Foto - Paul Gordon/Boeing

Os pilotos norte-americanos da American Airlines e Southwest, operadoras do Boeing 737 MAX 8, estão reclamando que os procedimentos recentes, anunciados pela Boeing em conjunto com a FAA para reagir a erros nos instrumentos, não foram treinados em simulador.

De acordo com os pilotos, os procedimentos que evitam uma reação indesejada do avião, a partir de investigações preliminares do acidente da Lion Air, foram apenas repassados através de um documento da Boeing, em uma espécie de treinamento teórico, mas nenhuma medida prática ou de prova foi realizada para certificar que qualquer piloto seria capaz de pousar um avião nas mesmas condições.

Entre essas medidas, está incluído um aviso aos pilotos de desacoplar o atuador elétrico do trim assim que perceber diferenças entre os instrumentos do comandante e do co-piloto. Isso impossibilita uma atuação do autocompensador, tentando responder aos dados de um sensor avariado.

A função desse sistema automático é evitar que a aeronave entre em uma situação de estol por ângulo de ataque, comandando o nariz da aeronave para baixo como forma de ganhar velocidade rapidamente, o mesmo procedimento que um piloto deveria executar neste tipo de situação.

Além disso a Boeing fez uma alteração geral em todos os aviões 737 MAX relacionada ao sistema de controle de voo, onde o sistema do avião automaticamente nivela o mesmo quando um sensor aponta que o nariz está excessivamente levantado, assim como um outro comando que protege o avião de um estol por ângulo de ataque, ao não deixar que o avião incline demais o seu nariz. Isso anteriormente não existia no 737 NG, a geração anterior, mas é algo muito comum no Airbus A320 desde a sua concepção.

Jon Weaks, presidente da Southwest Airlines Pilots Association, disse que os pilotos da companhia não foram treinados para as novas modificações implementadas no sistema do avião, e que gera reações diferentes da aeronave em comparação com o treinamento padrão.

 

Via – Seattle Times