A Boeing já está preparando o terreno para lançar um novo avião em 2019, o chamado por agora de NMA, mas referido em toda mídia como 797.

O novo avião da Boeing é um projeto que já abordamos em várias postagens aqui no portal desde 2016, mas ganhou força nos últimos anos com uma pressão geral das companhias aéreas que queriam um substituto do 757 e do 767 mais econômico e barato de operar, em meio ao envelhecimento das aeronaves da geração anterior.

De acordo com uma publicação do blog The Air Current, de propriedade do Jon Ostrower, a Boeing já está com um cronograma pronto para viabilizar um lançamento em junho de 2019, em um dos maiores eventos voltados para a aviação comercial, o Paris Air Show.

O possível cronograma base está disponível abaixo:

  • Dezembro de 2018: O prazo para ofertas de motores dos fabricantes;
  • Fevereiro de 2019: Boeing anuncia sua decisão final de escolha dos propulsores;
  • Março de 2019: Companhias aéreas e empresas de leasing assinam contratos preliminares;
  • Junho de 2019: Lançamento do programa 797 com os primeiros clientes no Paris Air Show.

O investimento total no projeto será de US$ 15 bilhões (estimativa), no total a Boeing terá 7 anos para desenvolver o novo jato, incluindo o período de testes e a entrega da primeira aeronave, que deverá ocorrer em 2025.

A Boeing disse que planeja aproveitar muitas tecnologias incorporadas no Boeing 787, como forma de agilizar a realização do projeto, e conseguir entregar o avião no prazo estipulado inicialmente. Apesar disso haverá algumas mudanças nos conceito.

 

Estrutura


No campo da fuselagem a Boeing relata que essa é uma difícil decisão, pois determinadas opções penalizam a aerodinâmica, mas aumentam o Payload total da aeronave. Por enquanto a preferência da companhia é por uma configuração de duplo corredor, com classe econômica configurada no estilo 2-3-2. 

A fabricante também conversou com várias companhias, e as americanas queriam um jato com uma configuração narrowbody, mas as asiáticas gostam de uma configuração com duplo corredor e maior espaço para carga. Provavelmente a decisão é para mesclar os conceitos, e puxar a configuração interna para algo próximo do 767, apesar do peso geral ser menor.

Conceito de fuselagem oval. Via – Aviation Week

Com essa decisão de duplo corredor é a intenção dos projetistas é permitir um maior conforto a bordo, ou seja, menor sensação de claustrofobia, e um embarque-desembarque mais rápido, diminuindo o tempo da aeronave em solo.

Porém os ganhos aerodinâmicos só serão sentidos se a Boeing optar por uma fuselagem oval. Manter a mesma seção circular do Boeing 767 é inviável para atingir um consumo 25% menor, em comparação com um 787-8. Escolher a opção de fuselagem circular pode aumentar o arrasto aerodinâmico em 20%.

A Boeing já tinha citado anteriormente essa intenção de fazer uma fuselagem oval para o NMA, mas ficou de estudar essa possibilidade, devido aos efeitos de força causada pela pressurização de cabine a estrutura precisa ser mais robusta em alguns pontos, pela aplicação não distribuída proporcionalmente dessa força, isso logicamente aumenta o peso geral.

Conceito de barras verticais desenvolvido pela Aurora Flight Sciences, atualmente uma empresa da Boeing.

Cientistas de algumas universidades norte-americanas já apresentaram uma solução que incrementa pouco peso, ao adicionar barras verticais dentro da fuselagem. Provavelmente o projeto não será tão invasivo como a imagem acima demonstra.

Neste campo não há nada definitivo, e a Boeing pode mudar de ideia a qualquer momento.

 

Propulsão

A Boeing estima que o NMA precisará de dois motores de nova geração com cerca de 50 mil lbs de empuxo (cada), isso é algo que não está disponível atualmente no mercado e necessita do desenvolvimento por parte de todas as fabricantes.

CFM

Foto – GE/Divulgação

A CFM, uma joint-venture formada entre a GE e a Safran, disse que abandonou os conceitos de caixa de redução, e é possível fazer esse motor com a mesma eficiência das concorrentes usando a mesma tecnologia disponibilizada no Leap-1 e no GE9X, porém adequada para gerar quase o dobro de potência.

A empresa não descarta desenvolver novos conceitos totalmente do zero, baseados em um motor com caixa de engrenagens caso o seu projeto não seja de agrado da Boeing, mas é algo que levaria um tempo adicional da fabricante.

 

Pratt & Whitney

Em detalhe, motor da Pratt & Whitney equipando um Airbus A320neo.

A Pratt & Whitney está em vantagem, ela espera usar os mesmos conceitos dos motores Pure Power, já em atividade, para um novo motor que poderá equipar o NMA.

A fabricante se destaca por ser a única com experiência em caixa de redução, já que a CFM e a Rolls-Royce ainda não tem um produto com essa tecnologia em funcionamento.

Vale ressaltar que a Boeing não considera o motor PW1100G do Airbus A320neo como algo de tecnologia comprovada.

“Todos conhecemos os problemas que a Airbus e a Boeing enfrentam com novos motores no 737 MAX, A320neo e 787. Eu acho que a Boeing está sendo muito cautelosa sobre isso”, disse o presidente executivo da Air Lease Corp, Steven Udvar-Hazy.

 

Rolls-Royce

Foto – AviationWeek/Rolls-Royce

A Rolls-Royce já apresentou uma proposta baseada no conceito UltraFan, que a empresa vem desenvolvendo ultimamente para fazer motores na categoria do 787 e 777.

A Rolls-Royce disse que é possível transportar essa tecnologia para fazer um propulsor com até 50 mil lbs, porém, terá que adaptar algumas das tecnologias atuais para conseguir entregar um produto confiável à Boeing até 2025.

 

Variantes e expectativa de encomendas

O novíssimo jato comercial da Boeing terá duas variantes. O 797-6X pode vir com um alcance de 9200 quilômetros e capacidade para 228 passageiros em duas classes. Uma versão maior, a 797-7X pode ser capaz de levar 268 passageiros em duas classes e ter um alcance de 7800 quilômetros.

Até o momento a maior cobrança por um lançamento breve é proveniente das companhias aéreas dos Estados Unidos, como a Delta, American e United. A própria Delta já propôs ser a cliente de lançamento da aeronave.

Além disso a Boeing já registra interesse pelo projeto proveniente da Norwegian Air e da Air Lease Corporation, uma grande empresa de aluguel de aeronaves. No total a Boeing conversou com mais de 55 companhias aéreas até o momento sobre o seu novo avião.