P-8 RAAF
P-8A Poseidon da RAAF. Foto: RAAF/Divulgação.

Um navio de guerra da Marinha do Exército Popular da China (PLAN) apontou um laser para um jato de patrulha P-8 Poseidon da Força Aérea Real Australiana (RAAF). O evento, ocorrido na última quinta-feira (17), foi visto como inseguro e não profissional pelo Governo da Austrália, enquanto a China nega que tenha disparado um laser contra o P-8 da RAAF. 

Segundo o Departamento de Defesa da Austrália, o P-8 detectou o feixe de laser enquanto acompanhava um destroyer de mísseis guiados da Classe Luyang. Esta e outra embarcação chinesa, um navio de desembarque anfíbio da Classe Yuzhao, navegavam pela Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Austrália, pelo Mar de Arafura, por volta de 00h35. 

O destroyer da Classe Luyang visto pelos sensores do P-8 australiano. Foto: Departamento de Defesa da Austrália.

Após a passagem pela região, os navios chineses transitaram pelo Estreito de Torres e adentraram o Mar de Coral. Embora o trânsito pela ZEE da Austrália não seja proibido, a iluminação de uma aeronave com lasers é extremamente perigosa e pode ter sérias consequências. 

Os relatórios sugerem que um telêmetro de laser foi usado para iluminar o avião da RAAF. Telêmetros são usados para medir a distância de um determinado alvo ou objeto. 

“Atos como esse têm o potencial de colocar vidas em risco. Condenamos veementemente a conduta militar não profissional e insegura. Tais ações não estão de acordo com os padrões que esperamos dos militares profissionais”, diz o Departamento de Defesa em nota. 

Navios Luyang e Yuzhao China Marinha
O destroyer da Classe Luyang e o navio de desembarque da Classe Yuzhao navegando juntos pelo Mar de Coral após o incidente com o jato P-8 da Austrália. Foto via South China Morning Post.

Por outro lado, a China nega que seus navios tenham iluminado o jato militar australiano. Wang Wenbin, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirma que as declarações da Austrália não são verdadeiras. 

“Pedimos ao lado australiano que respeite os direitos legítimos que os navios chineses desfrutam em águas relevantes de acordo com a lei internacional e pare de espalhar informações falsas maliciosamente sobre a China”, disse Wang.

P-8 Poseidon da RAAF armado com mísseis antinavio AGM-84 Harpoon. Foto: Boeing.

Além das respostas do Ministério de Relações Exteriores, o Coronel Tan Kefei, porta-voz do Ministério da Defesa chinês, disse que a declaração australiana é completamente inconsistente com os fatos.

Tan afirma que a aeronave de patrulha antissubmarino da RAAF chegou a ficar a 4 km de um dos navios chineses. O ministério também afirma  que a aeronave australiana estava muito próxima do navio de guerra chinês e lançou sonobóias ao redor dele.

“Essas ações maliciosas e provocativas podem facilmente levar a mal-entendidos e julgamentos errôneos, representando uma ameaça à segurança de navios, aeronaves e pessoal de ambos os lados”, acrescentou o Coronel. 

O uso do laser de nível militar contra uma aeronave militar australiana por uma embarcação da PLAN é sem precedentes, observa o portal The Aviationist. No entanto, militares chineses já apontaram lasers para atingir aeronaves militares estrangeiras antes.

Em 2018, aeronaves dos EUA operando a partir de Djibuti foram alvo de lasers várias vezes; em um desses episódios, dois pilotos americanos voando em um C-130 foram levemente feridos por lasers chineses. No mês passado, um homem foi preso na França após apontar um laser para um avião de patrulha marítima da Marinha Francesa.