O rover mais atual da NASA em Marte, o Curiosity, descobriu novas evidências em rochas de que o antigo planeta vermelho teve vida no passado. Bem… isso é uma possibilidade.

De acordo com a última divulgação realizada pela NASA nesta semana, o rover descobriu moléculas orgânicas em rochas sedimentares, que tem aproximadamente três bilhões de anos de existência.

Isso não é bem uma comprovação firme de existência de vida, visto que não há nenhum fóssil de animal ou algo do tipo, mas pode indicar que uma vida microscópica pode ter existido no planeta.

Vale lembrar que quando a NASA fala de matéria orgânica ela está se referindo à carbono, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio, quatro elementos básicos que possibilitam a vida no planeta Terra.

“Com essas novas descobertas, Marte está nos dizendo para manter o curso e continuar buscando evidências de vida”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missões Científicas na sede da NASA, em Washington.

Uma ligeira variação de metano na atmosfera de Marte também foi detectada pelo Curiosity, em Marte eles não acreditam que esse metano foi formado por processos biológicos, o que indicaria vida atual no planeta. A maior concentração está no hemisfério norte do planeta e sempre no verão, quando a temperatura é maior.

 

Passado

Os cientistas da NASA ainda acreditam que a superfície atual está inóspita, a combinação atmosférica e a falta de elementos químicos que permitem a vida se juntam à super-exposição à radiação espacial, devido à fina camada de atmosfera que o planeta tem, e o fraco campo magnético, esses dois itens ineficientes para manter níveis seguros de radiação para os humanos no planeta.

Apesar disso há uma crença geral que o planeta já teve melhores condições no passado, antes do fraco campo magnético permitir que os ventos solares varressem a atmosfera de Marte.

Há uma clara evidência que a Cratera da Gale continha todos os ingredientes necessários para a vida, incluindo água líquida. Mas isso a milhões de anos atrás, antes da existência de humanos no planeta Terra.

 

Afinal, como eles descobriram?

Para identificar material orgânico no solo marciano, o rover Curiosity perfurou em rochas sedimentares conhecidas como mudstone de quatro áreas da Gale Crater.

Buracos realizados pelo Curiosity para extrair as amostras.

Este local formou-se gradualmente há bilhões de anos a partir do lodo que se acumulou no fundo do antigo lago. As amostras de rochas foram analisadas pelo SAM, que usa um forno para aquecer as amostras (acima de 500 graus Fahrenheit, ou 500 graus Celsius) para liberar moléculas orgânicas da rocha em pó.

O SAM mediu pequenas moléculas orgânicas que saíram da amostra do terreno – fragmentos de moléculas orgânicas maiores que não vaporizam facilmente. Alguns desses fragmentos contêm enxofre, o que poderia ter ajudado a preservá-los da mesma forma que o enxofre é usado para tornar os pneus de automóveis mais duráveis, segundo a Eigenbrode.

Área do antigo lago na visão do rover Curiosity.

Os resultados também indicam concentrações de carbono na ordem de 10 partes por milhão ou mais. Isso está próximo da quantidade observada em meteoritos marcianos e cerca de 100 vezes maior que as detecções anteriores de carbono orgânico na superfície de Marte. Algumas das moléculas identificadas incluem tiofenos, benzeno, tolueno e pequenas cadeias de carbono, como propano ou buteno.

Em 2013, o SAM detectou algumas moléculas orgânicas contendo cloro nas rochas do ponto mais profundo da cratera. Esta nova descoberta se baseia no inventário de moléculas detectadas nos antigos sedimentos de lagos em Marte e ajuda a explicar por que elas foram preservadas.

Encontrar metano na atmosfera e carbono antigo preservado na superfície dá aos cientistas a confiança de que o rover Mars 2020, da NASA, e o ExoMars, da ESA (Agência Espacial Europeia), encontrarão ainda mais moléculas orgânicos, tanto na superfície quanto no subsolo superficial.