No dia 24 de setembro, o F-39 Gripen FAB 4100 voava pela primeira vez em território brasileiro. No voo, o jato foi escoltado por caças F-5EM/FM do Esquadrão Pampa. Foto: Sargento Johnson Barros/FAB.

O dia 24 de setembro de 2020 entrou para a história da aviação militar brasileira: pela primeira vez o Saab F-39E Gripen decolava no Brasil. O caça de matrícula FAB 4100 decolou de Navegantes (SC), onde chegou quatro dias antes de navio, com destino às instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP). 

A jornada do 4100 ao Brasil começou no dia 29 de agosto, quando o navio cargueiro Elke saiu da Suécia transportando o novo caça da Força Aérea Brasileira. A embarcação chegou ao Porto de Navegantes em 20 de setembro, com o jato supersônico sendo descarregado no mesmo dia. À noite, a aeronave então foi rebocada pelas ruas da cidade catarinense até o Aeroporto Internacional de Navegantes – Ministro Victor Konder, sob uma forte escolta de militares da Infantaria da Aeronáutica, bem como a imprensa e curiosos. 

Militares da FAB e funcionários da Saab, junto agência locais, levaram o F-39E do porto ao aeroporto de Navegantes. Foto: Sgt. Bianca Viol/FAB.

Em 23 de setembro, o motor General Electric F414-GE-39E, capaz de gerar um empuxo de 22 mil libras em pós-combustão, foi acionado em solo brasileiro pela primeira vez, quando a aeronave realizou testes de táxi e parâmetros às vésperas do grande dia. 

Chega então a quinta-feira, 24 de setembro. Um dia de sol e céu azul brindava os militares, funcionários da Saab, a imprensa, mídia especializada e spotters que foram até o aeroporto de Navegantes para presenciar o momento histórico.

Enquanto isso, em Florianópolis, caças F-5EM e F-5FM Tiger II do Esquadrão Pampa (1º/14º GAv) decolavam para interceptar e escoltar o novo membro da Aviação de Caça brasileira. Não por acaso, os dois pilotos mais tarde foram transferidos para o 1º GDA, o Esquadrão Jaguar, a primeira unidade da FAB que irá receber o F-39. 

Exatamente às 14h04 local, Marcus Wandt, piloto de testes chefe da Saab,, empurrou a manete e, segundos depois, puxou o manche do avião. Os inputs foram recebidos com sucesso pelo computador de voo, que acionou as superfícies de comando do caça. Fly-by-wire. Pela primeira vez, o Gripen decolava e voava em espaço aéreo brasileiro. Pela primeira vez, cidadãos brasileiros puderam sentir a potência do motor turbofan levar aos céus o avião que foi anunciado como vencedor do Projeto FX-2 no final de 2013. 

Durante o voo, os caças do Esquadrão Pampa se reunirão com o novo vetor. Na nacele traseira do F-5FM estava o então Sargento Johnson Barros, fotógrafo do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), que registrou imagens do F-5EM e do F-39 em formação nos céus brasileiros. A decolagem de Navegantes foi registrada pela Sargento Bianca Viol, enquanto a chegada do avião na Embraer foi coberta pelo Soldado Wilhan Campos. 

Em regime de pós-combustão, o GE F414 leva o Gripen aos céus brasileiros pela primeira vez. Foto: Sgt. Bianca Viol/FAB.
Foto: Sargento Johnson Barros/FAB.
Foto: Sargento Johnson Barros/FAB.

Às 15h07, o F-39E Gripen FAB 4100 tocou a pista da planta da Embraer em Gavião Peixoto, e lá está até os dias de hoje. O 4100 é uma aeronave de pré-produção e desde então vem sendo empregada pelo Centro de Ensaios em Voo do Gripen (GFTC) na campanha de certificação do modelo, onde a aeronave é usada em vários testes. Mais Gripens também estão sendo usados na Suécia para esses trabalhos. 

Airbakes abertos e canards defletidos. O Gripen desacelera após pousar na Embraer. Foto: Sd. Wilhan Campos/FAB.

Agora, os próximos Gripens já estão cada vez mais perto de chegarem ao Brasil. No dia 16 de setembro, Mikael Franzén, Vice-Presidente de marketing e vendas da área de negócios aeronáuticos da Saab, revelou que os dois primeiros caças de produção da FAB já estão prontos na sede da Saab em Linköping. Eles serão enviados ao Brasil no final de novembro, novamente por via marítima, devendo chegar aqui no mês seguinte. Após, voarão para Gavião Peixoto, onde passarão por certificações finais e repassados ao 1º GDA. Outras duas aeronaves estão em fase final de produção. 

O Gripen 4101, o primeiro F-39 de produção para a FAB, saindo da linha de montagem da fabricante. Foto: Saab.

Por trás de tudo isso ainda há os trabalhos de transferência de tecnologia, onde técnicos e engenheiros brasileiros de diversas empresas trabalham junto com a Saab no desenvolvimento de uma série de componentes do caça. Por enquanto foram adquiridas 36 aeronaves: 28 do modelo F-39E de apenas um assento e oito F-39F de dois assentos, sendo que a versão F é exclusiva da FAB. Todavia, o Comandante da Aeronáutica confirmou que existe o desejo de ter pelo menos 70 aeronaves.

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