AMX biocombustível Itália
Aeronave TA-11B Ghibli (como o AMX é designado na Itália) fez voos com combustível fóssil misturado ao biocombustível vegetal. Foto: Força Aérea Italiana.

O caça-bombardeiro ítalo-brasileiro AMX serviu como plataforma de testes para o uso de biocombustível na Itália. Estes foram os primeiros voos de testes de uma aeronave militar italiana usando este tipo de combustível. 

Segundo a Aeronautica Militare (AMI), os voos foram realizados nos dias 28 e 29 de junho em um caça TA-11B Ghibli (como o AMX biposto é chamado na Itália) junto à Divisão de Experimentação Aeronáutica e Espacial, da base aérea de Pratica di Mare, com a ENEA (Agência Nacional de Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável)

Foto: Força Aérea Italiana.

A aeronave de ataque ao solo, desenvolvida em conjunto com a Embraer na década de 1980, fez testes de motor e voos de avaliação usando combustível fóssil com misturas de 20% a 25% de biocombustível derivado de vegetais. 

A AMI diz que os testes ainda permitiram comparar os níveis e tipos de emissões das diversas misturas com os dos combustíveis fósseis tradicionais. Também foi possível realizar inúmeros testes de compatibilidade do biocombustível puro, em diferentes concentrações, com os materiais metálicos e elastoméricos das aeronaves, para excluir quaisquer problemas com o motor ou peças de plástico. 

Foto: Força Aérea Italiana.
Para a realização dos voos do AMX com biocombustível, a equipe de química do Departamento de Tecnologias de Materiais Aeronáuticos e Espaciais (RTMAS) realizou uma série de análises preliminares de qualificação e certificação físico-química, tanto do combustível de origem biogênica, adquirido no âmbito do Acordo de Cooperação, quanto do combustível fóssil especificamente selecionado para mistura. 
 
Por fim, com a contribuição do Departamento de Suporte Técnico Operacional da DASAS, foi criado um microlote de mistura de biocombustível utilizado para reabastecer a aeronave AMX durante os testes.
 
Foto: Força Aérea Italiana.
Os dois voos realizados – o primeiro com 20% de mistura e o segundo com 25% – foram planejados e conduzidos pelo Departamento Experimental de Voo, que também coletou os dados de desempenho do motor. 
 
A ENEA realizou o estudo preliminar das matrizes vegetais que permitiu identificar a mais adequada para a produção de biocombustíveis de aviação. A agência também atuou na caracterização das emissões de aeronaves no ar ambiente, juntamente com a avaliação toxicológica para a estimativa da sustentabilidade econômica.
 
Foto: Força Aérea Italiana.
A AMI destaca que o projeto representa um marco no caminho para a transição ecológica no campo militar.