Durante os anúncios de dados financeiros na manhã de ontem (30/01), Dennis Muilenburg reafirmou o compromisso da Boeing com o projeto NMA, que ainda está em estudo.

Apesar do otimismo da empresa com o projeto, que pode criar uma aeronave até 25% mais eficiente que o 787-8, Muilenburg disse que a empresa ainda precisa de mais tempo antes de lançar o projeto, e provavelmente isso só ocorrerá no final de 2019 ou no próximo ano.

Essa notícia não desaponta tanto pois a Boeing iniciará a fabricação da aeronave assim que o projeto for confirmado internamente, e autorizado pela diretoria, mostrando que a Boeing já está trabalhando no desenho dos conceitos e das peças.

De acordo com uma publicação do The Air Current, do dia 28 de janeiro, a Boeing moveu uma grande quantidade de funcionários e engenheiros para o projeto NMA, no último trimestre de 2019. Muilenburg também falou sobre aproveitar o fim do desenvolvimento do 777X, com a certificação da aeronave no início de 2020, como um ponto chave para a empresa não carregar dois projetos conjuntamente, é uma estratégia chamada de “programas de sequenciamento”.

A Boeing também estima que o novo NMA, que está sendo chamado de 797, tenha algumas tecnologias já comprovadas no 777X, como o sistema de asa dobrável.

A Boeing deve seguir esse cronograma para atingir sua meta de entrada em serviço em 2025, disse ele.

O conceito do novo avião está na direção de Mark Jenks, que também foi diretor do programa de desenvolvimento do 787, um avião que permitiu a Boeing tomar boa parte do mercado da Airbus, na categoria de aviões de duplo corredor.

Donald Trump e Dennis Muilenburg durante a apresentação do primeiro 787-10. Foto – Boeing/Reprodução

Dennis Muilenburg e Greg Smith, este último diretor financeiro da Boeing, trabalham em conjunto com a equipe de conceito para finalizar os detalhes básicos da aeronave até o fim do primeiro trimestre de 2019. Este é um detalhe que necessita de pesquisa de mercado e diversas conversas com potenciais clientes, para saber qual seria o tipo de avião mais adequado para as companhias aéreas.

Todo esse cuidado é derivado do alto custo de um projeto novo, na maioria das vezes os atrasos são a norma e o pagamento do investimento pode levar anos para se materializar. A Boeing poderia facilmente gastar mais de US$ 15 bilhões na NMA, de acordo com Ken Herbert, analista da Canaccord Genuity.

No Boeing 787 a fabricante tentou implementar uma solução rápida contra o A330, mas acabou atrasando bastante o projeto, que foi apresentado em 2004, mas só teve a sua primeira aeronave em voo comercial em 2011. No projeto do 767 e do 777 a Boeing não sofreu com um atraso parecido, mesmo com os diversos conceitos do 767 durante a fase inicial do projeto.

A parte boa é que a Airbus pode ser forçada a fazer um projeto do zero se as vendas decolarem, algo que está acontecendo com o A330 e já aconteceu quando a Airbus lançou o A350 como um substituto do 777. A Delta, American e United Airlines já demonstraram interesse no NMA, inclusive com discussões para definir quem será a cliente de lançamento do avião.

No total a Boeing terá 7 anos para desenvolver o novo jato, incluindo o período de projeto, que está ocorrendo desde 2018, testes e a entrega da primeira aeronave, que deverá ocorrer em 2025.

“Eu recebi uma informação da Boeing e achei ótimo”, disse Neeleman durante uma recente visita a Chicago pela companhia aérea TAP. Neeleman é um conhecido cliente da Airbus, optou por aviões da fabricante europeia em todas as suas companhias desde a JetBlue, como na Azul e na Moxy.

Conceito de fuselagem oval. Via – Aviation Week

Neeleman está impressionado com a forma como os designers da Boeing inovaram na fuselagem, então você não está carregando toda a estrutura como uma carga. “Eles alegam que vão obter os custos de assento de um corpo estreito e ter dois corredores, o que seria muito bom”, disse Neeleman.

Essa conversa do Neeleman também ressalta que a Boeing está inclinada para um conceito de dois corredores, o que pode permitir maior autonomia e capacidade de carga, possibilitando também criar uma variante capaz de transportar 270 passageiros em duas classes, ao contrário do A321XLR, que está sendo projetado pela Airbus, com capacidade máxima de 240 passageiros somente na Economy.

 

Economia de tempo e dinheiro

Podemos esperar um cockpit similar ao que equipa o Boeing 787. Foto – Alex Beltyukov

O NMA deve ter tecnologias de vários projetos já existentes, como aviônicos derivados do 787, que já tem Fly-By-Wire nos controles, asas dobráveis do 777X e a experiência da Boeing com a fabricação de uma fuselagem em material composto, além das asas no mesmo tipo de material.

Além disso, Dennis disse que a Boeing planeja implementar novos conceitos de projeto e construção, que testou no programa do caça-treinador TX. Antes a fabricante levava um dia e meio para unir seções de fuselagem de um caça Super Hornet, com as novas tecnologias de projeto e fabricação, um TX só precisa de meia hora para unir duas seções de fuselagem, é uma economia significativa de tempo na produção até mesmo do protótipo.

 

Variantes e expectativa de encomendas

O novíssimo jato comercial da Boeing terá duas variantes. O 797-6X pode vir com um alcance de 9200 quilômetros e capacidade para 228 passageiros em duas classes. Uma versão maior, a 797-7X pode ser capaz de levar 268 passageiros em duas classes e ter um alcance de 7800 quilômetros.

Até o momento a maior cobrança por um lançamento breve é proveniente das companhias aéreas dos Estados Unidos, como a Delta, American e United. A própria Delta já propôs ser a cliente de lançamento da aeronave.

Além disso a Boeing já registra interesse pelo projeto proveniente da Norwegian Air e da Air Lease Corporation, uma grande empresa de aluguel de aeronaves. No total a Boeing conversou com mais de 55 companhias aéreas até o momento sobre o seu novo avião.