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Durante uma entrevista, John Slattery, executivo-chefe da Embraer Commercial Aviation, disse que a situação da Bombardier é bastante crítica, após a empresa vender os seus principais projetos por um preço bastante abaixo do aplicado no mercado.

Recentemente a Longview Aviation Capital, uma subsidiária da Viking Air, comprou por US$ 300 milhões o projeto Dash 8 de aeronaves turboélice, uma linha bem-sucedida da Bombardier e que recentemente recebeu um upgrade para oferecer uma versão de 90 assentos.

Além disso a Bombardier repassou mais de 50% de participação no programa CSeries para a Airbus, que agora nomeou as aeronaves com o seu nome e logotipo, e já fala de instalar uma linha de montagem própria.

Sobrou para a Bombardier somente a linha CRJ, que está sendo avaliada para uma possível venda no futuro. A fabricante quer sair do setor de aviação comercial.

“Agora eles estão com os CRJs que, eu acho, eles provavelmente têm cerca de 50 aeronaves encomendadas”, disse Slattery no ISTAT Latin America Forum, em Lima, no dia 15 de novembro.

“É difícil ter um desempenho real de vendas, marketing e organização de suporte, juntamente com engenharia sustentável para suportar encomendas decrescentes.”

“É claramente um momento desafiador em Mirabel agora”, diz Slattery. Perguntado se a Embraer poderia estar interessada em adquirir o CRJ, Slattery diz inequivocamente que não.

“Temos nossa família de aeronaves”, disse ele. “Não estamos tentando comprar o CRJ em nenhum cenário.”

A Bombardier já relatou que o programa CRJ atualmente é um “sugador de dinheiro” da empresa, e que apesar de ter 1412 aeronaves em operação, boa parte desses aviões serão substituídos por modelos de nova geração nos próximos anos.

A Embraer já participa neste mercado com o E175-E2, que está tentando entrar nas regras atualizadas para o mercado de aviação regional dos Estados Unidos, o maior concorrente da aeronave da Embraer é o MRJ 90, fabricado pela Mitsubishi mas que está com o projeto muito atrasado.