Boeing 737 MAX
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A empresa de leasing de aeronaves, Avia Capital Services, está processando a Boeing em pelo menos US$ 115 milhões, alegando que lhe foi vendido enganosamente aeronaves 737 MAX com a premissa de que as aeronaves estavam devidamente certificadas e que os pilotos não precisariam de meses de treinamento adicional.

A Avia, subsidiária da empresa aeroespacial russa Rostec, entrou com o processo em 26 de agosto em Cook County, Illinois, que é a jurisdição da sede da Boeing em Chicago.

O arrendador disse que já realizou um depósito de US  40 milhões como parte do pedido de 35 aviões 737 MAX 8. A Boeing atrasou a entrega dessas aeronaves até pelo menos 2022, visto que as entregas foram atrasadas e paralisadas, enquanto a confiança prejudicada dos passageiros nas aeronaves reduziu drasticamente seu valor em relação ao que a Avia previa no momento da compra.

A Avia sofreu um prejuízo estimado em US$ 75 milhões, devido a esses atrasos e perspectivas reduzidas de arrendamento dessas aeronaves, disse Steven Marks, advogado de aviação do escritório de advocacia Podhurst Orseck, que representa a Avia Capital Services.

O processo alega que os dois acidentes fatais das aeronaves 737 MAX ocorreram “devido às ações e decisões negligentes da Boeing, além de projetar uma aeronave com defeito, também foram retidas informações críticas da Administração Federal de Aviação dos EUA durante o processo de certificação.”

“A Avia teve danos financeiros devido às ações da Boeing e afirma ações tomadas contra a Boeing são por indução fraudulenta, quebra de contrato e violação do dever de boa fé e negociação justa”, afirma o processo.

A Boeing se recusou a comentar o assunto. A receita da empresa norte-americana para o segundo trimestre caiu 35%, para US$ 15,8 bilhões, resultando em um prejuízo líquido de US$ 2,9 bilhões, após lucros perdidos e encargos pós-impostos para cobrir custos futuros de compensação de clientes do 737 MAX.

O padrão para reivindicações de indenização punitiva em Illinois é de “negligência grave”, diz Marks, acrescentando que, se vários exemplos forem encontrados, e o caso for exposto a um júri, a Boeing poderá pagar indenização punitiva além dos US$ 115 milhões sugeridos no processo.

Várias empresas de fora dos EUA manifestaram interesse em ingressar na ação da Avia, em busca de danos por seu lucro perdido em meio à ausência de capacidade e à falta de confiança do cliente nessas aeronaves, disse Marks.

“Não sabemos quais são as outras falhas inerentes porque [essa aeronave] não passou por um processo de certificação mais robusto”, diz Marks. “Acho que a única coisa que a Boeing pode fazer é começar do zero, e passar por um processo de recertificação completo”.

Marks também está representando 30 famílias de vítimas que morreram durante os dois acidentes fatais do 737 MAX, que estão buscando indenizações por morte ilícitas, com a Boeing de principal responsável.

As investigações sobre os acidentes do voo 302 da Ethiopian Airlines e do voo 610 da Lion Air continuam em andamento, mas as evidências indicam que o software de controle de voo criado pela Boeing foi a principal causa dos dois acidentes.

Além de fazer falsas representações durante as vendas, a Avia afirma em seu processo que, após o acidente da Lion Air em outubro de 2018, a Boeing “subestimou e deturpou” a importância do software de controle de voo do 737 MAX, conhecido como MCAS. Por esse motivo, a Avia continuou a efetuar pagamentos por suas aeronaves 737 Max.

 

Via – FlightGlobal