, sobre os aviões mais feios já produzidos.

Para organizar toda nossa ideia, vamos dividir por categorias, listando exemplos de aviões militares e comerciais de acordo com o tamanho da aeronave.

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Cri-Cri – O menor bimotor do mundo

O projeto do Colomban Cri-Cri é bastante engraçado. Ele foi criado na década de 70 para ser o menor avião bimotor do mundo, e o resultado é um visual semelhante a uma micro-nave espacial dos Jetsons.

Fácil de voar, o Cri-Cri é praticamente um avião de patente aberta no mundo, com várias versões diferentes criadas ao longo dos últimos anos. A primeira e mais tradicional conta com uma simples e funcional asa baixa e de geometria reta, juntamente com dois motores localizados na parte frontal da aeronave de 425 cilindradas, monocilíndrico e com 15 cavalos (cada).

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O resultado é um avião com peso total de 78 kg, talvez mais leve em comparação com o próprio piloto. Posteriormente a Airbus lançou uma versão elétrica do Cri-Cri, e outros criadores colocaram motores a reação de aeromodelo.

Uma curiosidade é que o nome Cri-Cri significa “grilo” informalmente em francês.

 

McDonnell XF-85 Goblin

Foto: Força Aérea dos EUA (U.S. Air Force)

Esquisito é um dos adjetivos que podemos dar ao McDonnell XF-85, um avião experimental criado durante a Segunda Guerra Mundial para ser um caça parasita, com capacidade de ser transportado dentro dos aviões Northrop XB-35 e Boeing B-36.

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De formato ovóide, asas curtas e dobráveis e empenagem tripla, juntamente com um estabilizador horizontal com diedro negativo, o “Goblin” era no mínimo super esquisito, até para os padrões da época.

A ideia por trás de sua criação era resolver um grande problema da Força Aérea dos EUA: O alcance dos bombardeiros estavam aumentando, mas os caças não evoluíram tanto neste quesito. O resultado era um voo solitário dos bombardeiros, sem aviões de ataque para acompanhá-los como acontece atualmente, devido ao reabastecimento aéreo.

Ok! O projeto do Boeing B-36 até foi para frente, mas não na data certa, e o XF-85 foi simplesmente descontinuado pela McDonnell após se demonstrar inferior em desempenho aos caças a jato que estavam sendo desenvolvidos. Consideramos esta uma decisão correta, pelos nossos olhos, não pelo desempenho.

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Stipa-Caproni e Caproni CA.60 

Stipa-Caproni
Stipa-Caproni

O Stipa-Caproni é outro avião curtinho que causa estranheza quando o vemos pela primeira vez. Criado na década de 30, a aeronave tinha como possível vantagem a “hélice encubada”, sendo que o piloto ficava na parte superior de toda a superfície circular da fuselagem.

Não vamos culpar Luigi Stipa, o design foi a base de anos depois para os primeiros caças, que tinham motor a jato central. O Stipa-Caproni tinha como característica ser um avião hiperestável, difícil até mesmo de realizar comandos para mudar a atitude da aeronave.

As desproporções entre os estabilizadores vertical e horizontais, asas e fuselagem fez esse avião entrar na nossa lista de “feios” da aviação.

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Continuando a lista de coisas esquisitas que voam, e com a Caproni na lista, aproveitamos para puxar o CA.60, com certeza algo bastante anormal na aviação.

Caproni CA.60 Caproni CA.60

O CA.60 foi criado em 1921 para ser uma aeronave de grande porte na época. Para isso o engenheiro Gianni Caproni exagerou nos tamanhos, equipando o avião com 9 asas de 30 metros de comprimento e oito motores de 400 cv (cada).

A fuselagem, em um formato bastante incomum para os padrões atuais, tinha comprimento total de 23 metros, e dava capacidade ao avião de pousar na água.

O avião até voou sem problemas após decolar pela primeira vez. Na segunda rodada de testes a aeronave voou por um curto período de tempo quando o piloto Federico Semprini tentou decolar do Lago Maggiore, mas a estrutura se quebrou e nunca mais Gianni Caproni projetou algo igual pelo alto custo.

O avião foi nomeado “Transaero”, mas seu sucesso na época era pelo nome Capronissimo, bem italiano.

 

Vought V-173

Vought V-173
Foto: Rudy Arnold Photo Collection, NASM (SI 2009-1152)

Construído como parte de uma série de testes de novas aeronaves no início da década de 40, na Segunda Guerra Mundial, o Vought V-173 é um dos exemplos de como a criatividade dos engenheiros pode resultar em uma aberração visual, respeitosamente falando.

A ideia do V-173 era criar um avião asa funcional, utilizando dois motores a pistão com hélices. Seu criador, o Charles H. Zimmerman, acreditava que a solução de aviões em formato de disco era uma boa ideia para reduzir o arrasto e aumentar a performance.

Cockpit. Foto: National Air and Space Museum

Em voo nivelado, o V-173 tinha a característica de diminuir a área frontal, e consequentemente o arrasto de superfície. Contudo, o formato de fuselagem em disco causava um comportamento anormal em alto ângulo de ataque, com tendência ao estol.

Este problema demandava uma atenção extra do piloto para não colocar o avião em seu limite aerodinâmico, algo complicado em uma época sem Fly-By-Wire. O projeto, contudo, foi para frente com o XF5U apesar dos seus problemas, mas foi cancelado depois da guerra.

Curiosamente os norte-americanos chamam esse avião de “Panqueca Voadora”.

 

Leduc 022

Na década de 50 o engenheiro René Leduc  teve uma brilhante ideia de desenvolver uma aeronave inovadora, incorporando a carenagem do motor na fuselagem. O resultado foi o Leduc 022, equipado com um motor Ramjet e capacidade que voar a Mach 1.15, obviamente quebrando a barreira do som. 

A vida do Leduc 022 foi extremamente curta. Criado para ser o protótipo de um interceptador moderno e rápido, a construção de um protótipo foi iniciada e a aeronave foi modificada diversas vezes de 1954 a 1957 para colocar tecnologias em desenvolvimento.

O primeiro voo ocorreu em maio de 1957 e mais testes seguiram nos meses seguintes. No entanto um teste em dezembro do mesmo ano destruiu o único protótipo, que pegou fogo durante a decolagem.

A Armée de l’Air fechou a torneira do dinheiro para o projeto e decidiu priorizar uma aeronave mais convencional, o Mirage III, um interceptador bem mais rápido, que atinge Mach 2.2.

Sim! O piloto estava localizado na parte frontal da entrada de ar de um motor turbojato/ramjet. Haja ouvidos para aguentar o barulhão.

 

Aviation Traders ATL-98 Carvair

O Carvair com certeza é um dos destaques desta lista no quesito aviões operacionais, juntamente com o Cri-Cri. Este foi criado pela Aviation Traders, com base na conversão de um DC-4 para o transporte de cargas entrando pelo nariz. Naquela época, década de 50, não tínhamos no mercado aviões como o Boeing 747 e o Antonov An-124/225.

Este avião foi alocado em voos de balsa para transportar carros e pessoas, tipicamente poderia ser carregado com 22 assentos e cinco carros a bordo. O alto custo operacional gerado pelo tipo de serviço a ser realizado, e também pelas características da conversão, inviabilizaram o uso do Carvair por um longo período.

Como destaque em suas características estranhas está a parte frontal da fuselagem em formato de bolha, bem maior em comparação com a curta fuselagem do DC-4, que permanece no avião, assim como as asas. Os motores são radiais da Pratt & Whitney.

Para melhorar o histórico do Cavair, das 21 unidades construídas, oito foram perdidas em acidentes.

 

EC-707 Condor – Esse pegou caxumba

Foto: Hippocamelus/(CC BY-SA 3.0)/Via Wikipédia

O Boeing 707 foi um típico sucesso no mercado de aviões comerciais e até mesmo militares, com versões famosas como o KC-135 e o avião-radar E-3D Sentry. Dessas versões de uso exclusivo para missões nasceu o EC-707 Condor, uma aeronave bastante estranha por conta dos seus radares.

A aeronave ganha esse estranho aspecto para ter três antenas de radar do tipo AESA, possibilitando uma cobertura para rastrear outras aeronaves de até 270 graus, com 400 km de alcance. Todo o processo de conversão é realizado pela IAI, de Israel.

Outros sistemas IFF, ESM/ELINT tem cobertura de 360°, e o avião também conta com antenas extras de rádio UHF, VHF e HF, com amplo espectro de cobertura. Esses sistemas são utilizados para detectar navios e aviões, com capacidade de “linkar” 100 alvos diferentes.

Este avião é conhecido como EC-707 Condor quando operando pelo Chile, ou EL/M-2075 Phalcon, em sua versão Israelense. É impossível não notar o grande nariz da aeronave, juntamente com as duas antenas laterais logo na parte frontal da fuselagem.

 

Lógico, já estamos cuidadosamente preparando uma Parte 2 sobre este mesmo assunto com outros aviões, são muitos exemplos, não é possível resumir tudo em uma mesma lista.