NAe São Paulo A12 marinha do Brasil porta-aviões
O NAe São Paulo navegou por apenas 206 dias, passando a maior parte de seus quase 20 anos de serviço militar parado no AMRJ. Foto: Marinha do Brasil.

O antigo porta-aviões NAe (Navio Aeródromo) São Paulo da Marinha do Brasil deixou o cais do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) na última quinta-feira (04). A embarcação iniciou sua última viagem, puxado pelo rebocador Alp Centre, com destino à Turquia onde será sucateado. 

O navio, originalmente construído na França como um porta-aviões da Classe Clemenceau, esteve em serviço no Brasil entre 2000 e 2014, quando foi ancorado no AMRJ. Lá, passou a maior parte de sua vida na Marinha até ser descomissionado em 2020 e leiloado no ano seguinte.

O casco do A-12 São Paulo foi arrematado por R$ 10,5 milhões (aproximadamente US$ 2 milhões) pelo estaleiro turco Sok Denizcilikve Tic, através de sua representante Comarck Marítima. No entanto, uma ação popular a Justiça do RJ tenta impedir o reboque do antigo São Paulo até a Turquia. 

NAe São Paulo navegando ao lado do porta-aviões nuclear norte-americano USS Ronald Reagan. Foto: Marinha dos EUA.

A ação judicial foi movida pelo Instituto São Paulo/Foch, que defende que o antigo porta-aviões não seja desmantelado, mas sim mantido no Brasil como um navio-museu. A Marinha, por outro lado, já disse que não possui recursos para manter a embarcação. 

A Justiça concedeu a liminar que impede que o casco seja levado à Turquia. No entanto, de acordo com O Globo, sites de monitoramento por GPS mostram que a determinação ainda não foi cumprida, e o porta-aviões está próximo à Região dos Lagos, perto de atravessar a fronteira brasileira, o que tornaria muito difícil a reversão do quadro.

Foto: Marinha do Brasil.

Inicialmente, o Instituto não conseguiu a liminar para anular o leilão, mas, com a notícia de que o porta-aviões começou a ser transportado na quinta, o juiz federal Wilney Magno de Azevedo deferiu a liminar para que o a embarcação “seja impedida de sair do local em que se encontra, até a manifestação do Ministério Público Federal no processo e até que haja autorização judicial em sentido contrário”.

Como a ordem não foi cumprida, na tarde de sexta foi expedido um mandado de segurança, com a mesma finalidade.

O São Paulo teve sua construção iniciada na França em 1957, sendo o segundo porta-aviões da Classe Clemenceau. Entre 1963 e 2000 ele foi o FS Foch da Marinha Francesa, até ser aposentado e logo em seguida adquirido pela Marinha do Brasil.

Caças F-14A Tomcat do esquadrão VF-14 Tophatters da Marinha dos EUA sobrevoam o então R99 Foch da Marinha Francesa durante um exercício conjunto em maio de 1990. Foto: John Leenhouts/US Navy.

Na época, a MB buscava substituir o A-11 Minas Gerais, enquanto finalmente recuperava sua capacidade de operar aeronaves de asa fixa com a compra dos jatos A-4KU Skyhawk, aqui chamados de AF-1. 

O Brasil pagou US$ 12 milhões pelo casco já bastante usado. O São Paulo passou apenas 206 dias no mar e lançou 566 aeronaves brasileiras, argentinas e uruguaias até ser finalmente parado no AMRJ em 2005. O motivo foi a explosão de uma caldeira de vapor durante um serviço de manutenção, matando três marinheiros. Antes disso o NAe São Paulo já apresentava diversos problemas. 

Aeronaves A-4 da MB e S-2T Tracker da Argentina no convés do NAe São Paulo durante um exercício em 2003. Foto: Marinha dos EUA.

A Marinha ainda planejava investir R$ 1 bilhão na modernização do São Paulo até que tivesse recursos para comprar um novo porta-aviões. A atualização e reforma do navio estava prevista para ocorrer entre 2015 e 2019 e deveria manter o NAe São Paulo em serviço até 2039.

A embarcação deveria receber novos sistemas de lançamento (catapulta) e recuperação (cabos) de aeronaves, melhorias nas acomodações, substituição completa do cabeamento, novos conjuntos de propulsão e energia elétrica e outros serviços, que jamais chegaram.

Dessa forma, o São Paulo passou a maior parte de sua trajetória na Marinha parado no AMRJ, onde serviu para diversas cerimônias. Seu tamanho também impressionava que o via mesmo de longe, ou quem sobrevoava o Rio de Janeiro durante os pousos no Aeroporto Santos Dumont. 

Agora, tudo indica que, mesmo com a ação judicial, o São Paulo deverá ter o mesmo destino que o seu predecessor, o NAeL Minas Gerais, e vários outros navios que chegam ao fim de sua vida: o desmantelamento.