Toda empresa que é capaz de oferecer um produto de alta qualidade e pela metade do preço dos concorrentes logo é valorizada, poucas fazem isso atualmente, mas a SpaceX está entre elas.

Depois de quase levar a SpaceX à falência, com as falhas de lançamento do Falcon 1 enquanto os seus engenheiros ainda estavam aprendendo a fazer foguete.



Elon Musk saiu da condição de “quebrado” para assumir o importante posto de um dos CEOs mais inovadores do planeta, a Tesla vale bilhões, muito mais do que muita montadora de automóveis que já existe à anos. Esse conceito citado também se reflete na SpaceX atualmente.

E foi assim que uma equipe de analistas financeiros da Morgan Stanley chegou no valor que a SpaceX vale atualmente, US$ 50 bilhões, um baita patrimônio para uma empresa que está quebrando paradigmas do setor espacial, seja por causa da visão de futuro do Elon Musk, ou por causa do preço, que chega a ser 60% menor em comparação com os concorrentes.

A SpaceX vem demonstrando força nos lançamentos consecutivos, entre o final de junho e o início de julho ela lançou 3 foguetes em menos de 10 dias, nesta semana ela lançou 2 em pouco mais de 48 horas. Anteriormente nenhuma empresa se empenhava em fazer isso, provavelmente os clientes estão começando a mudar a ideia inicial que tinham da SpaceX, uma empresa que frequentemente atrasava seus lançamentos.

Mas o futuro da SpaceX que agrega realmente todo esse valor à empresa. Em 2018 ela lançará pela primeira vez o Falcon Heavy em um voo comercial, e promete até mesmo dar uma volta na Lua usando só uma cápsula Dragon V2 e um foguete Falcon Heavy. Outros projetos para o futuro, como o BFR, parecem sair de um filme de ficção, mas têm possibilidades de dar certo.

Conceito BFR para transporte de passageiros. Foguete também terá foco em missões multi-planetárias.

 

“Quando Elisha Otis demonstrou o elevador de segurança em 1854, o público lutou para compreender o impacto na arquitetura e no design da cidade. Aproximadamente 20 anos depois todo prédio de vários tipos em Nova York, Boston e Chicago foram construídos com pelo menos um elevador central”, disse Morgan Stanley se referindo à SpaceX.

Antes da SpaceX nenhuma empresa recuperava em grande quantidade um foguete que foi lançado, se recuperava ele caia no mar e uma extensa mão de obra precisava consertar a estrutura que foi corroída pela água salgada do mar, com o Space Shuttle era assim.

1º estágio de um Falcon 9 pousando no KSC. Foto – SpaceX

Essa tecnologia desenvolvida pela equipe de Elon Musk, baseada em suas ideias malucas, permitiu que a SpaceX cumprisse o mesmo serviço por apenas US$ 60 milhões de reais, o foguete propulsionado totalmente por propelente líquido ressalta essa possibilidade de reaproveitamento.  Só para efeitos de comparação, a Arianespace e a ULA (United Launch Alliance) cobram de 200 a 250 milhões de dólares pelo mesmo serviço, de lançar um foguete.

Atualmente a SpaceX consegue aproveitar o primeiro estágio do Falcon 9, e em algumas situações a carenagem externa de carga. Quando o lançamento exige uma cápsula a SpaceX também reaproveita a Dragon. Para o futuro a empresa planeja reaproveitar o segundo estágio do Falcon 9, e os três estágios iniciais do Falcon Heavy desde o início. Ao reaproveitar o segundo estágio a SpaceX conseguirá retornar com todo o foguete para a Terra, e economizar US$ 5 milhões por cada lançamento do Falcon 9.

Além dos projetos Falcon Heavy e BFR, que já falamos em abundância aqui na Aeroflap, a SpaceX ainda planeja lançar uma rede de satélites de baixa órbita (LEO) para cobrir o globo terrestre com internet, serão cerca de 4000 deles quando a constelação for completada, porém esse número pode diminuir por uma inviabilidade técnica de manter a órbita de cada aparelho. Esse é um grande projeto que pode render bilhões para a SpaceX, e ele será realizado, é só questão de tempo.

 

Nesse projeto do satélite cada um deles será montado por uma equipe da SpaceX, com componentes próprios, evitando a terceirização para não aumentar o custo final. O foguete Falcon Heavy também pode ajudar nessa missão, um satélite LEO geralmente tem baixo peso, e o foguete Falcon Heavy é o que teremos de mais potente para lançamentos em baixa órbita, com capacidade para levar até 63800 kg. Se cada satélite tiver aproximadamente 150 kg, o Falcon Heavy pode levar até 425 deles, isso se couber tudo na cápsula de lançamento.

Cada satélite da SpaceX terá a capacidade de transmitir 17 a 23 Gb por segundo, funcionando na banda Ka e Ku, que já são utilizadas atualmente para esse tipo de serviço, mas em órbita geoestacionária, com latência (ping) elevada.

 

Via – CNBC