RQ-4B Global Hawk japonês. Foto: Northrop Grumman/Divulgação.

O drone de reconhecimento e vigilância Northrop Grumman RQ-4 Global Hawk teve seu prazo final de serviço implementado pela Força Aérea dos EUA (USAF).

Os últimos deste modelo operarão até 2027, de acordo com uma carta da USAF para Northrop Grumman, e publicada pelo site Breaking Defense. A aposentadoria será realizada de acordo com as versões mais antigas, finalizando na mais atual, a Block 40, entre 2026 e 2027.

O RQ-4 Global Hawk se destacou nos últimos meses por várias missões de reconhecimento acima do Mar Negro, durante a escalada de conflito entre a Ucrânia e Rússia. Sua capacidade de permanecer voando por até 30 horas nessas missões foi bastante ressaltada nos veículos de mídia.

RQ-4 Global Hawk: o drone dos EUA que voa na Ucrânia por mais de 30 horas

Em operação também pela Coreia do Sul e Japão, o RQ-4 entrou em serviço nos Estados Unidos em 1998, como um substituto do U-2, e até hoje permanece como o principal avião nesta função.

O Global Hawk é uma das maiores aeronaves não-tripuladas em operação no mundo, apresentando 15.5 metros de comprimento, 4,7 metros de altura e uma impressionante envergadura de quase 40 metros. Uma asa tão grande aliada ao potente motor Rolls-Royce F137-RR-100 dá ao RQ-4 uma das suas características mais notáveis: um teto de serviço de 60 mil pés (18288 metros) com uma autonomia superior a 32 horas. 

 

Emprego do RQ-4

Se o RQ-4 não tem pilotos, como ele é capaz de voar tão longe, tão alto e por tanto tempo? 

Este drone é operado por três militares. Um é o piloto, tecnicamente chamado de Elemento de Lançamento e Recuperação (LRE), responsável por decolar o drone e conduzi-lo até o ponto onde será realizada a missão. O LRE, cujo serviço também realizado pela companhia Raytheon, também fornece localizações precisas e correções de navegação baseadas em GPS/INS.

A partir desse ponto, outros dois militares assumem o comando da aeronaves. Estes são designados como Elemento de Controle de Missão (MCE) e são responsáveis pelo planejamento, condução, comando e controle de missão e processamento e distribuição das imagens e dados obtidos durante o trabalho. Por serem módulos independentes, os MCE e LRE podem operar em pontos geograficamente distintos. 

A aeronave recebe comandos e transmite dados através de um satélite de comunicações militares, operando por comunicação segura e encriptada na Banda X. Caso a aeronave esteja operando na linha de visão de estações de operação compatíveis, os dados podem ser transmitidos através de datalink. 

Além das missões de inteligência e vigilância, o RQ-4 já foi empregado em operações de ajuda humanitária. Em 2011, quando o Japão foi arrasado por um tsunami, o drone foi usado para gerar imagens de alta resolução das imagens afetadas. O mesmo ocorreu nas Filipinas em novembro de 2013, quando o país foi atingido pelo Tufão Haiyan.

Em 2008, um RQ-4 da Marinha dos EUA foi usado nos incêndios florestais na Califórnia para localizar focos com precisão. A aeronave permaneceu no ar por mais de 24 horas, coordenando esforços para otimizar os trabalhos de combate às chamas.

Imagem dos incêndios na Califórnia em 2008, gerada por um RQ-4 da Marinha dos EUA. Foto: US Navy.
A aeronave foi extensivamente usada na Guerra Global ao Terror, obtendo dados de inteligência em operações no Iraque, Afeganistão e Síria contra o Talibã, Al-Qaeda, Estado Islâmico e outros grupos. 
 
Apesar das capacidades, o RQ-4 teve seus problemas. A USAF tenta aposentar os modelos mais antigos, o que já foi impedido pelo Congresso pelo menos duas vezes. O projeto sofreu atrasos, estourou limites de orçamento e quase foi cancelado, o que fez com que a Força Aérea adquirisse menos aeronaves do que fora inicialmente planejado.
 
RQ-4 manutenção
RQ-4 passando por manutenção de pista. Foto: USAF.
Um total de oito RQ-4 foram perdidos em acidentes e um nono foi derrubado pelo Irã em 2019. Por voar por muito mais tempo que outras aeronaves, o Global Hawk também tem um intervalo de manutenção menor. Ainda assim, com o passar do tempo, a USAF foi capaz de reduzir os custos operacionais do RQ-4 e otimizar a sua operação.
 
Atualmente, a USAF busca aposentar os RQ-4 Block 20 e 30, querendo deixar apenas os Block 40 em serviço. Atualmente são 20 RQ-4 Block 30 e três EQ-4B Block 20 (BACN) em operação. O primeiro Global Hawk Block 40 foi apresentado em 2009.
 
EQ-4B Global Hawk (BACN). Foto: USAF.
A Marinha dos EUA também sua versão do Global Hawk: designada MQ-4C Triton, a aeronave é usada principalmente em missões de patrulha e vigilância marítima. Além dos EUA, a Força Aérea Sul-Coreana e a Força Aérea de Autodefesa do Japão também operam o RQ-4B.
 
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) possui o RQ-4, usado pelo programa Alliance Ground Surveillance (AGS), que opera cinco RQ-4 Block 40, recebidos entre 2019 e 2020. As aeronaves, designadas RQ-4D Phoenix, são operadas a partir da Base Aérea de Sigonella, na Ilha de Malta. É de lá que também opera o RQ-4B FORTE12 que tem realizado voos sob a Ucrânia diariamente. 
 
RQ-4 D OTAN
RQ-4D Phoenix da OTAN. Foto: OTAN.

Uma aeronave cara, mas que oferece capacidades únicas e sem expor um tripulante aos riscos do voo, especialmente em áreas sensíveis. O RQ-4 Global Hawk se fará presente sempre que o reconhecimento de um determinado alvo de interesse do Pentágono for necessário. Enquanto durarem as tensões na Ucrânia, o FORTE12 seguirá voando por várias horas, coletando uma série de dados de inteligência.