Foto - Infraero

Atualmente o Aeroporto de Congonhas é o 2º mais movimentado do Brasil, algo incrível, para um terminal que vive de sua limitação de espaço e restrições relacionadas à tipo de aeronaves que operam por lá e a não realização de voos internacionais.

E Congonhas pode ganhar um incremento ainda maior de movimentação por hora, atualmente o terminal opera com até 34 slots, ou seja, pousos e decolagens por hora, mas a Secretaria de Aviação Civil, do Ministério dos Transportes, disse que há um planejamento para aumentar esse número para 39 slots.

De acordo com a Secretaria de Aviação Civil, esse aumento seria para expandir a presença da Azul e da Avianca no terminal, empresas que hoje têm participação de 5% e 7%, respectivamente, no movimento de passageiros do aeroporto. Enquanto isso a GOL e a LATAM lideram, com 44% de participação na movimentação cada uma, isso é um resultado do espólio de mercado pela falência da Vasp, Varig e TransBrasil que essas empresas herdaram entre 2000 e 2009.

De acordo com Dario Rais Lopes, secretário nacional de Aviação Civil, a Azul quer incrementar suas operações em Congonhas já em 2019, a companhia disse que “acompanha de perto as negociações sobre o aumento no número de voos em Congonhas”.

O crescimento da Azul em Congonhas é válido, atualmente a companhia tem uma participação ínfima de voos no aeroporto central da capital paulista, enquanto mostrou um crescimento de dois dígitos ao se expandir solidamente durante a crise econômica, através de um incremento de voos em outros aeroportos. A Azul foi a única companhia aérea que cresceu desta forma entre 2015 e 2018, enquanto companhias como a GOL e Latam registraram uma forte queda na demanda, que só foi aliviada em meados de 2018, com a recuperação econômica do Brasil.

Aeronaves da Azul em Viracopos (Campinas).

Atualmente a Azul é a companhia que mais atende destinos no Brasil, com cerca de 100 aeroportos que recebem os seus voos regularmente.

A companhia deixou claro que a intenção é também colocar alguns trechos de ponte aérea (Congonhas-Santos Dumont) entre a sua malha de voos.

O presidente da Latam questionou a expansão das operação sem uma reforma da estrutura do terminal atual, que está sobrecarregado e prejudicando os passageiros em termos de conforto.

“Segunda-feira de manhã tem fila no raio-x e não tem muita solução para onde expandir porque tem comércio à direita e à esquerda. E, por motivos óbvios, a Infraero não quer remover. Tem necessidade de infraestrutura que não é slot”, disse Jerome Cadier em entrevista para a Folha de São Paulo.

“Cá entre nós, eu acho um despropósito a gente falar de aumento de capacidade sem falar da infraestrutura”, afirma Cadier. “Naquela sala de embarque remoto que fica embaixo, os passageiros se estapeiam porque não tem lugar. Além disso, há o fato de a gente embarcar no remoto com chuva, molhando os nossos passageiros”.

Foto – Infraero

Enquanto “sobra pista” para as operações de Congonhas, visto que o local já operou com 48 slots antes do acidente com uma aeronave da TAM (hoje LATAM) em grande parte por falha da aeronave, falta um projeto firme da Infraero para expandir o terminal no aeroporto mais lucrativo que hoje está no catálogo da empresa, existe até um planejamento de expandir o terminal rumo ao espaço dos hangares.

Cadier também aproveitou para reclamar que a Infraero aumentou em 80% o custo por metro quadrado usado pela companhia, e 30% de aumento nas taxas de sobrevoo, em contrapartida a empresa não ganhou nada em termos de infraestrutura.