Caças F-16A MLU Fighting Falcon da Força Aérea Real da Holanda (RNAF). Foto: Ministério da Defesa da Holanda.

O Ministério da Defesa da Holanda anunciou hoje (29) a venda de 12 caças F-16 Fighting Falcon e materiais associados para a empresa americana Draken International, prestadora de serviços de treinamento de combate aéreo (aggressor/adversary). Outros 28 caças também estão como opção de compra pela Draken. 

Em comunicado, o Governo Holandês não revelou valores do negócio com a companhia dos EUA, prometendo “informações financeiras” em outro comunicado. A venda faz parte do processo de aposentadoria do F-16 na Força Aérea Real Holandesa (Koninklijke Luchtmacht – KLu), que opera cerca de 57 unidades do jato de origem norte-americana, que estão sendo substituídos pelo furtivo Lockheed Martin F-35A Lightning II. De acordo com o site F-16.net, os holandeses adquiriram um total de 213 F-16A/B, cuja primeira unidade foi entregue em junho de 1979. 

Um F-16A holandês é visto de um KC-135 Stratotanker da USAF sobrevoando o Afeganistão em maio de 2008. O está armado com mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder, uma bomba GBU-38 JDAM e duas bombas GBU-12 Paveway II. Foto: Master Sgt. Andy Dunaway/USAF.

O contrato deve ser assinado ainda em 2021 e a transferência dos caças deve ocorrer em 2022, mesmo ano em que os jatos dariam baixa da frota da KLu. Já as 28 aeronaves opcionais serão aposentadas em lotes até o final de 2024, destacou o governo.

“O plano de retirada gradual do F-16 está levando à transferência de todas as aeronaves, mesmo que o plano de retirada gradual seja adiado e a data de término do F-16 seja adiada.”

Caças F-35A e F-16A da Força Aérea Real Holandesa (RNLAF – KLu). Foto: Ministério da Defesa da Holanda.

A Draken International é uma das principais atuantes do mercado de “Red Air”, onde empresas privadas operam aeronaves desmilitarizadas atuando como inimigos em treinamentos de combate aéreo para instituições de governo, como a Força Aérea (USAF) e a Marinha (USN) dos Estados Unidos. 

Tanto a USAF quanto a USN e o Corpo de Fuzileiros dos EUA tem seus próprios esquadrões e aeronaves aggressor (chamados de adversary no braço naval), mas vem aposentando tais unidades para aplicar os recursos em aeronaves operacionais. Para não perder as vantagens do Treinamento Combate Aéreo Dissimilar (DACT), empresas como a Draken, TacAir e Top Aces são contratadas para realizar esse tipo de serviço. Os pilotos e mecânicos normalmente são ex-militares ou reservistas. 

A Draken possui aeronaves Mirage F1M – um dos quais foi perdido em um acidente fatal no mês passado em Las Vegas -, A-4 Skyhawk, L-159 e outros. A TacAir opera com caças F-5T Tiger II atualizados com display touchscreen e capacete com display integrado, enquanto a Top Aces tornou-se a primeira empresa privada a ter F-16s operacionais. As aeronaves foram adquiridas da Força Aérea Israelense. Outro concorrente forte é a AirUSA, que adquiriu 46 caças F/A-18 Hornet da Força Aérea Real Australiana em 2020. 

O F-16A ‘Netz’ ex-Força Aérea de Israel em seu primeiro voo como um jato civil. Foto: Thomas Backus via Scramble Magazine.

A venda dos F-16 da KLu para a Draken foi aprovada pelo Comitê Interdepartamental de Vendas de Materiais de Defesa, composto de representantes dos ministérios da Defesa, Finanças e Relações Exteriores da Holanda. Antes de serem repassados aos novos donos, os caças passarão pelo processo de desmilitarização, onde múltiplos itens serão retirados das aeronaves. 

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