Foto - Embraer/Reprodução

A Embraer vai precisar de seis meses adicionais para a segunda parte do desenvolvimento do KC-390, principalmente agora que só conta com uma aeronave para testes.

Esse adiamento da primeira entrega em seis meses foi anunciado hoje pela empresa, durante uma coletiva de imprensa para apresentar os resultados financeiros do segundo trimestre.

O terceiro KC-390 produzido, e o primeiro em série, seria entregue para a Força Aérea Brasileira ainda em 2018, mas agora esse avião será integrado à frota de testes temporariamente, para cumprir as missões dada ao primeiro protótipo (001), que sofreu um novo incidente em maio deste ano, inviabilizando o uso do mesmo.

A Embraer planejava entregar o terceiro KC-390 à força aérea brasileira até o final do ano, mas a aeronave será desviada para ajudar a empresa a completar a campanha de testes de voo na ausência do primeiro protótipo. A empresa relata que 96% dos testes previstos estão concluídos.

O quarto KC-390 será agora a primeira das 28 aeronaves entregues à força aérea brasileira, em meados do primeiro semestre de 2019.

Os atrasos do projeto e as readequações de produção causaram um prejuízo não previsto ao caixa da empresa de R$ 459 milhões, no segundo trimestre de 2018.

O KC-390 ainda precisa passar por testes remanescentes de reabastecimento aéreo, lançamento de cargas e outros, visando o atingimento da Capacidade Final de Operação (Final Operational Capability – FOC), objeto da certificação militar final da aeronave.

 

O incidente

A Embraer foi firme em confirmar que os dois incidentes do primeiro protótipo foram meramente operacionais, sem relação com características de projeto da aeronave. A empresa provou isso falando sobre as apresentações ao público do segundo protótipo, realizadas recentemente no Farnborough Airshow 2018.

A empresa ainda afirmou que não espera mais incidentes durante esses meses restantes do desenvolvimento do KC-390, até atingir a capacidade operacional final.

 

Parceria com a Boeing

Recentemente a Embraer anunciou uma parceria com a Boeing para trabalhar no marketing e vendas do KC-390, com finalidade de potencializar o avião no mercado internacional, ainda dominado pelo C-130J.

Como exigido pela Força Aérea Brasileira, a Embraer ainda continuará independente na direção do programa KC-390, visto que a empresa deseja manter fatores da soberania nacional, tanto de tecnologia como de fabricação.

A parceria com a Boeing seria de vital importância para implementar o KC-390 nos países do Oriente Médio, e até mesmo nos EUA daqui alguns anos, em substituição ao Super Hercules da Lockheed Martin.

 

O KC-390

O Embraer KC-390 é capaz de executar diversas missões, como transporte de carga, lançamento de tropas ou de paraquedistas, reabastecimento aéreo, busca e salvamento, evacuação aeromédica e combate a incêndios, além de apoio a missões humanitárias.

A aeronave pode transportar até 26 toneladas de carga a uma velocidade máxima de 470 nós (870 km/h), além de operar em ambientes hostis, inclusive a partir de pistas não preparadas ou danificadas.

Trata-se de um projeto da Força Aérea Brasileira (FAB) que, em 2009, contratou a Embraer para realizar o desenvolvimento da aeronave.