Aeroporto de Congonhas pista
Foto - Infraero

O Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, é conhecido por ser um dos mais movimentados do país, apesar do seu tamanho pequeno comparado com outros terminais de movimentação similar, como Brasília e Galeão.

Porém, o local é conhecido também pela sua curta pista, que virou o centro das atenções em 2007 quando um Airbus A320 que cumpria o voo TAM 3054 ultrapassou os limites da pista, e colidiu com um prédio.

A fatalidade infelizmente foi uma combinação de erros, e algo parecido nunca mais ocorreu mesmo com o Aeroporto de Congonhas recebendo dezenas de milhares de voos por ano.

Mas somente agora a Infraero parece estar fazendo uma licitação para construir um sistema chamado EMAS em Congonhas, logo após uma recente reforma na pista, e na cauda de uma pressão das operadoras privadas do aeroportos.

O sistema EMAS (Engineered Materials Arrestor System) é feito de um material especial que favorece a frenagem de aeronaves em caso de saída de pistas, um dos acidentes que mais acontecem em todo o mundo.

Em 2016 citamos por aqui até mesmo um caso, que ocorreu com um avião de campanha do Donald Trump, que utilizou o EMAS no Aeroporto La Guardia, em Nova York (imagem acima), provando a eficiência em parar o avião antes do mesmo sair da pavimentação asfáltica.

A pavimentação é feita com finalidade de se deformar e quebrar caso submetida ao peso de uma aeronave. Como resultado, o próprio pavimento cria uma resistência à rolagem no trem de pouso da aeronave, e paralisa a mesma sem que um acidente ocorra antes.


 

O projeto em Congonhas

Algumas imagens compartilhadas recentemente nas redes sociais apontam que nesta segunda-feira (25/01) a Infraero assinou um contrato para a construção do EMAS em Congonhas. Esse projeto estava previsto desde 2019, de acordo com uma publicação anterior do Portal Aeroflap (Clique Aqui para ver).

A pista principal deverá perder em comprimento, mas não faz mal, a pista tem um tamanho “menor” virtualmente desde o acidente da TAM em 2007. 

A cabeceira 17R deverá ser reduzida em 30 metros, enquanto a cabeceira 35L será reduzida em 25 metros. Cada EMAS terá um comprimento total de 75 metros, com largura de 45 metros, neste último ponto igual a pista.

Pela imagem acima, divulgada pela Infraero, também podemos notar que a empresa não considera no projeto a pista auxiliar de Congonhas, que foi mantida na última reforma. Neste ponto da pista auxiliar questionamos a Infraero por e-mail, e aguardamos uma resposta da empresa estatal.

Na prática, teremos a criação de vigas e pilares capazes de suportar as aeronaves e veículos nos quadrantes apresentados na imagem abaixo, para a construção do EMAS, alongando em alguns poucos metros a pista do Aeroporto de Congonhas, porém trazendo maior segurança para o local.

O planejamento da Infraero prevê que a obra seja executada em 16 meses, contabilizando esse prazo a partir de fevereiro. O investimento total é de R$ 122,5 milhões.

“Essa etapa foi necessária porque o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) 154, que estabelece as regras a serem adotadas no projeto de aeródromos, não apresenta requisitos detalhados para implementação do EMAS. Por isso, foram adotadas as premissas utilizadas nos Estados Unidos para criar um modelo específico para Congonhas, que levou em conta o espaço disponível no aeroporto”, explica o superintendente de Engenharia da Infraero, Giuliano Capucho.

O projeto prevê ainda obras complementares nas pistas de taxiamento nas regiões próximas aos EMAS. Todas as intervenções serão alinhadas com as autoridades locais, com o objetivo de ajustar o andamento da obra para que ela ocorra em segurança, tanto para os operários quanto para as pessoas que circulam pela região.

 

Adicional do editor:

O vídeo abaixo explica de forma bem clara, apesar de estar em inglês, como funciona a tecnologia EMAS, criada há muitas décadas.