Ayrton Senna Aviação
Foto: Angele Beco

Vamos entrar de vez no clima da Fórmula 1, não, não estamos mudando o nosso foco mas vamos aproveitar e unir dois assuntos interessantes. Você sabia que o Ayrton Senna tinha sua licença de piloto? Além de um apaixonado por velocidade nos carros, também era um amante da aviação.

Neste artigo vamos mostrar um pouco dessa paixão de um dos maiores ídolos do automobilismo pela aviação.

Azul

Talvez os maiores fãs de Ayrton Senna saberiam que o piloto de Fórmula 1 também alimentava o amor pela aviação. Ayrton tinha diversos aeromodelos em casa, aproveitava para voa-los em seus momentos de folga tanto para curti-los quanto para visitar feiras de aviação como no Farnborough Air Show em 1986.

O piloto já consolidado visitou a fábrica da Embraer em 1992, na ocasião aproveitou bastante para conhecer as aeronaves fabricadas pela empresa brasileira, fato que cooperou para aprofundar ainda mais seu amor pela aviação. O tricampeão mundial mostrou muito interesse em conhecer a fabricação das aeronaves e também as tecnologias usadas nos sistemas dos aviões.

Foto: Site Ayrton Senna

Já com o curso em prática, Ayrton Senna já com os sentimentos pela aviação já em níveis altos, o piloto foi em busca e ganhar mais uma ‘carteira’. Em 1992, realizou a prova da ANAC (na época DAC) para conquistar a sua licença de piloto de helicóptero, porém para conseguir este feito, a agência precisou realizar uma banca ‘especial’ para Ayrton.

Além de negociar junto a ANAC, Ayrton precisou também negociar durante um bom tempo sua liberação pela Mclaren para realização das provas. Ao final de tudo, Senna conquistou sua tão sonhada licença para pilotar helicópteros após realizar suas provas práticas sob supervisão do Coronel Fiúza. 

Após o feito, Ayrton foi em busca de adquirir suas aeronaves próprias, afim de poder se locomover com facilidade e também poder desfrutar de sua licença sofrida para conseguir. 

As aeronaves de Senna

Ao todo foram três helicópteros adquiridos por Ayrton Senna, os três são Esquilos AS350 fabricados pela Helibrás. O primeiro deles foi o de matrícula PT-HNY, fabricado em 1991 com capacidade para transportar até 5 ocupantes, este é a versão AS350B. Atualmente a aeronave pertence a North Star Táxi Aéreo e continua em operação.

Foto: Juan Cosmo / JetPhotos.com

O segundo foi o PT-HYO, um Esquilo AS350BA com capacidade para 5 ocupantes fabricado em 1993. Atualmente a aeronave está em operação pela JBN Locações e Gerenciamento de Aeronaves. 

Foto: Gabriel_aqa / jetphotos.com

O terceiro foi um Esquilo AS350B fabricado em 1989, porém a aeronave se acidentou em 27 de agosto de 1998 próximo à São Gonçalo-MG. A aeronave voava com o prefixo PT-HNJ.

Foto: Blog do Vavá da Luz
Foto: Pedro Aragão / JetPhotos.com

Agora falando de aviões, em 1990, antes de tirar sua licença de piloto de helicóptero, Ayrton Senna adquiriu seu primeiro jato particular. A aeronave era um Hawker 800 com capacidade para transportar até 13 passageiros, se tornava a aeronave utilizada por Senna para se deslocar durante o campeonato mundial de Fórmula 1.

A aeronave de matrícula N125AS possuía uma bonita pintura em três listras de cinza, prata e preto. Atualmente a aeronave está em operação pela empresa de Táxi Aéreo Tavaero Jet Charter dos EUA, sob a matrícula N257PL.

Foto: LimaFox Spotter / JetPhotos.com

A outra aeronave adquirida por Senna foi indicada pelo Comandante Nelson que era um de seus amigos próximos além de instrutor e piloto de Ayrton. O achado foi um King Air F90 na Alemanha, a aeronave foi trasladada para o Brasil onde foi reformulada completamente e recebeu a matrícula PT-ASN. 

A escolha desta matrícula foi uma homenagem entre Ayrton e Nelson (ASN), atualmente a aeronave ainda se encontra em operação pela Empresa de Macanização com a mesma matrícula. 

Foto: Alan Olivieri / jetphotos.com

 

Bônus

Um ídolo nacional e um apaixonado por aviação, Ayrton Senna teve um privilégio de realizar um voo a bordo de um Caça da Força Aérea Brasileira. O piloto foi convidado em 1987 para voar com a FAB a bordo de um F-5B, de matrícula FAB 4803 sobre o Aeroporto de Jacarepaguá no Rio de Janeiro.

Dois anos depois uma nova experiência, Senna chegava à Anápolis com seu King Air escoltado por dois caças Mirage III. O piloto desembarcava para conhecer as instalações da FAB e também ser preparado para realizar um voo a bordo do Mirage III DBR, FAB 4904. 

Segundo relatos, o piloto pediu para sentir como era voar em uma aeronave supersônica com aquelas características, afim de sentir as diferenças também para um carro de Fórmula 1 em termos de velocidade.  

Atualmente, o Mirage F-103D 4904 que Senna esteve a bordo em 1989 encontra-se preservado no Museu Aeroespacial, no Campo dos Afonsos (RJ). Outro F-103D está preservado no Museu da TAM, em São Carlos, com as mesmas cores. Contudo, não é a mesma aeronave voada por Ayrton. 

Os voos militares do “Chefe”, como Senna é chamado por Rubens Barrichello, não ocorreram só no Brasil. Um ano depois, o piloto voou a bordo de um caça-bombardeiro F-111C Aardvark da Força Aérea Real Australiana. 

“Fizemos um sobrevoo com 3 aeronaves antes do GP de Adelaide em 1990. Depois de pousar em Edimburgo, fomos levados de helicóptero de volta à pista e fomos para o camarote corporativo da Fosters para assistir o restante da corrida. Tivemos então a sorte de ser convidados para os boxes da McLaren para conhecer Ayrton. […]”, conta Omar Frei, um ex-tripulante de F-111 da RAAF, no grupo Friends of the RAAF General Dynamics F-111C/G (RF-111C).

“Ele era um fanático por aviação, então um convite foi oferecido para lhe dar uma carona no dia seguinte com nosso piloto intercambista no Reino Unido, que eu acho que costumava correr na Europa. Ayrton teve a gentileza de nos convidar a todos para a festa da McLaren naquela noite no Hilton (eu acho). Teve uma grande noite para todos, caramba, esses caras da F1 sabem festejar!! Um passeio muito agitado foi dado no dia seguinte!!”

Em 1987, Senna também “deu uma voltinha” a bordo do Aermacchi MB-339 italiano, um jato de treinamento avançado e ataque leve. O MB-339 é uma evolução do MB-326, que no Brasil é mais conhecido por AT-26 Xavante. 

Em 2014, quando a morte do ídolo das pistas completou 20 anos, a fabricante italiana Leonardo (que absorveu a Aermacchi e outras empresas do ramo), celebrou o voo de Ayrton a bordo da aeronave. 

Em 2019, 30 anos após o voo histórico de Ayrton Senna a bordo do Mirage III, a FAB prestou mais uma homenagem ao tricampeão de F1. Leonardo Senna, irmão de Ayrton, voou a bordo do F-5FM Tiger II FAB 4912 do Esquadrão Jaguar.

Usando um capacete estilizado como o de seu falecido irmão, Leonardo guarneceu a nacele traseira do caça de dois assentos. Pilotando a aeronave estava o Major Aviador Cristiano Peixoto, que levou a aeronave a 4.2G em um voo a baixa altura de 20 minutos. 

Além do voo, um Mirage 2000C (F-2000C) aposentado recebeu uma pintura especial que celebra não só a amizade entre Senna e o Esquadrão Jaguar, mas também o aniversário de 40 anos da unidade.

A pintura aplicada na aeronave traz as cores do capacete de Ayrton na cauda, o jaguar estilizado na fuselagem e os tons cromados com o radome preto, relembrando o primeiro esquema usado pelos Mirage III quando chegaram ao país na Década de 1970. O FAB 4940 é um de três Mirage 2000 que estão preservados no Brasil.

O caça que esteve em serviço com a FAB entre 2006 e 2013 está sob os cuidados da Base Aérea de Anápolis. Outro F-2000C está no MUSAL, enquanto um F-2000B está na Base Aérea Brasília. 

Foto: Marcos Henrique Rocha

Infelizmente o Brasil e o mundo perderam uma grande pessoa, um ídolo em um trágico acidente em 1994 em Imola. Ayrton Senna voltou ao seu país, para a sua despedida sob as asas da Varig em um MD-11, o eterno tricampeão deixou seu legado que ainda é muito vivo na memória de quem pôde acompanhar um pouco de sua trajetória.

 

Fonte de pesquisa: É mais que voar Site Ayrton Senna
Texto: Aeroflap

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