Ejeta, Ejeta, Ejeta! Essas são as últimas palavras proferidas por um piloto antes de acionar o punho de ejeção.

Sair de um avião em pleno voo, sentado em uma cadeira equipada com foguetes que lhe projetam para cima, atingindo cerca de 20gs. Hoje isso soa mais comum, mas no passado a ejeção era vista como algo incrível e ao mesmo tempo maluco, mas no final das contas é isso que muitas vezes salva a vida de muitos pilotos de caça pelo mundo.

As mais variadas aeronaves de combate têm como último recurso o assento superior, ou seja, um avião biplace. Aqui no Brasil temos o T-27 Tucano e o A-29 Super Tucano, até os caças de alta performance, como o F-5EM/FM.

Nos demais países o mesmo ocorre, seja com F-16, SU-30, F-15, SU-35, F-35, dentre outros. Mas não é de agora que se teve a ideia de ejetar um piloto em pleno voo de uma aeronave.

 

História do assento ejetor

A história do assento ejetor começou em meio a segunda das duas guerras mais famosas e mortais do mundo, a 2º Guerra Mundial.

As empresas pioneiras na construção de assentos ejetores foram a empresa alemã Heikel e a sueca SAAB.


Na época os primeiros modelos eram alimentados por ar comprimido. O primeiro uso do assento que salva a vida dos pilotos, foi usado por Helmut Schenk, que se tornou a primeira pessoa escapar em voo de sua aeronave usado um meio mecânico para isso. Schenk estava abordo de um jato He 280 (na época os nazistas foram os pioneiros na construção de jatos. Sendo um deles muito peculiar que já foi tema aqui em nosso portal).

Ainda no cenário da Segunda Guerra Mundial, os desenvolvedores começaram a pensar em outras formar de propulsão para os assentos. Em 1944 foi idealizado um assento que usava molas, como sistema de catapulta para que o piloto fosse levado para fora da aeronave e assim se salvar.

Teste de ejeção da Força Aérea Americana- Foto; USAF

Antes e durante a 2º Guerra Mundial, havia apenas uma forma de sair do avião, que era o próprio piloto sair da aeronave e saltar de paraquedas, mas dependendo da situação era complicado, pois o avião poderia estar girando sem controle, ou estar em chamas, ou algo do tipo. O assento ejetor nasceu na 2º guerra, mas não tinha ainda seu uso em massa.

Com o fim do conflito global, a aviação estava ganhando novo patamares, a aviação à jato já era uma realidade, poucos anos após o término da guerra, a barreira do som foi quebrada e com isso a velocidade era a maior vantagem e novidade. Contudo, a precisão de salvar a vida de pilotos foi questionada e o assento ejetor foi a solução.

A empresa britânica Martin-Baker é pioneira até os dias atuais em relação aos assentos ejetores. Seu primeiro teste foi em 1946, em um jato Gloster Meteor Mk III, marcando assim mais uma etapa de sucesso. A empresa ainda está atuante no mercado, fornecendo assentos pra caças furtivos como o Lockheed Martin F-35.

Na década de 60 os testes de ejeção em voos supersônicos foram iniciados, e novamente a empresa britânica foi pioneira tendo casos de lançamento a velocidades superiores a 700 nós (1300 km/h) e em altitudes recordes de 57000 pés (17400 metros).

Com o passar dos anos novas tecnologias foram criadas, os erros foram corrigidos e o avanço e a segurança dos assentos aumentaram.

 

 Como funciona

Teste de assento ejetor. do caça furtivo F-35- Foto: USAF
  • Todo o sistema de ejeção é automático, quando o piloto aciona o punho de ejeção os foguetes são acionados e o assento sai da aeronave. Existem dois modos de sair do avião, um deles é o assento com os chifres (Ex: A-29 Super Tucano), estes chifres quebram o acrílico do canopy. O segundo tipo é ao acionar, toda a nacele sai e os assentos saem das aeronaves.
  • No processo de amarração do piloto ao assento deve-se por meio de uma correia em cada perna ficar presa ao banco, mas com um espaço para o piloto comandar os pedais da aeronave. Quando acionado o punho de ejeção, as pernas do piloto colam na cadeira, para evitar movimentos involuntários causados pela força repentina.
Foto: Via Flight Global
  • Contudo, existem impactos ao pilotos, pois existem cargas Gs que chegam a mais de 20 Gs então é normal que quando acionado, o piloto desmaie por alguns segundos.
  • Como dito, o sistema é automático, assim que acionado o ocorre a explosão, com a rápida ejeção do assento.

Com o avanço das tecnologias, existem hoje os assentos zero-zero, que podem funcionar do chão. Em uma situação emergência nos momentos de pouso ou decolagem os pilotos podem acionar o assento direto do solo.

Vejam abaixo alguns vídeos abaixo:

  • Compilado de ejeções reais:

  • Teste de ejeção zero-zero:

A ejeção foi retratada inclusive em filme, como neste exemplo triste do clássico Top Gun, onde por uma falha mecânica o Goose (companheiro de Maverick em um F-14), acaba colidindo contra o Canopy durante a ejeção:

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