Foto - Cristian Marchi @brasiliaspotter / Aeroflap

Em uma entrevista para a GloboNews, nesta última quinta-feira (04/04), o presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, criticou duramente o novo plano de recuperação judicial da Avianca Brasil, que divide a empresa em 7 UPIs.

A Azul Linhas Aéreas fez um acordo com a Avianca Brasil no início de março, onde participaria do leilão da UPI, que até então foi composta de acordo com o interesse da companhia, envolvendo 70 slots e quase 30 aeronaves, além do certificado de aeronavegabilidade da Avianca Brasil.

Mas em um acordo assinado na última terça-feira pela Elliott Management, principal credora da Avianca, com a GOL e a LATAM, impôs um novo modelo onde serão constituídas sete UPIs (Unidades Produtivas Isoladas), que irão a leilão no processo de recuperação judicial da Avianca Brasil. Seis delas terão os direitos de uso dos horários de pouso e decolagem de voos nos aeroportos de Congonhas, Santos Dumont e Guarulhos, bem como os certificados de operador aéreo.

A discussão sobre o leilão das 7 UPIs acontecerá na tarde desta sexta-feira (05/04), com participação das três companhias, mais a Avianca Brasil, além dos mais de 100 credores da empresa que está em RJ.

John Rodgerson no aniversário de 10 anos da Azul.

“Eu não sei como você pode ter sete divisões com aeronaves, pessoal. Isso é um plano para fechar a empresa em vez de resgatar uma empresa. É um fundo que está com essa ideia para tentar achar mais dinheiro, mas não vai dar certo na minha opinião”, disse John Rodgerson. Para ele “A marca Azul dá medo”.

“O que eu diria é o seguinte: nós estamos tentando entrar em Congonhas (na operação da ponte área) há muitos anos. O que eu diria é que (essa oferta) é o que eles fazem para tentar evitar a Azul entrar em Congonhas. Não sei do que eles têm medo, se é do nosso produto, do nosso pessoal, da nossa pontualidade, mas é parte do jogo. A gente queria ter essa força, mas a gente tem agora que parar e olhar. Eu acho que a Anac tem sido bem clara que não pode vender os slots, a gente está com um pé atrás agora”, disse Rodgerson.

John reafirmou que se o leilão fosse realizado como no acordo de março, a Azul saltaria de 13 slots em Congonhas para 34 slots, enquanto a LATAM e a GOL operam com 130 slots (cada), e ressaltou que isso poderia diminuir a concorrência em certos aeroportos.

De acordo com uma postagem do Portal Aeroflap, em março, a Azul também ganharia uma posição de destaque no Aeroporto de Guarulhos, com os slots derivados da Avianca Brasil.