Boeing 707 American Airlines
Foto: American Airlines Acervo

A American Airlines comemorou ontem (26) os 62 anos do primeiro voo com o Boeing 707 recém chegado a companhia.

Este Boeing 707 chegava com uma belíssima pintura da empresa polida com linhas vermelhas. O icônico jato iniciou seus voos ainda em 1959, no dia 25 de janeiro, quando decolou para assumir um voo entre Nova York e a Califórnia, ligando a costa leste a oeste dos EUA.

Este não foi o primeiro voo com um avião a jato, nem um voo transcontinental sem escalas, muito menos um voo transatlântico com o 707, que a Pan Am realizou um ano antes. No entanto, foi o início de uma transformação na American Airlines, para uma companhia que passou a pensar em ser a maior dos EUA.

O Boeing 707 foi um pioneiro em grandes viagens e se tornou o jato mais popular da época. Todas ou quase todas as companhias operavam o 707, o design que vive até hoje nos Boeings 737 MAX chegou primeiro na década de 50 para 60. A Pan Am iniciou a trajetória grandiosa do modelo, fazendo sua estreia em 1958.

O Boeing 707 começava também a fazer história com a American Airlines em 1959, que usava pela primeira vez aviões a jato. Além do Boeing, a companhia americana encomendou também aeronaves Comet da britânica Havilland.

A época o 707 foi operado pela American principalmente pelo 707-120, com capacidade para levar até 189 passageiros. O avião era utilizado em voos longos internacionais e entre continentes.

Hoje essa capacidade é praticamente a mesma do Boeing 737-800NG, com motores de menor potência, e tamanho reduzido em comparação com o Boeing 707.


Boeing 707 da American Airlines
Interior do Boeing 707 da American Airlines.

Ao todo a American operou também a versão -320, que era um pouco maior que a -120. A companhia americana operou 47 aeronaves do tipo, operou também 8 aeronaves da versão -320C.

Ao todo foram mais de 100 aviões Boeing 707 na frota ao longo dos anos, mas para que a empresa conseguisse operar o avião teve de fazer uma grande mudança. 

Apesar de ter sido um sucesso estrondoso, o Boeing 707 não foi o primeiro avião a jato a operar por companhias aéreas. Antes dele outros dois modelos já haviam feito história na aviação, e um entrava mercado no mesmo período que o norte americano, o francês Caravelle, e o primeiro de todos que foi o Comet.

 

Boeing 707 cooperou para mudança no sistema de vendas

Para entendermos porque o Boeing 707 cooperou para a American e a aviação em geral mudasse tanto voltamos antes mesmo da chegada do avião. A aviação em um cenário de crescimento e demanda, precisava ser atualizado para dar conta de tantos voos e tantos passageiros.

A American necessitava com urgência de um sistema que pudesse ter condições de processar tantas viagens ao mesmo tempo. E para isso todas as cidades que a empresa operava teriam de esse sistema integrado, para detalhar nome dos passageiros, voos, destinos e sistema de vendas.

Através de um encontro em voo com o representante de vendas sênior da IBM com o presidente da American Airlines, iniciava-se uma parceria que iria inovar todo o sistema de gerenciamento de voos e passagens das empresas aéreas.

R. Blair Smit foi um dos grandes responsáveis pela IBM produzir um computador capaz de realizar todas as necessidades que a American precisava. Em 1946 a American lançava lançou oficialmente o projeto Reservisor. Um sistema quase semi-automatizado que seria capaz de informar por placas e luzes quando a lotação do voo ultrapassasse 75%, e assim conseguiu reduzir drasticamente o número de telefonemas entre a central e os stands de vendas.

Em 1952 a American conseguiu resolver mais uma parte de seu problema adotando um sistema de memória baseado na tecnologia Drum memory, sendo a segunda geração do Reservisor, essa tecnologia é um dos primeiros métodos de gravação de dados em massa da computação e também um pouco similar aos HDs, que usamos nos dias atuais.

Ao usar essa nova tecnologia a American Airlines conseguiu reduzir o tempo de pesquisa de cada voo para 1 segundo. O primeiro sistema era capaz de armazenar 1000 voos para os próximos 10 dias, e foi instalado no Aeroporto de La Guardia, em Nova York.

Um segundo sistema foi implementado em 1956 com capacidade para armazenar 2000 voos para os próximos 31 dias, sendo possível assim informar a ocupação para um mês todo. Agora seria possível vender passagens aéreas com uma antecedência razoável.

O volume de voos aumentou tanto, principalmente depois da introdução do Boeing 707, que a American acelerou a introdução de um novo sistema apresentado pela IBM, chamado “Sabre”.

O sistema da American Airlines fez tanto sucesso que outras companhias como a United Airlines, Braniff Internacional e National Airlines encomendaram um sistema semelhante.

Agora a American estava preparada para o grande aumento de voos causado pelo Boeing 707. Pois com motores a jato, ele encurtou o tempo dos voos em especial os internacionais. Com isso os aviões poderiam realizar mais voos do que os antigos aviões em operação. 

Com diversas aeronaves em operação, a busca por voos cresceu além do esperado. Juntamente com o crescimento da demanda, o número de voos duplicou em relação a antes das operações do Boeing 707