Eurofighter Typhoon da Espanha escoltando o Il-22PP Porubshchik na última quinta-feira. Foto: Comando Aéreo da OTAN/Divulgação.

Na última quinta-feira (29), caças Eurofighter Typhoon do Ejercito del Aire (Força Aérea Espanhola) e F-35A Lighting II da Aeronautica Militare (AMI – Força Aérea Italiana), desdobrados na Estônia e Lituânia para a Missão de Policiamento Aéreo do Báltico, foram acionados para interceptar aeronaves russas. Dentre os alvos estavam dois raros aviões de guerra eletrônica Ilyushin Il-22PP Porubshchik, chamados de Mute pela OTAN. 

Além dos dois Il-22, um cargueiro Il-76 Candid e um jato de ataque supersônico Su-24 Fencer foram interceptados e escoltados pelos caças da aliança militar liderada pelos Estados Unidos. O Centro de Operações Aéreas Combinadas da OTAN, com sede em Uedem (Alemanha), alertou os caças no Báltico depois que contatos não identificados foram detectados na região, saindo de Kaliningrado e voando sem plano de voo e com o transponder desligado, impondo riscos à navegação aérea. 

“O sistema de policiamento aéreo da Aliança monitora o espaço aéreo na Europa 24 horas por dia, 7 dias por semana e responde quando as aeronaves são identificadas voando sem um plano de voo ou sem um sinal de transponder”, disse o General Karsten Stoye, Chefe do Estado-Maior do Comando Aéreo Aliado.

Su-24 Fencer interceptado na quinta-feira. Foto: OTAN.

“As rotas aéreas e marítimas nesta região estão congestionadas com grandes volumes de tráfego civil transitando pela área, então as aeronaves que não seguem os regulamentos internacionais de segurança aérea representam um perigo potencial para o tráfego civil”, acrescentou o Major General Stoye.

A OTAN também destacou que em nenhum momento as aeronaves russas adentraram o espaço aéreo da Aliança e que as interceptações foram realizadas de maneira rotineira. 

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Typhoon espanhol escoltando o Il-76. Foto: Comando Aéreo da OTAN/Divulgação.

Segundo o The Aviationistessa é a primeira vez que aviões Il-22PP Mute foram interceptados por caças da Organização. As aeronaves de “escolta eletrônica” foram avistadas pela primeira vez em 2017 nas celebrações dos 105 anos da Força Aérea Russa, em Kubinka. De acordo com Piotr Butowski, a aeronave é uma plataforma SIGINT (Inteligência de Sinais) e interferência stand-off, convertido a partir de um Il-22 Coot-B (aeronave posto de comando e de retransmissão de rádio baseada no avião Il-18D).

O Il-22PP está equipado com antenas para a varredura de sinais de rádio na área de sua atividade e bloqueia seletivamente aqueles nos quais aeronaves, drones ou sistemas de defesa aérea inimigos operam. Ironicamente, por ser “grande e branco”, a aeronave seria chamada de “Geladeira” pelos russos. 

Il-22PP. Foto: ©Sputnik/Aleksei Kudenko.

De acordo com Mikhail Khodorenok, coronel aposentado e analista militar do jornal online Gazeta.ru, o Il-22PP nasceu a partir de uma necessidade militar russa, quando outras opções não estavam disponíveis. “Ao mesmo tempo, mais algumas opções foram consideradas: aviões AN-140 e AN-158 com motores turbojato, bem como o Tu-214”, disse ele ao portal RBTH. “No entanto, no momento da formação das ‘aquisições de defesa’ em 2009, nenhum desses modelos ainda não estava totalmente pronto para ser equipado com os mais recentes sistemas de guerra eletrônica (EW).”

“Claro, esta não é uma solução ideal”, acrescentou ele, explicando por que a nova arma foi colocada em um “velho cavalo de confiança”. “No entanto, por falta de uma opção melhor, uma escolha teve que ser feita – ou ficar sem a aeronave EW, ou montar o equipamento nas asas testadas.”

 

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