Boeing 787 LATAM
Foto: Pedro Viana/Aeroflap

Começou no início deste mês, no dia 1º de Janeiro, a distribuição de um novo tipo de Querosene de Aviação nas distribuidoras brasileiras. O tão utilizado JET-A, fora do Brasil, agora também está disponível para uso nos voos domésticos, substituindo o Jet-A1 que até então era o único tipo de Querosene de Aviação certificado para uso em voos nacionais.

Um pouco mais simples, o JET-A é compatível com qualquer aeronave em atividade no Brasil, e que utilize querosene como combustível. Praticamente não há diferenças operacionais entre o JET-A e o JET-A1 utilizado anteriormente, exceto pelo ponto de congelamento, de -40º C e -47ºC, respectivamente.

Devido a maior oferta no mercado internacional, onde o uso do JET-A é autorizado há muitos anos, o combustível também promete diminuir levemente o custo das companhias aéreas e operadores de aeronaves com o insumo.

As especificações propostas permitem ainda a manutenção do querosene JET-A1, utilizado hoje no país. O objetivo é aumentar a oferta de querosenes, gerando potencial de redução de custos para companhias de aviação e, por extensão, de preços de passagens aéreas.

Entramos em contato com a Vibra Energia, a maior distribuidora de combustível de aviação no Brasil atualmente através da BR Aviation, atuando em mais de 90 aeroportos. A empresa disse que já está disponibilizando o Jet-A em todos os aeroportos em que atua, e repassando a redução de preço para os clientes.

“A Vibra repassou integralmente a redução para todos os seus clientes e revendedores, de cerca de 0,2% no preço de aquisição da fornecedora, Petrobras”, disse a empresa em nota oficial ao Portal AEROFLAP.

O mercado espera uma redução total de 30 a 60 centavos de dólar por cada galão de JET-A comercializado no país, na comparação com o JET-A1. A pesquisa foi conduzida pela ABAG, representante da aviação geral que detém mais de 75% dos aviões no Brasil.

Pilatus PC-12
O tão utilizado pela aviação geral turboélice Pilatus PC-12 utiliza Querosene de Aviação, apesar de ser um avião “com hélice”. Foto – Divulgação

Deste modo, com uma redução de preço direto na refinaria, a aviação resolve parcialmente um problema de alto gasto com combustível, principalmente neste momento de petróleo em alta no mercado. Ainda somente com o JET-A1, o preço do querosene de aviação (QAV) acumulou alta de 76,2% de 4 de janeiro a 13 de dezembro de 2021, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR).

O preço menor na refinaria diminui em cascata o custo, ampliado pela aplicação de impostos federais e estaduais no preço final comercializado pela distribuidora no aeroporto.

O combustível pode representar, dependendo da época, mais de 40% do custo para operar um voo doméstico no Brasil. Uma diminuição mesmo que mínima nos gastos já auxilia as empresas de aviação do país neste momento de recuperação.

 

Abertura para biocombustível e mistura entre tipos de Querosenes

Foto – Boeing/Reprodução

A resolução publicada pela ANP em 22 de outubro de 2021 também abriu o mercado brasileiro para o uso do Jet-Alternativo, que inclui também diversos tipos de bioquerosenes, que devem ser devidamente certificados antes.

Os dois novos querosenes de aviação alternativos (JET-Alternativo e JET-C), aprovados em 2020 pela ASTM International, que poderão ser utilizados em misturas com querosenes fósseis, ampliando a relação de bioquerosenes e outros alternativos regulamentados pela Agência desde 2019.

O bioquerosene reduz a emissão de poluentes pelas aeronaves, e pode ser produzido a partir de óleos vegetais (como soja), gorduras animais, resíduos urbanos e outras biomassas. No momento ainda é um combustível caro no mercado, e muitas companhias aéreas no exterior utilizam misturas com o tradicional JET-A.

A viabilidade técnica para a alteração regulatória foi avaliada em estudo conduzido pela ANP, com participação da Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, da Secretaria de Aviação Civil – SAC e de outros órgãos públicos, empresas e associações nacionais e internacionais do setor, além da ASTM, que desenvolve, entre outras, normas técnicas com especificações internacionais de combustíveis de aviação. 

 

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