Tanques conformais trariam mais autonomia ao ter mais combustível e menos arrasto aerodinâmico. Imagem: Boeing.

Os caças F/A-18 Super Hornet Block III da Marinha dos EUA não terão mais os tanques de combustível conformais (CFT) instalados na fuselagem. Enquanto a Boeing, fabricante dos jatos, diz que não espera entregar nenhum Block III com CFT à US Navy, a Marinha também teria emitido uma ordem formal de interrupção dos trabalhos no equipamento. 

As informações foram obtidas por Tim Martin, editor de aviação do portal de defesa Shephard MediaNo Twitter, Martin disse que a fabricante afirmou que os caças saindo da linha de montagem terão provisões para receber os tanques no futuro. Também na plataforma, Martin afirmou que um porta-voz da Marinha informou que a instituição ordenou que a Boeing parasse os trabalhos de desenvolvimento da Proposta de Mudança de Engenharia do CFT, citando dificuldades com custos, cronograma e desempenho. 

A Boeing afirma que, mesmo assim, os tanques ainda estão disponíveis para clientes de exportação, como Finlândia e Canadá. Os dois países estão buscando substitutos para seus caças F/A-18C/D Hornet, do qual o Super Hornet é um “descendente direto”. 

Em janeiro, a Marinha afirmou à revista Aviation Week que problemas técnicos, estruturais e de sustentação surgiram quando os CFTs foram testados em porta-aviões. A declaração da fabricante de que os tanque seguem disponíveis para Canadá e Finlândia – dois países que não farão uso do caça a partir de uma embarcação – reforça ainda mais que o problema pode realmente estar relacionado com as operações em porta-aviões. 

Os CFTs são tanques adicionais montados na fuselagem da aeronave. O equipamento traz vantagens por não gerar tanto arrasto aerodinâmico quanto um tanque subalar além de liberar cabides para o uso de armamentos. Caças como o F-16, F-15E (e derivados) e o MiG-29SMT usam CFT. A francesa Dassault e o consórcio multinacional Eurofighter também ofereceram seus caças Rafale e Typhoon com o CFT, mas nenhum dos dois fez uso dos tanques operacionalmente.

Caças CF-18 Block III da Força Aérea Canadense. Arte/Projeção: Boeing.

O uso de CFTs no Super Hornet surgiu com a proposta de uma versão altamente modernizada do caça, o Advanced Super Hornet. Apresentado em 2008, o Advanced Super Hornet incorporava não só novos tanques mas também trazia características de redução de retorno radar, pod “stealth” para carregamento de armas, sensor de busca e rastreamento infravermelho (IRST), nova suíte de guerra eletrônica e autodefesa e outros avanços. Apesar de nenhum país ter demonstrado interesse comercial no projeto, o que foi aprendido com o Advanced Super Hornet foi aplicado no Super Hornet Block III. 

Demonstrador do Advanced Super Hornet com os tanques conformais e o “pod furtivo”. Foto: Boeing.

Segundo o The War Zone, é possível que o problema tenha a ver com a capacidade de uma aeronave equipada com CFT de lidar com o estresse estrutural de pouso ou decolagem de porta-aviões, bem como a própria estrutura dos tanques. Também não está claro se os CFTs impedem a manutenção de rotina ou outras tarefas realizadas nos caças, potencialmente exigindo até mesmo sua remoção e reinstalação, o que poderia ser uma proposta cara, demorada e ainda mais problemática nos espaços limitados do interior um porta-aviões

Tanto a Boeing quanto a Marinha fizeram extensa divulgação dos novos tanques do caça. Além dos CFTs, o F/A-18 Block III incorpora um display panorâmico sensível ao toque no cockpit frontal e traseiro, redução de assinatura radar, melhorias nos sistemas de comunicação por satélite, datalinks mais novos, integração com um pod de IRST adaptado a um tanque de combustível externo, maior vida útil, novos computadores de missão e outros upgrades. 

Simulador do F/A-18 Block III.

O site afirma que a USN tem cerca de 540 caças Super Hornet em serviço e está planejando trazer a grande maioria deles para o padrão do Bloco III. Além disso, a Marinha também está realizando outras atualizações nas aeronaves. 

A retirada dos CFTs tem um impacto negativo, principalmente na autonomia das aeronaves. Segundo o portal, os tanques tem capacidade para armazenar cerca de 1950 litros de combustível (515 galões), 133 litros a mais do que os 1817 litros (480 galões) carregados pelo tanque ventral externo usado na aeronave, além de gerar menos arrasto e liberar o cabide para o uso de armamentos, como dito antes. 

Segundo a Boeing, um Block III equipado com tanques conformais e armado com dois AIM-9X, dois AIM-120 e duas bombas de 2000 libras teria um raio de combate de 1322 quilômetros (714 milhas náuticas), ao passo que um Super Hornet com um tanque ventral ao invés dos CFTs teria um raio de 1100 quilômetros (594 milhas náuticas)carregando os mesmos armamentos. Além disso, os novos tanques equipados com o sensor infravermelho, o chamado IRST21, sacrificam parte do armazenamento de combustível para dar espaço ao equipamento. 

F/A-18F equipado com o IRST21.

Mesmo com o avanço nos testes do novo drone de reabastecimento em voo MQ-25 Stingray, a aparente retirada dos tanques conformais dos planos para o F/A-18 Block III representa também uma perda de alcance de combate dos caças da Marinha, algo que pode ser um problema significativo, especialmente em qualquer conflito futuro que requeira operações em uma área extensa, como numa potencial guerra contra a China no Oceano Pacífico.

Uma autonomia menor força a aproximação dos porta-aviões à linha de frente, expondo ainda mais a embarcação estratégica às ameaças de mísseis hipersônicos, por exemplo. 

De qualquer forma, a Marinha também tem avançado no desenvolvimento de seus novos caças de sexta geração na forma do NGAD (Next Generation Air Dominance) junto à USAF, apesar do programa ainda ser visto com ceticismo pelos legisladores. 

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