Nesta terça-feira a Defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atualmente preso em Curitiba, protocolou um recurso com finalidade de barrar a delação premiada de Antonio Palocci sobre a compra de caças, no programa FX-2 da Força Aérea Brasileira.

Na Operação Zelotes o ex-ministro do governo Lula e Dilma seria ouvido como testemunha, na compra dos caças Gripen, fornecidos pela Saab. A suspeita é que houve um pagamento de propina para Lula, através de um dos filhos dele, e que a escolha foi imparcial.

O pagamento aferido foi de R$ 2,5 milhões para o filho de Lula.

Na Operação Zelotes, a qual Palocci está fazendo a delação premiada, Lula é réu por lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de influência.

A justiça aponta que Antonio Palocci tem conhecimento do caso, pela sua atuação direta na escolha das aeronaves do programa FX-2, o próprio ex-ministro assumiu que tinha conhecimento das negociações e, portanto, foi convidado pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira a depor.

Caso o recurso seja rejeitado, Palocci deverá ser ouvido como testemunha no dia 20 de novembro, assim como Nelson Jobim em outro dia.

Em sua delação premiada, que já está acontecendo, Palocci disse que o programa FX-2 teve uma negociação entre Lula, Nelson Jobim (até então Ministro da Defesa) e Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França e hoje caçado por corrupção em seu governo. A finalidade era favorecer os caças Rafale na concorrência FX-2.

Além disso Palocci já revelou que Lula atuou “diretamente” no esquema de propina, durante a escolha do Gripen NG, fabricado pela Saab, apesar que os seus “mandos” foram realizados através de terceiros.

Vale ressaltar que o Rafale era a opção mais cara, em valor de aquisição, e também no valor de manutenção dos jatos. 

A defesa do ex-presidente Lula, e hoje carcerário, diz que a citação de Palocci não tem provas concretas, e “confunde alhos com bugalhos ao falar sobre Suécia e França”. A defesa também caracterizou Palocci como um “delator desesperado”.

 

Histórico

Essa ação é parte das investigações abertas em dezembro de 2016, quando o MPF (Ministério Público Federal) abriu uma denúncia sobre a interferência na licitação do processo FX-2, onde Lula atuou para escolher o tipo de caça e a empresa.

Na época o ex-presidente fez uma movimentação para conceder incentivos fiscais para diversas empresas, incluindo a Saab. Todas tinham relações com o escritório Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia Ltda, uma empresa especializada em Lobby.