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Base usada para bombardear Japão na Segunda Guerra voltará a ser usada pelos EUA

Base Aérea de North Field, na ilha de Tinian, em 1945 durante a Segunda Guerra Mundial. Foto via 6th Bomb Group.
Base Aérea de North Field, na ilha de Tinian, em 1945 durante a Segunda Guerra Mundial. Foto via 6th Bomb Group.

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) está reformando uma base aérea no Oceano Pacífico que não é usada desde a Segunda Guerra Mundial. O Campo Norte da Ilha de Tinian, no Arquipélago das Marianas, foi uma das maiores bases dos EUA durante o conflito e foi usada por bombardeiros B-29 Superfortress  para atacar o Japão, inclusive nos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki.

Os comitês de Serviços Armados da Câmara e do Senado dos EUA aprovaram um financiamento de US$ 79 milhões para a recuperação do antigo North Field, sendo US$ 26 milhões para Desenvolvimento de Aeródromo Fase 1, US$ 21 milhões para tanques de combustível com gasoduto e hidrante e US$ 32 milhões para o pátio de estacionamento. 

Há cerca de uma semana um esquadrão de engenharia da USAF chegou em Tinian para começar a reforma de duas das quatro pistas paralelas do North Field, cada uma com 2,4 quilômetros de extensão. O aeródromo – que chegou a ser usado recentemente  pelos militares dos EUA em treinamentos – está tomado pela vegetação, que avançou sobre as antigas pistas e pátios desde que os americanos deixaram o local há 76 anos.

Base na ilha de Tinian, com as quatro pistas tomadas pela vegetação. Foto via 6th Bomb Group.

Base na ilha de Tinian, com as quatro pistas tomadas pela vegetação. Foto via 6th Bomb Group.

Em entrevista, o general Kenneth Wilsbach, comandante das Forças Aéreas do Pacífico, afirmou que os militares estão intensificando os trabalhos de recuperação da base. “Se você prestar atenção nos próximos meses, verá um progresso significativo, especialmente em Tinian Norte”, disse. 

A reforma da base aérea de Tinian é parte da resposta dos Estados Unidos à crescente ameaça imposta pela China. Através do conceito Agile Combat Emplyment (ACE), a USAF tem buscado maneiras de operar aeronaves a partir de aeroportos dispersos e sem muita infraestrutura, uma vez que grandes base seriam alvos primários em um eventual conflito. Ele explica que o ACE dificulta a “pontaria” do inimigo. Mesmo que as bases recebam ataques, os EUA ainda teriam “a preponderância de suas forças”, através da distribuição de recursos.

A Ilha de Tinian foi capturada pelos EUA em 1944 num ataque surpresa do Corpo de Fuzileiros. Assim que o controle foi estabelecido, o grupo de engenharia da Marinha dos EUA, os Seabees, começou a construção do North Field, que recebeu quatro pistas e pátio para 265 bombardeiros B-29. 

Base Aérea de North Field foi a maior sede dos B-29 dos EUA, incluindo para os aviões que lançaram as bombas atômicas contra o Japão. Foto via 6th Bomb Group.

Base Aérea de North Field foi a maior sede dos B-29 dos EUA, incluindo para os aviões que lançaram as bombas atômicas contra o Japão. Foto via 6th Bomb Group.

Foi de lá que grandes missões dos B-29 partiram, como o bombardeio incendiário em Tóquio e o apoio à invasão de Okinawa. A base era sede do 509º Grupo Composto, que em agosto de 1945, decolou de Tinian para lançar as bombas atômicas Fat Man e Little Boy em Hiroshima e Nagasaki, finalizando a Guerra no Pacífico. 

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA ficaram na base por mais dois anos antes de abandoná-la, mantendo apenas a instalações em Guam, distante cerca de 200 quilômetros. A vegetação logo começou a tomar conta da base inteira.

Em 2003, uma das pistas foi parcialmente limpa para treinamentos de assalto. Dez anos depois uma segunda pista também foi parcialmente aberta para o pouso de um C-130 dos Fuzileiros Navais. Segundo prefeito da ilha, a reforma deve durar pelo menos seis meses. 

Com informações de Marianas Variety, Nikkei.

 

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Estudante de Jornalismo na UFRGS, spotter e entusiasta de aviação militar.