Requentar pratos não está sendo a missão da Boeing para o NMA, de acordo com Ihssane Mounir, vice-presidente de vendas comerciais e marketing da Boeing, a empresa quer seguir o mesmo rumo do Boeing 787, fazer um avião realmente inovador, e que mude o mercado ao seu favor.

Isso é relatado em uma recente entrevista, concedida ao Portal em inglês Aviation Week, onde Mounir discorre sobre as possibilidades de engenharia para o novo avião.

Começando pela propulsão, que é o campo mais afetado a cada mudança de geração, a Boeing quer um projeto totalmente novo, que permita um consumo de combustível muito inferior.

A CFM foi a única que apresentou um projeto convencional, sem o uso de engrenagens de redução de rotação, mas os materiais serão baseados nas tecnologias implementadas nos motores Leap e GE9X, os mais novos da fabricante. Para a empresa isso aumenta a confiabilidade do motor, e permite colocar ele em serviço mais rápido. Apesar desses pontos, o projeto será novo, pois o motor precisa ter mais de 50000 lbs de empuxo.

Já a Pratt & Whitney e a Rolls-Royce estão apostando em novas tecnologias para o NMA, com finalidade de atingir o consumo 25% menor, em comparação com um Boeing 787 de mesma capacidade. A proposta dessas fabricantes envolve o uso de motores com engrenagem de redução, e muita implementação de materiais compostos.

A Rolls-Royce é a mais avançada em toda esse processo de desenvolvimento, visto que já tem um conceito de motor UltraFan para propulsão acima de 50000 lbs. A Pratt e a CFM ainda precisam desenvolver algo novo nessa faixa de propulsão.

Clique Aqui para conferir como é o novo UltraFan da Rolls-Royce.

Vale ressaltar que a Boeing não considera o motor PW1100G do Airbus A320neo como algo de tecnologia comprovada.

“Todos conhecemos os problemas que a Airbus e a Boeing enfrentam com novos motores no 737 MAX, A320neo e 787. Eu acho que a Boeing está sendo muito cautelosa sobre isso”, disse o presidente executivo da Air Lease Corp, Steven Udvar-Hazy.

Podemos esperar uma decisão até o final do primeiro trimestre do ano que vem.

No campo da fuselagem a Boeing relata que essa é uma difícil decisão, pois determinadas opções penalizam a aerodinâmica, mas aumentam o Payload total da aeronave. Por enquanto a preferência da companhia é por uma configuração de duplo corredor, com classe econômica configurada no estilo 2-3-2.

Conceito de fuselagem oval. Via – Aviation Week

Com essa decisão a intenção dos projetistas é permitir um maior conforto a bordo, ou seja, menor sensação de claustrofobia, e um embarque-desembarque mais rápido, diminuindo o tempo da aeronave em solo.

Porém os ganhos aerodinâmicos só serão sentidos se a Boeing optar por uma fuselagem oval. Manter a mesma seção circular do Boeing 767 é inviável para atingir um consumo 25% menor, em comparação com um 787-8. Escolher a opção de fuselagem circular pode aumentar o arrasto aerodinâmico em 20%.

A Boeing já tinha citado anteriormente essa intenção de fazer uma fuselagem oval para o NMA, mas ficou de estudar essa possibilidade, devido aos efeitos de força causada pela pressurização de cabine a estrutura precisa ser mais robusta em alguns pontos, pela aplicação não distribuída proporcionalmente dessa força, isso logicamente aumenta o peso geral.

Conceito de barras verticais desenvolvido pela Aurora Flight Sciences, atualmente uma empresa da Boeing.

Cientistas de algumas universidades norte-americanas já apresentaram uma solução que incrementa pouco peso, ao adicionar barras verticais dentro da fuselagem. Provavelmente o projeto não será tão invasivo como a imagem acima demonstra.

 

Desenvolvimento

Se a Boeing realmente tiver a intenção de desenvolver um avião sem igual em sua categoria, a fabricante terá que suportar um prazo de desenvolvimento um pouco maior, talvez seja possível iniciar o desenvolvimento do avião em 2019, e certificar ele em 2025, mas os últimos aviões de grande porte e concebidos do zero, como o Boeing 787 e o Airbus A350, precisaram de 7 a 8 anos de desenvolvimento.

A Boeing não deu mais detalhes sobre a possibilidade do NMA usar algumas tecnologias do Boeing 777X, como a asa dobrável com estrutura em material composto.

Com a escolha dos motores e também do tipo de fuselagem ainda no primeiro semestre de 2019, o esperado é uma apresentação da nova aeronave no Paris Air Show, que vai ocorrer em junho de 2019. Enquanto isso a fabricante já registrou o nome “797”.