Lockheed F-35 Noruega
F-35A da Força Aérea Real Norueguesa. Foto: Lockheed.

A invasão da Ucrânia pela Rússia impulsionou o interesse de vários países em adquirir armas dissuasórias como caças stealth F-35 e mísseis Patriot, afirma a Lockheed Martin dos EUA.

Falando à analistas de defesa durante uma conferência, o presidente e CEO da Lockheed Jim Taiclet, afirmou: “O mundo claramente mudou com a invasão da Ucrânia pela Rússia”. 

A chamada do executivo ocorreu pouco depois da gigante norte-americana do setor de defesa apresentar os resultados do 1º trimestre de 2022, onde registrou uma receita de US$ 14,96 bilhões, impulsionada pela venda de aviões e helicópteros. 

Stanytsia Luganska, cidade no leste da Ucrânia que está na linha da frente da guerra com a Rússia. Foto via Postal do Algarve.

“Uma grande potência global cruzou uma fronteira internacional reconhecida para tomar território à força”, disse Taiclet. “E como resultado, o valor de fortes ativos de dissuasão à guerra como instrumento da estratégia geopolítica de [uma] nação não tem sido tão grande desde meados do século 20.”

A companhia destacou a escolha do F-35 pelo Canadá, que deve adquirir 88 caças, e os planos da Alemanha para comprar o jato furtivo. Taiclet mencionou que o interesse no caça F-16 estava aumentando, enquanto o helicóptero pesado CH-53K King Stallion também tem o interesse da Alemanha.  

As vendas de aeronaves, de longe o maior segmento dos negócios da Lockheed, tiveram um quadro misto no primeiro trimestre de 2022, como observa o portal Flighglobal. As vendas do F-35 Lightning II ficaram abaixo das expectativas, o que foi compensado ​​por vendas acima do esperado do F-16. 

Taiclet disse que além dos caças, também existe interesse nos sistemas de mísseis antibalísticos THAAD e PAC-3 Patriot (MIM-104F).
 

“Temos sinais de demanda para o THAAD e PAC-3 de todo o mundo porque, novamente, países estão reconhecendo que, especialmente quando você vê mísseis atingindo hospitais… e estações de trem na Ucrânia, vale a pena ter uma capacidade de defesa antimísseis efetiva em seu país”, disse ele.  

A Lockheed Martin, portanto, está se posicionando agressivamente como uma empresa de “dissuasão”, disse o CEO da companhia. “O ambiente é mais desafiador do ponto de vista de segurança – segurança nacional e segurança global do que era antes”, aponta Taiclet. 

Patriot PAC-3 da Alemanha.

“Isso sugere que a dissuasão é um produto mais valioso do que nunca, pelo menos nos últimos 80 a 100 anos, e que sentimos que estamos realmente bem posicionados com nossa estratégia para atender a essa necessidade de segurança nacional e global.” Ele acrescentou que ainda não é possível dizer como a mudança do cenário afetaria suas metas de receita.