Su-27P Flanker Ucrânia
Sukhoi Su-27P1M modernizado da Força Aérea Ucraniana. Foto: Jonathan Webb (CC BY 2.0).

A Força Aérea Ucraniana (UAF) segue atuando ainda que de forma limitada, contrariando afirmações de observadores e internautas que acompanham o conflito no Leste Europeu.

No último sábado (07), um par de caças Su-27 Flanker ucranianos atacaram posições russas na Ilha das Cobras, no Mar Negro. O contra-ataque da UAF foi registrado por um drone Bayraktar TB2, cuja atuação na guerra também tem sido bastante relevante. 

https://twitter.com/UAWeapons/status/1523027490230444035

No vídeo é possível observar os caças se aproximando do alvo pelo sul, numa altura menor que a do próprio farol instalado na ilha. Ao mesmo tempo que disparam flares (contramedidas para mísseis guiados por calor), as aeronaves lançam suas bombas em alta velocidade e baixíssima altura. 

A aproximação pelo sul faz sentido, como observa o portal The War Zone, já que o próprio farol pode fornecer um alinhamento para o alvo. Além disso, os russos defendendo ilha estariam esperando um ataque vindo do norte e oeste, a partir do litoral ucraniano.

As bombas parecem ter sido direcionadas contra o complexo de edifícios da ilha. Explosões foram registradas no píer e prédios ao leste, ao mesmo tempo em que se vê explosões secundárias no extremo leste da ilha, sugerindo a destruição de algum tipo de depósito de munições ou combustíveis. 

Su-27 Flanker ucrânia ataque ilha

O portal também afirma que esta foi uma operação de alto risco, não só pela presença do inimigo na pequena ilha, mas também pelo perfil do ataque realizado pelos caças, expondo-os à nuvem de fragmentos das suas próprias bombas.

De fato, o segundo avião parece ter entrado na zona de estilhaços das bombas lançadas pelo líder. 

De qualquer forma, imagens de satélite posteriores ao ataque confirmaram incêndios e sérios danos aos edifícios da Ilha das Cobras, sugerindo que a operação ocorreu nos últimos dois dias. 

Ao mesmo tempo que as imagens surpreendem, também trazem questionamentos sobre o verdadeiro estado da Força Aérea Ucraniana, que desde o primeiro dia da guerra (24/02) tem sofrido com fortes ataques em sua infraestrutura e o próprio engajamento contra aeronaves e mísseis antiaéreos russos. 
Como a maior parte das bases e aeroportos foram seriamente danificados, uma especulação comum é de que as aeronaves estejam decolando e pousando a partir de rodovias, a chamada “operação dispersa”. Realmente, a UAF é reconhecida por treinar a operação das suas aeronaves em estradas, algo que, em 2020, chamou atenção por conta de um incidente com uma placa de trânsito.
 
SU-27 Ucrânia estrada
Su-27 ucraniano durante um exercício de operações em autoestradas em 2020. Imagem via Defence Blog.
Enquanto internautas seguem debatendo sobre a atuação da UAF e até mesmo os mitos que surgiram em meio ao conflito, ainda existem muito mais questões do que repostas concretas quanto as atuais capacidades da organização. 
Alguns observadores preferem seguir as informações dadas pelo Ministério da Defesa da Rússia de que a força aérea do país invadido está, essencialmente, inoperante. No entanto, imagens de aeronaves MiG-29, Su-24 e Su-25 da UAF tem surgido frequentemente e o ataque deste final de semana mostra que a força aérea continua participativa na guerra contra os russos, mesmo de forma limitada. Em paralelo, a Rússia também segue perdendo aeronaves de alta performance no conflito.
 

 

Mesmo que os abates tenham sido atribuídos, em sua maioria, às defesas aéreas de solo, ainda mostram que a Rússia não foi capaz de obter a supremacia aérea total na Ucrânia, algo que contrariou até mesmo as expectativas Ocidentais, como as do Pentágono, que apontavam que Kiev poderia cair em 72 horas. 

Ainda assim, o governo ucraniano segue pedindo que seus parceiros na OTAN doem caças. Em vídeos, a UAF pediu não só aviões presentes na sua frota, como o MiG-29, mas também aeronaves F-15, F-16, F/A-18 e Gripen.

Por enquanto, a UAF recebeu apenas peças para seus caças, mas não aeronaves completamente operacionais, ainda que Polônia e Eslováquia já tenham disponibilizado suas aeronaves de origem russa ao país.