Este Fokker 100 está virando uma aeronave da Pan Am

Um grande projeto começa sempre com ideias relevantes, muita energia e dedicação em conjunto.

Restaurar uma aeronave quase abandonada pode ser algo classificado como um grande projeto. Não é nada fácil!

A própria estrutura do avião, com porte considerável, torna tudo mais complexo no projeto, e pelo fato de ser um avião antigo, que há anos não é fabricado, pode tornar a simples ação de arrumar peças novas um martírio. É como tentar atualmente dar a correta manutenção em um Fiat Marea.

No entanto não estou aqui para falar sobre carros, mas de um excelente projeto que está ocorrendo na Capital Federal.

Na última sexta-feira (28/08) tivemos a oportunidade de visitar o projeto do Fokker 100. Esta clássica aeronave, além de ajudar a erguer duas companhias aéreas brasileiras, tem muita história para contar com a fuselagem PR-OAF.

Mas antes vamos dar uma pincelada na própria história do F-100.

 

Operação do Fokker 100 no Brasil

O Fokker 100 não é o avião mais querido do Brasil, mas até 2019 ele tinha uma ampla importância na aviação brasileira. Na verdade continua possuindo esta importância, apesar dos contratempos na Avianca Brasil.


Ainda nos idos de 1990 a TAM começava a surgir como uma operadora de jatos, desvinculando de seu início regional para atender também as ligações entre grandes capitais. Há quem aponte que a TAM e GOL, com seus serviços diferenciados foram as responsáveis por falir empresas como Varig, Vasp e Transbrasil, mas não queremos entrar neste mérito.

A escolha da TAM na época estava apoiada em uma moderna aeronave: O Fokker 100. Esteve avião holandês era extremamente moderno, desenvolvido em parceria com as maiores do setor aeronáutico, apresentando um Glass Cockpit já em 1983, juntamente com dois silenciosos e econômicos motores Rolls-Royce Tay.

Mas na época o mercado não tinha tanto apetite para aviões regionais, como alguns anos depois começaria a ter. Como resultado, a Fokker gastou muito dinheiro em um projeto que fez um sucesso mediano, apesar da quantidade de aviões encomendados.

O Fokker 100 também era conhecido no meio pela sua complexidade de manutenção, e a facilidade de pilotar. É como um belo carro francês!

Enfim… No Brasil a TAM cresceu através do Fokker 100, até anos depois começar a receber os seus primeiros aviões da Airbus, naquela época uma mescla de aeronaves de segunda mão e novos de fábrica. O F-100 teve seu ‘filme queimado’ no Brasil através das asas da TAM, que operou com a aeronave até 2007.

Fokker 100 em seus últimos dias na Avianca Brasil.

Logo depois, em 2006, uma companhia que estava surgindo no mercado brasileiro também virou seus olhos para o Fokker 100. A Avianca pegou um total de 15 aviões Fokker 100 ao longo de sua história, e operou com estes até 2015. Foi um importante período de crescimento da aérea.

 

O avião restaurado

Depois de enrolar muito, chegou a hora de falar um pouco mais do PR-OAF. A aeronave operou na Avianca Brasil desde 2006, quando precisou em 2014 aterrissar sem o trem de pouso dianteiro no Aeroporto de Brasília.

PR-OAF após pousar sem o trem de pouso dianteiro em 2014.

Na época a Avianca Brasil já estava em processo de pensar na aposentadoria dos seus aviões Fokker 100. Então após o grave incidente, que você pode conferir mais Clicando Aqui, a aeronave ficou em um hangar no Aeroporto de Brasília.

Até a falência da aérea, em 2015, este F-100 recebeu ainda alguns tripulantes da AVB, no entanto, para realizar apenas treinamentos. 

Quando a Avianca faliu, em 2019, a aeronave foi abandonada no Aeroporto de Brasília, e ficou parada por um ano, pegando chuva, sol e vento.

Fokker 100 abandonado em Brasília e fora do hangar, pegando sol e chuva.

Então os antigos donos decidiram se desfazer do avião através de uma doação. Em Brasília a Igreja Batista Central, localizada na quadra 603 Sul, decidiu abrigar a aeronave, e o mais importante, restaurar para um projeto nobre.

A Igreja Batista Central de Brasília já é conhecida por ter um mockup, em pequenas dimensões, de um Boeing 737. Lá até comissários treinavam, além de ser uma base para eventos.

 

O processo de restauração

Durante uma visita ao Pan Am Experience, em Brasília, conferimos mais detalhes da restauração, e quais etapas são necessárias para a mesma ser realizada.

Depois da Pan Am ter recebido a fuselagem e componentes, que você pode conferir um pouco mais do processo de transporte nos vídeos acima, o primeiro processo a ser iniciado é de reconhecimento dos componentes.

Nessa etapa eles contaram com auxílio de um ex-mecânico da Avianca Brasil, o Rodrigo Siqueira, para selecionar os componentes bons, e aquilo que necessitava de adaptação.

Depois de listar alguns componentes eles já avançaram algumas etapas, muitas vezes simultaneamente. A primeira é de limpeza dos componentes, aliás, o F-100 ficou mais de um ano fora do hangar, e exposto ao famoso vento com terra de Brasília (e de terra vermelha).

Já o segundo passo é começar a montagem de componentes do F-100, e algumas adaptações necessárias. Quando realizamos a visita, eles estavam realizando simultaneamente a limpeza de alguns componentes grandes, e a instalação de acabamentos internos, visto que o interior exigiu uma quantidade significativa de adaptações, apesar da grande quantidade de componentes originais.

Conversando com o Ricardo, o mesmo responsável pelo projeto, ele ressaltou que o Fokker 100 já foi doado sem alguns componentes, como os trens de pouso principais, plugues e a fiação elétrica que é conectada nesses plugues. Por este motivo, o F-100 precisa de várias adaptações na parte elétrica, e para indicar a presença de motores e trens de pouso (neste caso eles vão precisar recriar esses componentes).

No interior, apesar da falta de fiação elétrica originalmente, eles estão adaptando uma fiação para que todos os painéis superiores, acima de cada assento, tenha a sua funcionalidade, tanto de ar condicionado como das luzes de leitura. Os avisos de comissária também devem funcionar.

Após esse processo de adaptações, logicamente temos a montagem de componentes no interior e exterior da aeronave, incluindo os 45 assentos distribuídos em duas classes. Como o foco é recriar o conforto da Pan Am, os idealizadores do projeto optaram por um interior mais confortável.

Em uma conversa com Ricardo, este nos afirmou que recebeu 120 assentos junto com a aeronave. Estes estão devidamente estocados e serão utilizados no projeto e para futuramente substituir assentos defeituosos.

Um projeto desses, que quase não vemos no Brasil, leva até três meses para ser totalmente finalizado. No momento a Igreja Batista Central de Brasília conta com voluntários e funcionários próprios trabalhando neste projeto, algo que pode diminuir a cadência das atividades, e proporciona o maior tempo de projeto.

 

Utilização futura

Muitos dos nossos seguidores perguntaram sobre o uso futuro dessa aeronave. Aliás, na explicação acima já ressaltamos um pouco de como ficará o interior deste avião.

Ricardo ressaltou durante todo momento que o avião deve primeiramente servir para os contextos sociais da igreja, incluindo a arrecadação de dinheiro para programas sociais. Além das aeronaves, ele é um grande fã de culinária, e com base nisso deve promover jantares temáticos, com a culinária de países específicos em cada dia de evento.

Em votação, os fãs do perfil da Pan Am Experience no Instagram escolheram a pintura totalmente branca com letras na cor azul.

Por falar em evento, é isso mesmo, cada jantar o “passageiro” será tratado como em voo, com embarque, contato com os “tripulantes” uniformizados como na época da Pan Am, passagem e assento marcado. O jantar indica o país da sua passagem, e o tipo de culinária que será servida a bordo.

No final, a meta é disponibilizar o avião até dezembro deste ano, e começar a utilizar o mesmo até março de 2021, devido à pandemia. Lembre-se, evite aglomerações!

Você também pode conferir atualizações diárias sobre o projeto diretamente no perfil da Pan Am Experience no Instagram (Clique Aqui para acessar a página).

 
 
 
 
 
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Agradecemos pela recepção de toda equipe do Pan Am Experience, principalmente às dúvidas tiradas pelo Ricardo e o Rodrigo Siqueira.

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