Um setor altamente especializado da aviação e talvez o que mais exija perícia e boa formação de seus pilotos, a aviação agrícola está presente no País desde 1947 – o primeiro voo ocorreu em Pelotas/RS, para combater nuvens de gafanhotos. Atualmente, o Brasil tem a segunda maior frota aeroagrícola do planeta.

São 2.115 aeronaves (2.108 aviões e sete helicópteros), de acordo com o estudo concluído este mês pelo engenheiro agrônomo e consultor do Sindag Eduardo Cordeiro de Araújo, a partir de números levantados em janeiro, junto ao Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Os dados apontam um crescimento de 1,5% (32 aeronaves) na frota aeroagrícola em 2017. O que representa ainda um acumulado de 46,2% nos últimos 10 anos. No ranking com 22 Estados, o Mato Grosso continua liderando, com 464 aeronaves registradas, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 427 aviões, e tendo São Paulo em terceiro, com 312 aeronaves.

Minas Gerais foi o Estado que teve o maior crescimento (15,5 %), passando de 71 aeronaves em 2016 para 82 no ano passado. Já a Bahia, que tinha 99 aeronaves em 2016, terminou o ano passado com 88 (- 11%). Isso entre oscilações oriundas tanto da entrada e saída de aviões do mercado, quanto transferência de aeronaves entre Estados.

 

OPERADORES E FABRICANTES

Na divisão por tipos de operadores, as 244 empresas de aviação agrícola existentes no País (das quais três operam helicópteros) detêm quase 68% da frota nacional, abrangendo 1.435 aeronaves. Outros 659 aviões estão divididos entre 565 operadores privados – agricultores e cooperativas que têm seus próprios aparelhos.

Já os 21 aviões restantes são pertencentes aos governos federal, estaduais ou do Distrito Federal (por exemplo, aeronaves de corpos de bombeiros usadas contra incêndios florestais), além de aparelhos de instrução, experimental ou protótipo.

Entre os fabricantes, a brasileira Embraer continua dominando o mercado, respondendo por 59,4 % da frota (1.256 aviões) com as variantes de seu modelo Ipanema (há 45 anos no mercado). O restante é de aeronaves estrangeiras, onde quem lidera é a norte-americana Air Tractor (maior fabricante mundial), que tem 14,3% do mercado brasileiro.

O estudo de Araújo também relaciona a quantidade de cada modelo de avião ou helicóptero agrícola operando no País. Ele ainda avalia o crescimento da participação de aeronaves turboélice no mercado nacional e a idade média da frota brasileira.

 

COMPARATIVO INTERNACIONAL

A frota aeroagrícola brasileira está atrás apenas dos Estados Unidos, que possuem 3,6 mil aeronaves agrícolas, segundo sua Agência Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês). Conforme a Associação Nacional de Aviação Agrícola norte-americana (NAAA), 87% da frota de lá é composta por aviões e outros 14% são helicópteros.

Além disso, o país possui 1.350 empreendimentos aeroagrícolas, onde 94% dos proprietários são também pilotos – e há outros 1,4 mil pilotos não empresários.

Outras duas potências continentais, o México conta com cerca de 2 mil aviões e helicópteros agrícolas e a Argentina tem em torno de 1,2 mil aeronaves atuando no setor – e vem trabalhando para renovar cerca de 400 delas.

 

ALTAMENTE ESPECIALIZADO

No caso do piloto agrícola, a formação passa pelo curso de Piloto Privado (PP que permite que se voe por hobby, não profissionalmente), depois pelo curso de Piloto Comercial (PC, que permite que trabalhe em empresas aéreas) e daí ele precisa primeiro somar 370 horas de voo para poder entrar no curso de piloto agrícola.

Na formação agrícola, são cinco escolas de pilotagem existentes no Brasil – duas no RS, três em SP (uma delas para helicópteros) e uma no PR. O candidato aprende a fazer o voo em baixa altitude (aplicações são feitas normalmente a 3 ou 4 metros do solo, cuidados com os produtos, segurança ambiental e outros temas.

Porém, além do piloto, a equipe também é especializada. Por lei, cada empresa aeroagrícola tem um engenheiro agrônomo responsável pelas operações, além de no mínimo um técnico agrícola com especialização em operações aéreas, entre várias outras regras.

No trato a lavouras, a rapidez e precisão do avião ou helicóptero são essenciais para evitar a proliferação de pragas e doenças, permitem a aplicação dentro da “janela” ideal das condições climáticas do dia e outras vantagens, que também significam, muitas vezes, a redução do uso de produtos químicos (menos chance de necessitar reaplicações). Sem falar que não há perdas por amassamento nas lavouras (não há equipamento rodando entre as plantas).

Vale lembrar ainda que a aviação é usada também na aplicação de fertilizantes, semeadura e no trato de florestas. Sem falar no combate a incêndios florestais, onde é indispensável principalmente em áreas de preservação com pontos de difícil acesso para equipamentos por terra.

 

Via – Sindag