Você provavelmente deve conhecer a NASA por suas missões históricas, a agência já desbravou imensos desafios no passado e até mesmo no presente, com as missões Juno e New Horizons. Porém a NASA deu um pronunciamento que seria pouco comum nessa semana, principalmente após receber um repasse de dinheiro do governo americano para avançar em comparação com outros países.

A NASA simplesmente NÃO TEM DINHEIRO para enviar humanos até Marte, missão já planejada também pela China e SpaceX, esta última uma empresa privada norte-americana do ramo espacial, para a próxima década.

O maior problema da NASA nesse caso é que ela já “encomendou” o foguete SLS, que está sendo construído por parceiras como a Lockheed Martin, além da cápsula Orion, também construída pela Lockheed Martin. O investimento da NASA nesse foguete é altíssimo, na casa dos bilhões de dólares, apesar dele usar tecnologias reaproveitadas, como o motor que equipou o Space Shuttle e os boosters do lançador do mesmo, que são inteiramente feitos com propelente sólido.

Quem descreveu essa situação da NASA foi o William H. Gerstenmaier, líder do departamento de voo espacial humano na NASA, ele relatou que a agência não tem fundos para concluir essa missão a tempo, de acordo com os dados apresentados pelo Conselho Nacional de Pesquisa.

“Eu não posso firmar uma data para enviar seres humanos à Marte, e o motivo disso realmente são os níveis de orçamento que descrevemos. Com apenas um aumento de 2% no orçamento, não teremos os sistemas de superfície disponíveis para Marte”, disse William H. Gerstenmaier.

Nesse caso William disse que a NASA tinha muito trabalho para a próxima década e poucos fundos para manter o projeto para Marte entre 2030 e 2040, com a verba reduzida a agência será obrigada a adiar os planos para a outra década, entre 2040 a 2050.

Testes caros

O foguete SLS é o mais potente já produzido, ele supera até mesmo o Saturn V, usado nas famosas missões Apollo para a Lua, e o principal problema para a NASA é que cada foguete SLS custa muito caro, mas ao mesmo tempo os engenheiros precisam testar a reentrada da cápsula Orion no planeta vermelho, até o momento a NASA só testou a cápsula na Terra.

A necessidade de vários testes encarece o projeto entre 2028 a 2032, data que a NASA programou para fazer missões de testes do sistema de lançamento antes de começar o envio de humanos para o planeta vermelho.

E tem mais um problema, o foguete SLS que originalmente seria lançado pela primeira vez em 2018 teve o seu lançamento adiado para 2019, acumulando um novo atraso no projeto, na época a NASA justificou o atraso como “um problema de desenvolvimento do hardware”.

 

De volta à Lua

A Agência Espacial do Japão, conhecida também como JAXA, já anunciou que vai colaborar com a NASA para as missões ao espaço profundo, se referindo à Lua e Marte, porém eles disseram algo que nem a NASA confirmou, os EUA e o Japão planejam criar futuramente uma estação espacial na Lua, para fornecer apoio às missões em nosso satélite natural, e também diminuir o número de lançamentos necessários para cada missão de exploração.

“Se descobrimos que há água na Lua vamos fazer missões mais extensas na Lua para explorar isso, temos a capacidade com o Deep Space Gateway para suportar um extenso programa na superfície da Lua”, disse William.

Nesse caso a NASA utilizaria somente foguetes SLS para essas missões, tanto para montar a Estação Espacial como para levar astronautas até a Lua, aliás, o payload dessas missões, bem como a velocidade de escape necessária, são enormes.

 

Futuras missões

Enquanto a NASA baixou seus planos e agora só quer chegar à Lua, sobra acompanhar quem tem dinheiro no momento, ou pelo menos consegue fazer muito com pouco dinheiro. Nessa questão a SpaceX é especialista, a empresa sabe bem como fazer um foguete muito mais barato em comparação com seus concorrentes, hoje um lançamento do Falcon 9 custa quatro vezes menos em comparação com os principais foguetes de empresas concorrentes dos EUA e até mesmo da Europa.

A China também é outra séria candidata, não é novidade que a 2ª maior potência do mundo atualmente tem muito dinheiro para gastar, e eles estão investindo muito para criar novas tecnologias no ramo automotivo, aeronáutico e espacial, com finalidade de igualar o país em relação aos EUA e Europa.

 

Via – Ars Technica

 

Nota do Editor – Pelo visto a NASA saiu da época em que ela cantava “Money, it’s a gas” e agora está cantando “Money, get back”. ¯\_(ツ)_/¯

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