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Tipos de asa e sua aerodinâmica – Flaps diferentes

E essa matéria adicional é um pedido de Enzo Donatti que sugeriu falar sobre alguns tipos de flaps já criados, pouco utilizados no geral mas que já marcaram presença em aeronaves ilustres. Além de abordar sobre como era fabricado, seu formato e como funcionava também iremos falar as vantagens e desvantagens aerodinâmicas de cada tipo abordado.

 

– Fairey Youngman

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Começamos pelo tipo de flap super estranho para uma asa, o da aeronave Fairey Barracuda da antiga indústria Fairey. Ele funcionava basicamente como uma segunda asa ou como um flap como conhecemos hoje, e o mais interessante é sobre seu acionamento, tudo isso era conseguido com um acionamento via cabo.

Entre suas vantagens para a época era conseguir gerar uma maior sustentação quando em posição de parecido com uma segunda asa sem para isso gerar um arrasto muito grande, nessa configuração ele funcionava como se fosse 2 asas, uma menor e outra maior, então era possível obter maior desempenho de pouso e decolagem sem exigir que o motor tivesse maior potência para recuperar o arrasto.

Na imagem abaixo mostra 3 posições dele, a primeira utilizada para voo em cruzeiro e aumentava consideravelmente as possibilidades de manobra da aeronave. A segunda do meio mostra a posição para aproximação, presente já algum ângulo maior de ataque que gerava mais sustentação, utilizada para aproximação e decolagem. A terceira posição gerava maior sustentação para manobras de pouso, acionado depois da segunda para quando a aeronave já estava perto da pista.

3 configura
Posições de flap do Fairey Firefly

A parte mais curiosa desse tipo de configuração era a impossibilidade de recolher no modelo Barracuda, ou ele estava como segunda asa ou ele agia como flap.

 

– Junkers

Parece até um pouco de cópia do modelo acima mas não, não é. O modelo da Junkers que tanto fez sucesso em suas aeronaves se parece muito com o da Fairey, mas tem uma diferença, esse modelo só funcionava em 2 posições, é como se fosse o modelo acima só que reduzido nos 2 últimos quadrinhos. Além disso tudo também tinha a característica de que sua largura era menor e o comprimento do flap era maior, como na foto abaixo.

Junkers_Ju_52_002

Foi bastante utilizado nos modelos Ju 390 (que aeronave enorme, tinha 6 motores), e no JU 52, em bombardeiros foi utilizado no Junkers Ju 87. Assim como no da Fairey foi concebido para diminuir distâncias de decolagem e pouso e aumentar a rapidez de resposta as manobras em voo. a posição de segunda asa quando em voo de cruzeiro criava um arrasto maior que era compensado com o uso de motor.

Em configuração de cruzeiro.
Em configuração de cruzeiro.
Em configuração de pouso e decolagem
Em configuração de pouso e decolagem

A clara vantagem de um tipo de flap desse como o da Fairey e mais ainda o da Junkers é a simplicidade mecânica, o que fazia tanto a durabilidade ser maior como o projeto ser mais fácil, além do conserto não ser tão dificultoso assim. Como única desvantagem praticamente está no arrasto extra criado, o que é refletido no consumo de combustível, e se for considerado a resposta mais rápida a rolagem pode ser um ponto negativo se ela não for requirida no projeto.

 

– Messerschmitt

Me109_G-6_D-FMBB_1

 

Outro tipo muito curioso é o Handley, a necessidade nasceu simplesmente de um local para colocar o radiador do motor, eles escolheram justamente a asa para fazer isso, primeiro que é uma fonte de calor isolada do motor, segundo é que a asa tem muito mais superfície de contato com o ar do que o bico da aeronave por exemplo. Por essa causa é formado por uma dupla folha de flap (na verdade um flap + spoiler) como na imagem abaixo.

f_airflow

Observe que tanto o Spoiler ( superfície de cima), como o flap (superfície de baixo), tem diversos ângulos de abertura, e entre eles fica uma saída de ar. Esse tipo de flap ainda tem mais um comando, o de abertura para entrada de ar no radiador, identificado na imagem acima como Variable Incidence Intake Lip. Ou seja, apesar de o voo em cruzeiro ter altas velocidades de ar isso não afeta tanto a temperatura do líquido no motor, de modo a fazer ele esfriar muito, ou se for em baixas velocidades encontrada em solo e no pouso a superfície também controla o quanto entra e sai de ar, tudo isso feito pelo piloto.

 

f_coolant.plan
Esquema de refrigeração do caça
Entrada de ar do radiador
Entrada de ar do radiador

About the author

Pedro Viana

Pedro Viana

Acadêmico de Engenharia Aerospacial - Editor de foto e vídeo - Fotógrafo - Aeroflap

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