South African Airways
Foto - Divulgação

Antes mesmo da pandemia de Covid-19 a South African Airways estava afundada em uma grande crise, sofrendo um prejuízo de milhões de dólares por dia.

A companhia aérea estatal, no entanto, tentou várias formas de estacar esse prejuízo, mas a cada momento a administração estatal era colocada em cheque. E agora a companhia aérea parece que sofreu por anos com uma grande corrupção.

Promotores de uma Unidade de Investigação Especial da África do Sul (SIU) alertaram que a companhia aérea sofreu uma corrupção galopante nos últimos anos, que afetou toda a estrutura da empresa.

De acordo com a investigação, a companhia sofreu de má administração, conduta ilegal de funcionários, apropriação de fundos públicos e desvio de dinheiro.

“O estado da SAA no momento é terrível”, disse Andy Mothibi, chefe da SIU. “Neste caso, a companhia aérea está quase na sua desintegração”. Apesar do imenso prejuízo acumulado ao longo dos anos, a SAA ainda planeja retomar seus voos em maio deste ano.

Tudo ocorreu durante um longo período, incluindo a época que a empresa declarou a Recuperação Judicial. Esses problemas permaneceram na companhia de janeiro de 2002 até o fim de 2019, quando uma troca de administração resolveu parcialmente os problemas, logo após a investigação ser iniciada.

De acordo com os promotores, há irregularidade em diversos pontos. A SAA pode estar envolvida nos problemas de corrupção com a compra de aeronaves da Airbus, contratos superfaturados de manutenção e prestação de serviço, além de desvios internos para favorecer terceiros.

 

Contrato de leasing de aeronaves adulterado

A SAA realizou um 2012 um processo para vender aviões Airbus A320, e depois fazer uma licitação para arrendar aeronaves Airbus A320. O esquema chamado de lease-sale-back é comum nas companhias aéreas, no entanto, os promotores encontraram diversos buracos na negociação.

As empresas Banco da China (BOC),  Pembroke e Standard Bank venceram o processo, retirando quase 30 aviões da propriedade da companhia.

No contrato da SAA com a Pembroke, que tem mais inconsistências, a empresa pagou US$ 41 milhões por cada aeronave A320 da SAA. A própria companhia aérea pagou anteriormente US$ 38,9 milhões por cada aeronave A320 da Airbus, obtendo lucro na transação.

No entanto, a South African Airways pagou à Airbus US$ 115,4 milhões, com finalidade de Pagamentos de Pré-Entrega (PDP), em um acordo assinado em 24 de janeiro de 2013. 

Quando a SAA e a Pembroke concordaram com a transação, a empresa de leasing teve que reembolsar o PDP, mas este valor não está constando na parte de receita da empresa, nem nas entradas de “caixa” da SAA.

O processo de leasing custou mais caro à SAA em comparação com o preço pago por cada aeronave à Airbus (US$ 38,9 milhões), enquanto o leasing saiu por um total de US$ 46,5 milhões, isso sem contar o contrato de retorno da aeronave para a empresa de leasing.

Além do problema no reembolso do PDP, que foi para qualquer lugar menos para a conta bancária da companhia aérea, os promotores estimam que nessa transação de lease-sale-back a SAA teve um prejuízo de US$ 23,7 milhões.

Um outro contrato, com a companhia aérea Flyfofa Airways, inclui um avião arrendado que ficou parado por oito meses sem uso, com um prejuízo total de US$ 19,9 milhões para a companhia aérea. Outro contrato com a mesma empresa aponta 5 aviões que foram alugados, mas nunca operaram voos comerciais pela SAA.

Funcionários da aérea chegaram a utilizar indevidamente a política de descontos nas viagens, causando um prejuízo de US$ 39,9 milhões em apenas um ano financeiro.

“Existem alegações de que membros da SAA estavam vendendo o benefício de viagem para obter ganhos financeiros”, disseram os investigadores.

Ainda há diversas irregularidades com favorecimento de empresas que deveriam colaborar com o processo de recuperação judicial, porém, estas tem ligações com funcionários da SAA que foram demitidos por má conduta.

 

Fonte: AeroTime