Em uma bela tarde do ano de 1985. Um acionamento do alerta da Base Aérea de Santa Cruz/RJ (hoje ALA 12) iria se tornar memorável para a história da aviação brasileira.

O capitão-aviador Mauro Aurélio Rocha (Rocky), estava como piloto de alerta quando foi acionado e decolou em apenas cinco minutos em seu F-5E Tiger II para uma inusitada interceptação do ícone avião Concorde.

Após o acionamento, o piloto direcionou seu caça para o oceano e logo foi coordenado pelo controle de Defesa Aérea a subir ao nível 450 (45.000 pés), com PC (pós-combustor) no máximo.

Caças F-5E Tiger II- Foto; Arquivo FAB

O capitão Rocky já imaginava que essa missão seria diferente, até pelo motivo da maioria da interceptações acontecerem sobre o continente, e não sobre o mar.

O controle da defesa aérea deu as coordenadas da aeronave a ser interceptada e relatou o nível e velocidade em que a aeronave estava, FL 620 (62.000 pés) e a uma velocidade acima de Mach 2 e já estava descendo. Neste momento o capitão Rocky teve a certeza que a aeronave a ser interceptada seria o Concorde que estava realizando o voo Paris-Rio, com escala em Dacar (Senegal).

Concorde da Air France em primeiro plano e um Boeing 707 da Varig logo atrás- Foto: Autor desconhecido

Seguindo as informações do controle o F-5E de Rocky já estava a Mach 1.4 e ao nível 450, foi quando o caçador da FAB viu um pontinho branco em formato de flecha, e enfim, houve contato visual com o Concorde da Cia francesa que já estava reduzindo sua a velocidade a altitude.

O aviador então vez uma manobra e colocou seu caça às 6h do Concorde, ou seja, na parte de trás da aeronave, enquanto estava nesta posição Rocky fez algumas fotos da aeronave.


Foi neste momento, já sobre o continente, que o Concorde começou a alijar combustível, o que obrigou ao caçador Rocky a desviar seu caça de trás do supersônico de passageiro.

Caça F-5 da FAB interceptando um Concorde- Foto de Arquivo Capitão Mauro Aurélio Rocha

Já em baixa altitude e velocidade o Concorde estava se aproximando da cidade maravilhosa e o capitão continuava a seguir o ícone avião, não passando muito tempo o controle ordenou que Rocky abandonasse a missão e retornasse a base.

Não houve um motivo especial para a interceptação, é comum que pilotos sejam acionados para interceptações apenas para verificar a prontidão do caçador e verificar alguns detalhes da aeronave interceptada. Nestes casos o piloto se aproxima da aeronave e coleta alguns dados (modelo do avião, rota, matrícula e afins), após isso abandona a missão sem que a tripulação da aeronave interceptada saiba o que aconteceu.

Voos não regulares do Concorde no Brasil:

Concorde sobre o Rio de Janeiro. Foto: Encarte promocional da Air France/Escaneado pela Equipe do Portal Aeroflap

O Rio de Janeiro foi uma das cidades sorteadas para o primeiro voo comercial do Concorde pela Air France, o dia era 21 de janeiro de 1976, a rota entre Paris e o Rio fazia uma escala em Dakar (Senegal).

Desde esse dia foram seis anos de operação do clássico avião supersônico ligando a capital francesa a cidade maravilhosa.

Concorde no terminal internacional do Galeão- Foto: Arquivo Globo

Os voos com o Concorde ligando o continente sul-americano e o europeu acabaram em abril 1982, um dos motivos era o gasto que tais viagens custavam para a Air France.

No entanto, o Concorde ainda fez voos especiais para o Brasil até 1998 e passou por outras cidades além do Rio de Janeiro, a começar pela vizinha São Paulo.

Em uma viagem presidencial em 15 de outubro de 1985, o presidente francês, François Mitterrand, fez uma visita oficial ao Brasil e chegou à capital do país em um Concorde da Cia aérea francesa.

Presidente francês, François Mitterrand desembarca em Brasília-DF de um Concorde-Foto: Orlando Brito

Devido a vinda do Concorde com o presidente para uma região ao centro do país foi necessário uma escala técnica em Recife/PE e a chegada dos Concordes virou notícia e despertou a curiosidade de muitos na capital pernambucana. Sim, houveram dois concordes em Recife por causa da comitiva presidencial.

Concorde da Air France em Recife/PE- Foto: Tulio Couceiro
Concordes da Air France em Recife/PE- Foto: Tulio Couceiro
Foto: Tulio Couceiro

Contudo, o mais distante que o Concorde foi em terras brasileiras foi a cidade de Foz do Iguaçu, em 1996, em um voo especial de volta ao mundo. Esse fato com certeza movimentou o aeroporto da cidade, bem como de amantes da aviação e curiosos. Entretanto, há uma lamentável coincidência, o Concorde em questão que pousou em Foz do Iguaçu, de matrícula F-BTSC, foi o mesmo que em 25 de julho de 2000 iria sofrer o fatídico acidente ao decolar do Aeroporto Charles de Gaulle, na França.

Sem mais delongas, deixamos aos senhores (as) um vídeo registando a chegada do supersônico.

Em 2003, o Concorde fazia seu último voo, colocando fim assim há uma era única da aviação comercial que infelizmente ficou no passado e que deixa muitas saudades.