A Mitsubishi deve anunciar a aquisição do programa CRJ da Bombardier no Paris Airshow, que acontecerá neste mês, em um movimento que reforçará sua participação global no setor de aviação.

A empresa japonesa confirma que está em negociações para adquirir a família de jatos regionais de 50 a 100 lugares, mas diz que nenhuma decisão foi tomada e se recusa a comentar o conteúdo das discussões.

O movimento sinalizará o fim da participação da Bombardier na fabricação de aeronaves comerciais. Anteriormente, a empresa vendeu 50,01% do seu programa CSeries para a Airbus, e logo após vendeu seu programa deficitário Q400, que constava poucas encomendas.

O foco da Bombardier nessa manobra será uma maior dedicação para suas atividades de aeronaves executivas.

Ao mesmo tempo a Mitsubishi garante uma dominância onde vira concorrente direta da Embraer, visto que os jatos CRJ concorrem com a família de primeira geração dos E-Jets, enquanto o novo MRJ, inteiramente desenvolvido pela Mitsubishi, concorre com a nova geração de aviões da Embraer/Boeing, os E-Jets E2.

MRJ90. Foto – Mitsubishi

A empresa japonesa tem desde 2011 um contrato de longa data com a Boeing, para que a fabricante norte-americana forneça suporte ao cliente para o jato regional MRJ. Essa é uma forma da Boeing apoiar comercialmente a comercialização do jato, e fez efeito no território dos Estados Unidos.

Essa parceria deve ser rompida em breve, visto que agora a Boeing costura uma parceria de joint-venture, onde a empresa adquiriu 80% da divisão de aviões comerciais da Embraer.

A Bombardier e a Mitsubishi estão atualmente em disputa judicial. A empresa canadense alega que houve um roubo de segredos comerciais, relacionados à certificação do CSeries e ao Global 7000. Neste caso a Mitsubishi contratou engenheiros da Bombardier, como forma de roubar segredos de engenharia.