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O F-39E 4101, o primeiro Gripen E de produção para a Força Aérea Brasileira. Foto: Saab.

No início do mês de abril estarão chegando ao país dois novos caças F-39E Gripen para a Força Aérea Brasileira. As novas aeronaves serão destinadas ao Esquadrão Jaguar (1º Grupo de Defesa Aérea), da Base Aérea de Anápolis, mas antes passarão pelo processo de certificação militar, a ser realizado no Centro de Ensaios em Voo do Gripen na sede da Embraer em Gavião Peixoto (SP). 

Ainda em 2015, o Portal G1 obteve, através da Lei de Acesso a Informação, uma lista de armamentos e sensores que a FAB adquiriu para seus novos aviões de combate.

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Gripen E sueco voando com quatro mísseis Meteor e dois mísseis IRIS-T. Foto: Saab

Inicialmente o modelo deverá desempenhar apenas missões de combate aéreo, mas ao longo de seu desenvolvimento vai obter as capacidades de emprego ar-solo com bombas inteligentes. 

MBDA Meteor 

O Meteor é um míssil ar-ar de longo alcance (BVRAAM) guiado por radar ativo, já em serviço nas forças aéreas da Itália, Alemanha, Reino Unido, França, Suécia e outros. Desenvolvido pelo consórcio europeu MBDA (composto pela Airbus, BAE e Leonardo), o Meteor é considerado o BVRAAM mais avançado em operação atualmente. 

Foto: MBDA.

A FAB adquiriu 100 unidades do armamento por cerca de R$ 1,2 bilhão, já tendo recebido o primeiro lote em 2021. O Meteor possui uma propulsão dual: no momento do disparo é impulsionado por um foguete de combustível sólido que depois dá lugar a um motor ramjet, levando o míssil a Mach 4.

Segundo a MBDA, o Meteor possui até seis vezes mais energia cinética que mísseis da mesma classe, como o AIM-120 AMRAAM dos EUA. Além disso, o Meteor possui 10 “marchas”, o que lhe permite poupar combustível durante o voo para chegar com a maior velocidade possível na aeronave-alvo, diminuindo as chances de evasão do inimigo. 

IRIS-T

Para complementar o Meteor, a FAB também adquiriu o míssil IRIS-T de curto alcance e guiado por calor. O desenvolvimento deste míssil começou na década de 1990 para substituir versões mais antigas do AIM-9 Sidewinder, com Alemanha e Itália liderando os trabalhos. Atualmente é fabricado pela Diehl Defence em parceria com a Leonardo e outras companhias. 

Foto: Owly K, Sorruno via Wikimedia (CC BY-SA 4.0).

O IRIS-T conta com empuxo vetorado, aumentando muito sua manobrabilidade e o tornando ainda mais letal. Sua moderna cabeça de busca é capaz de distinguir a assinatura infravermelho de um flare — dispositivo usado para defesa contra mísseis guiados por calor — e o motor da aeronave inimiga. 

O também IRIS-T pode ser usado em conjunto com os capacetes com display integrado (HMD), permitindo que o piloto faça a pontaria e dispare usando seu próprio capacete. Essa tecnologia já é amplamente usada e está presente na própria FAB desde 2010, quando os pilotos de F-5M passaram a usar o HMD DASH IV da Elbit de Israel. Os pilotos de F-39 brasileiros usarão o TARGO II, também da Elbit. 

Veja mais: conheça os armamentos dos F-5 da FAB

SPICE 1000 e SPICE 250

Para as missões do escopo ar-solo, a FAB adquiriu dois modelos de bombas inteligentes, ambas fabricadas pela empresa israelense Rafael. 

A Spice 1000 é um kit de conversão, que transforma uma bomba Mk.83 convencional de 1000 libras (454 Kg) em um armamento de precisão, guiado por GPS/Navegação Inercial em conjunto com imagens de TV/IR. O kit também adiciona um par de asas à bomba, lhe dando a capacidade de atingir um alvo a 100 Km. 

Spice 1000. Foto: Bin im Garten via Wikimedia (CC BY-SA 3.0).

Diferentemente da Spice 1000, a Spice 250 é um sistema completo e não um kit de conversão.  A bomba pesa 250 libras totais, com ogiva de fragmentação ou penetração de 75kg. A Spice 250 é similar à GBU-39 SDB norte-americana, já usada pelo Gripen C/D.

Em um cabide especial, o Gripen pode carregar até quatro dessas bombas que, apesar de pequenas, são bastante precisas, tendo erro circular provável (CEP) de 3 metros. Além de Brasil e Israel, Grécia, Índia e Colômbia também compraram bombas da série Spice. 

Cabide das bombas Spice 250.

Pods Litening G4 e Reccelite XR

Também fabricados pela Rafael, os pods Litening G4 e Reccelite serão usados em missões de ataque ao solo e reconhecimento. Os dois sensores já estão amplamente presentes em várias forças aéreas pelo mundo, incluindo a própria FAB, que usa nos caças-bombardeiros AMX A-1, mas em versões mais antigas.

Litening G4. Foto: Northrop-Grumman.

O Litening G4 é um pod de aquisição de alvos e guiagem de munições. O instrumento combina sensores de imagem por TV/Infravermelho e um laser para identificação de alvos e guiagem de bombas inteligentes, como as da série Lizard usadas pelo Brasil.

As imagens são mostradas ao piloto através do display panorâmico no cockpit do caça. Confirmada a natureza hostil do alvo, o piloto ilumina o alvo com um laser que será seguido pela cabeça de busca da bomba até o impacto.

Já o Reccelite XR é uma versão do Litening dedicada às missões de reconhecimento tático aéreo (REC TAT).

Reccelite XR. Foto: Rafael.

Enquanto os sensores do Litening são usados em operações de ataque, o Reccelite contém câmeras de alta resolução para registrar diferentes alvos de interesse para uma futura missão. Após um bombardeio, a aeronave de reconhecimento volta para realizar avaliação dos danos no local. 

Além desses armamentos, o Gripen também conta com um canhão BK-27 de 27mm. O BK-27, produzido pela alemã Mauser, é um canhão automático de ação revólver. Assim como um revólver de mão, o canhão tem câmaras (cinco delas) de carregamento. 

Canhão Mauser BK-27. Imagem: Autor Desconhecido.

Esse tipo de armamento foi desenvolvido pela própria Mauser durante a Segunda Guerra Mundial, com o canhão MK 213 de 20mm, que nunca chegou a entrar em serviço. 

O BK-27 tem uma taxa de disparo de até 1700 tiros/minuto, com 120 munições. No entanto, o canhão será usado apenas na variante F-39E, de um assento.