VoePass
ATR-72 da Passaredo

Nos últimos dias um ATR 72 da VoePass chamou atenção nas redes sociais após um contratempo durante uma decolagem em Presidente Prudente (SP).

De acordo com dados do CENIPA, que está investigando o incidente, este ocorreu na última quinta-feira (14) com a aeronave ATR 72-500 de matrícula PP-PTQ, durante o voo P3-2267 de Presidente Prudente para o Aeroporto de Guarulhos.

A aeronave enfrentou um fenômeno conhecido windshear durante a decolagem, e apesar disso, os pilotos controlaram o avião com pouca diminuição da altitude, e continuaram a subida para o nível de cruzeiro.

Você pode conferir tudo no vídeo abaixo:

 

O que é um windshear?

Esta com certeza não é a primeira vez que um avião enfrentou um windshear. O fenômeno é bastante comum quando se está voando em baixa altitude, e perto de formações densas de nuvens.

Apesar de ser um fenômeno comum, e a causa da paralisação das operações em aeroportos, este é muito perigoso para a operação de aeronaves, principalmente por aparecer sem avisos algumas vezes.

O windshear, em seu fenômeno microbust, é praticamente uma forte movimentação do ar de cima para baixo, que pode acontecer em qualquer altitude na troposfera. Normalmente está associado às nuvens do tipo cumulonimbus, formações de chuva e serras com grande variação de altitude em relação ao vale.

Pode acontecer do windshear também se misturar com rajadas fortes de vento de cauda, no caso de aeronaves em voo, amplificando a instabilidade da aeronave e a dificuldade de realizar os comandos nas superfícies aerodinâmicas, pela imprevisibilidade de comportamento do avião.

 

Os pilotos podem detectar antecipadamente este fenômeno?

No Brasil, as Torres de Controle dos principais aeroportos estão instruídas a computarem todos os reportes de windshear que ocorram da superfície até 2000 pés (600 metros) de altura. Normalmente o aviso pode acontecer pela própria torre de controle, por mensagens digitais ou análise do METAR do local de decolagem/pouso.

As aeronaves, com seus radares meteorológicos e sistemas EGPWS, também contam com o aviso para os pilotos sobre as condições à frente, apesar da informação não ser 100% precisa em algumas vezes.

Sistema de radar da aeronave avisa sobre zonas de turbulência, windshear (tracejado em vermelho e preto) e obstáculos.

Como conferimos no parágrafo acima, muitas vezes os sistemas modernos não conseguem detectar quando um windshear acontecerá. Por este motivo, entre outros de segurança de operação, os pilotos sempre treinam em simulador a reação imediata para um windshear instantâneo.

A principal causa, notavelmente, envolve o reflexo do piloto, que deve ser o mais rápido possível para controlar a aeronave e aplicar a potência necessária, sem sair do envelope de voo (o limite do equipamento). Muitas vezes os pilotos precisam aplicar a potência total do motor, mesmo em procedimentos de decolagem (confira mais Clicando Aqui).

Também há procedimentos instantâneos que são realizados, como a arremetida ao encontrar um windshear durante a aproximação para pouso, e abortar a decolagem se o avião, ou torre de controle, avisar sobre o windshear à frente.

Confira o vídeo abaixo, onde o computador do Boeing 737-800 avisa sobre a windshear aos 0:06, a mensagem a seguir “Go Around” indica aos pilotos para abortar o procedimento que estavam fazendo, e enfrentar a windshear.

No vídeo abaixo temos duas simulações de windshear logo após a decolagem. Note como após o aviso sobre o fenômeno o avião deixa de ganhar altitude e velocidade (ou até mesmo perde). Por esses motivos os pilotos devem treinar para ter a melhor reação possível, como neste caso da VoePass.

No pouso a ocorrência de windshear em baixíssimas altitude é muito perigosa, pelo período que a própria máquina demora para fornecer mais potência aos motores, e os pilotos iniciarem o procedimento de arremetida.

Por este motivo, o controle de tráfego aéreo e os pilotos têm muita cautela ao seguirem com uma aproximação para pouso em condições de muito vento, sempre analisando os dados fornecidos pela aeronave e demais sistemas externos.

 

DEIXE UMA RESPOSTA