A Azul realizou nesta quinta-feira (20/05) uma coletiva online de imprensa com a diretora da unidade de carga, Izabel Reis, que esclareceu dúvidas sobre a demanda, frota e investimentos da empresa para crescer.

A divisão de cargas da Azul já era um negócio promissor da companhia antes mesmo da pandemia, com rápido crescimento nas operações e com a ideia de atender diretamente o menor ou maior cliente, através de várias agências espalhadas pelo país.

Na pandemia o crescimento, no entanto, foi bem maior, e a Azul Cargo chegou a representar cerca de 40% da receita da Azul S.A. em alguns períodos, aproveitando também a frota de aviões de passageiros da companhia aérea. Atualmente o faturamento da Azul Cargo equivale a 12 a 15% da receita da Azul S.A. .

 

Investimento e frota

A alta repentina da demanda no último ano fez a companhia investir em vários campos diferentes.

A Azul Conecta, que opera com o Cessna Grand Caravan, foi incorporada e ganhou aviões exclusivamente cargueiros. Ao todo são 17 aeronaves, que podem ser convertidas para o transporte de cargas ou passageiros a qualquer momento.

Azul
Cessna Grand Caravan com muita carga a bordo. O avião transporta até 1600 kg. Foto: Ícaro Roberto/Aerofap

Aviões Embraer E-Jet E1 que estavam parados e sem uso foram adaptados para a operação de transporte de cargas. Ao todo, quatro aviões deste modelo agora estão realizando voos cargueiros, complementando a frota de aviões Boeing 737-400F (2 no total) e ATRs, que a Azul adapta em 50 minutos para carga de acordo com a necessidade.

A demanda ainda está subindo, de acordo com Izabel Reis, e como publicado anteriormente aqui no Portal AEROFLAP, a Azul já planeja mexer nos Embraer E-Jets.

Izabel ressaltou que em outubro a companhia vai iniciar uma alteração nos E-Jets, retirando os assentos restantes e aumentando a capacidade de carga de 7 para 12 toneladas em cada avião.

Interior do Embraer E-Jet Cargo ainda tem assentos, que serão retirados até outubro.

Considerando que até o fim do ano a companhia deseja continuar com os quatro E-Jets, a capacidade bruta de carga dessa frota deve aumentar em 20 toneladas, quase equivalente ao suportado por um Boeing 737-400F da companhia.

O Embraer E-Jet não ganhará porta de carga, mas faz muita diferença no atendimento da companhia à demanda do e-commerce, bem como em destinos onde normalmente não opera voos, como no Acre, que tem voos regulares da Azul Cargo, e não é atendido pela companhia de passageiros.

Um outro avião destacado pela Izabel é o ATR 72-600. Este tem uma grande porta de carga na frente, o que possibilita o embarque fácil de caixas a bordo e uso como cargueiro.

Normalmente o ATR pode voar com passageiros ou carga dentro, fazendo o transporte de carga geralmente na parte noturna da operação. Com 50 minutos de transformação, para a retirada dos 70 assentos, é possível levar 6 toneladas a bordo.

Duas rotas com o ATR foram dadas como exemplo (VCP-POA e VCP-VIX) pela Izabel Reis, como operações corriqueiras da empresa utilizando o ATR.

Os dois aviões são essenciais para atender a demanda do e-commerce, indústria farmacêutica e até de montadoras de automóveis.

 

Airbus A330 e A321ceo para carga na Azul

Azul Cargo

No podcast oficial da Azul no Spotify, o “Conversa Azul”, Izabel Reis já tinha ressaltado o interesse da companhia em substituir o Boeing 737F pelo Airbus A321, em uma versão totalmente cargueira.

Além de “padronizar” a frota, a Azul está perto de devolver os seus 737F, de acordo com o contrato de leasing assinado pela empresa e que vence no 2º quadrimestre de 2023, nas informações repassadas na live de hoje (20).

ST Engineering
A321ceo convertido para cargueiro. Foto: ST Engineering/EFW

Por este motivo a Azul começou a analisar o Airbus A321 P2F, versão convertida do A321ceo para cargueiro. A nova aeronave permite um maior volume interno de carga, além de transportar 7 toneladas a mais em comparação com o 737-400F.

Juntamente com a alteração nos E-Jets, a Azul Cargo ganhará na frota de aviões narrobody de grande tamanho uma capacidade adicional de 14 toneladas de carga, contabilizando as duas aeronaves.

Na coletiva de hoje Isabel ressaltou que o A321P2F pode chegar na frota oferecendo uma capacidade adicional até mesmo de rota, em comparação com o 737-400F.

Azul
Interior do 737F da Azul.

Com este avião a companhia poderá ter operações regulares de carga entre Miami, nos Estados Unidos, e Manaus. Este é um projeto futuro da Azul Cargo.

Quando perguntamos sobre a possibilidade de um Airbus A330 totalmente cargueiro, como a Avianca Brasil operava, Isabel destacou o interesse da Azul em analisar essa proposta, mas por enquanto somente a chegada do A321 de carga é considerada como firme pela empresa.

O foco da Azul com o A321P2F é atender o ‘Cone Sul’, países da América do Sul em voos diretos ao Brasil.

Azul
Cargas acima dos assentos em um A330 da Azul.

Isabel Reis destacou que a presença do A330 fez bastante diferença na frota da companhia aérea cargueira, com voos constantes para Miami, Manaus e Bruxelas durante a pandemia, quando a operação de voos internacionais de passageiros estava reduzida.

Até o atual momento a Azul Cargo mantém voos com o Airbus A330 para o exterior, atendendo ao mercado de carga brasileiro mesmo com um avião adaptado, onde a carga é transportada acima dos assentos.

 

Investimentos no terminal de cargas em Viracopos

Aeroporto de Viracopos
Terminal de Carga de Viracopos. Imagem: Divulgação.

Perguntamos também para a Isabel Reis sobre os investimentos da companhia no Terminal de Cargas, visto que para conseguir crescer no setor é muito importante a parte logística da empresa.

De acordo com Isabel, há uma discussão com o Aeroporto de Viracopos (em Campinas) sobre os investimentos no local. No final de 2020 a Azul realizou um investimento de R$ 2 milhões e mais recentemente está executando outro, de R$ 1 milhão.

O foco da empresa por enquanto é aumentar a segurança do local, a área de carga e a quantidade de equipamentos para a manipulação da carga.

Isabel também ressaltou que a Azul está estudando uma homologação e especialização para transportar dispositivos com baterias. Existe mercado interno, mas a empresa precisa executar adaptações nos terminais de carga e nas suas operações diárias.