Piloto Aviadora USAF A-10
A Capitão Taylor Bye, condecorada por pousar um A-10C sem canopy e com pane nos trens de pouso. Foto: Airman 1st Class Briana Beavers/USAF.

A Capitão Taylor Bye, uma piloto de A-10 Thunderbolt II, se tornou a primeira mulher a receber o Troféu Kolligian, um prestigiado prêmio dado pela Força Aérea dos EUA (USAF). A aviadora recebeu o troféu das mãos do comandante da USAF, General CQ Brown, Jr., na última quarta-feira (11) em uma cerimônia no Pentágono.

O prêmio existe desde 1957 e segundo USAF, “reconhece proezas notáveis ​​de aeronáutica por tripulantes que, por habilidade extraordinária, estado de alerta excepcional, engenhosidade ou proficiência, evitaram acidentes ou minimizaram a gravidade dos acidentes em termos de ferimentos, perda de vidas, danos à aeronave ou propriedade.”

O troféu também homenageia o 1º Tenente Koren Kolligian Jr., um piloto da Força Aérea declarado desaparecido no cumprimento do dever, quando sua aeronave T-33 desapareceu na costa da Califórnia em 1955.

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A Capitão recebeu o Troféu Kolligian ao lado da Major-General Jeannie Leavitt, chefe de segurança da Força Aérea e a primeira piloto de caça da USAF a voar missões de combate, pilotando um F-15E Strike Eagle. 

Foto: Eric Dietrich/USAF

No dia 07 de abril de 2020, a Capitão Bye do 75º Esquadrão de Caça da Base Aérea de Moody (estado americano da Geórgia), ao tentar disparar o canhão rotativo GAU-8/A Avenger em um treinamento no campo de tiro de Grand Bay, enfrentou uma falha que resultou no desprendimento da capota e diversos painéis da fuselagem do avião.

Mesmo com vários problemas, a piloto foi capaz de realizar um pouso de barriga, com danos mínimos à pista e à própria aeronave. Por suas ações bem-sucedidas, ela foi condecorada com o prêmio Air Combat Command Airmanship em 2021, e agora recebe o Troféu Kolligian.

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“Sou grato todos os dias pelo profissionalismo, capacidade e competência de aviadores como a Capitão Taylor Bye”, disse Brown durante a apresentação. “O dia em que ela pousou com 66% do trem de pouso e vento no cabelo é algo que ela nunca esquecerá. Hoje, tive a honra de reconhecer seu desempenho exemplar.”

O A-10C da Cap. Bye na pista da Base Aérea de Moody, em 07 de abril de 2020. Foto: Andrea Jenkins/USAF.

Segundo Businnes Insider, um incidente muito semelhante ocorreu em 2017. Quando o Major Brett DeVries, piloto do 107º Esquadrão de Caça, tentou disparar o canhão gatling do jato, uma explosão arrancou o canopy, painéis e danificou o trem de pouso do avião de ataque.

Ele conseguiu pousar o A-10 de barriga com danos mínimos à infraestrutura da base ao jato, recebendo a Distinguished Flying Cross em 06 novembro de 2020, meses depois do incidente com a Capitão Bye. 

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“Olhando para trás, às vezes tenho que me lembrar do que aconteceu”, disse Bye. “Tudo aconteceu rapidamente, mas lentamente ao mesmo tempo. Sou grata por não ter ficado nervosa ou sobrecarregada, fui capaz de manter a cabeça no lugar e cuidar de cada problema à medida que surgia.”
 
Ela continuou explicando como ela não via cada problema como intransponível. Era uma tarefa a ser resolvida. “Eu não tinha motivos para me sentir apressada ou ‘cair do céu’”, continuou Bye. “Eu sabia que tinha tempo para analisar o que estava acontecendo e tomar a decisão apropriada. A tranquilidade de saber que eu tinha tempo fez uma enorme diferença.”


A-10 piloto troféu
A capitã Taylor Bye e Kory Kolligian II posam com o Troféu Koren Kolligian Jr. Foto: Eric Dietrich/USAF.
A piloto enfatizou a importância de sua equipe tanto no solo quanto em voo, citando a assistência de seu ala, o Major Jack Ingber, outro piloto de A-10 na Base Aérea de Moody.

“Meu ala era minha fonte de normalidade”, descreveu Bye. “Nós treinamos para observar o jato de outra pessoa desde os primeiros estágios do voo de formação, então eu sabia que estava em boas mãos quando ele verificou as partes do meu jato que eu não conseguia ver do meu cockpit.”

“A certa altura, depois de um tempo na emergência, ele disse pelo rádio ‘você está fazendo um bom trabalho.’ Essa pequena declaração fez toda a diferença porque me lembrou que eu tinha uma equipe me ajudando.”

 
Existem processos em vigor para lidar com algumas emergências, mas as ações e competência da Capitão Bye demonstraram sua compreensão da aeronave, da capacidade de pilotagem e da tomada de decisões em frações de segundo
 
Foto: USAF.

“Naquele momento, eu era apenas uma profissional treinada fazendo meu trabalho”, disse Bye. “Houve momentos em que tive tempo de ler a checklist e pensar logicamente no próximo passo.”
 
Ela acrescentou que quando seu canopy se desprendeu da aeronave, seu instinto disse ‘sobreviver’. Sem pensar, acelerou o avião ao máximo, levantou o nariz da aeronave e abaixou o assento para reduzir a rajada de vento. “Nós não treinamos necessariamente para isso, mas a decisão em frações de segundo que tomei foi a resposta natural do meu corpo”, explicou Bye.
 
Além de ser a primeira mulher a receber o troféu, também é a segunda piloto de A-10 a receber o Kolligian. O primeiro foi o Capitão Ripley E. Woodard, III, piloto de A-10A pela Força Aérea dos EUA na Europa (USAFE), condecorado com 1999. 

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