F-15C caças Polônia
F-15C Eagle da 48ª Ala de Caças depois de pousar na Polônia com mísseis AIM-120 e AIM-9X reais. Foto: Forças Armadas da Polônia.

Aeronaves B-52, F-15 e F-16 dos Estados Unidos estão se movimentando na Europa enquanto uma invasão russa na Ucrânia parece cada vez mais provável. Nesta semana, bombardeiros chegaram ao Reino Unido enquanto caças armados com mísseis ar-ar foram enviados para a Polônia e Romênia.

Quatro bombardeiros estratégicos B-52H Stratofortress chegaram ao Reino Unido para uma missão de Força Tarefa de Bombardeiros (BTF) pré-programada. Usando os códigos de chamada HATE 11, 12, 13 e 14, as aeronaves da 69ª Ala de Bombardeiros saíram da Base Aérea de Minot, na Dakota do Norte (EUA) e cruzaram o Atlântico com apoio de aeronaves KC-135 e KC-46, chegando na base aérea de RAF Fairford na quinta-feira (10). 

Antes de pousarem no Reino Unido, os bombardeiros ainda foram escoltados por caças F-16 de Portugal que estão desdobrados na Islândia como parte da Missão de Policiamento Aéreo da OTAN. Caças Eurofighter Typhoon da RAF também acompanharam os aviões da USAF.

Um cargueiro C-5M Galaxy levou material e militares que prestarão suporte ao desdobramento dos B-52 na Inglaterra. A BTF tem previsão de durar três semanas, mas poderá ser alterada de acordo com a situação na Europa, que tem ficada cada vez mais tensa.

Neste final de semana, as embaixadas da Rússia e EUA em Kiev começaram a dispensar seus funcionários menos importantes, além de queimar documentos secretos. Ao mesmo tempo, países pedem que seus cidadãos deixem a Ucrânia em até 48 horas. 

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Na mesma quinta-feira, oito caças F-15C/D Eagle da 48ª Ala de Caça — unidade da Força Aérea dos EUA com sede na base aérea britânica de RAF Lakenheath — pousaram na base aérea de Łask, na Polônia.

Os caças chegaram completamente armados com seis mísseis de médio alcance AIM-120 AMRAAM e dois AIM-9X Sidewinder de curto alcance, todos reais e prontos para combate. É muito mais comum ver as aeronaves carregando mísseis inertes – identificados com faixas azuis – usados para treinamento. 

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Em comunicado, o Comando Aéreo da OTAN afirma que os caças de superioridade aérea foram enviados para a Polônia “para melhorar a postura de defesa coletiva da OTAN e apoiar a missão de Policiamento Aéreo da OTAN.” A Polônia tem fronteira com Belarus, onde estão desdobrados boa parte dos equipamentos e tropas da Rússia, sob o pretexto de exercícios militares conjuntos.

As aeronaves operarão ao lado de caças F-16 da Polônia e Dinamarca que foram enviados para a Base Aérea de Siauliai, na Lituânia. O Comando Aéreo da OTAN também cita diretamente a ameaça russa no comunicado, dizendo que “Os caças extras reforçarão a prontidão e a dissuasão e defesa dos Aliados, à medida que a Rússia continua sua formação militar na Ucrânia e nos arredores.”

Já na sexta-feira (11), um número não-especificado de caças F-16CJ Fighting Falcon foram enviados para a Romênia, também reforçando a presença da OTAN no Leste Europeu como resposta à crescente mobilização de tropas da Rússia na região. 

Caças, militares e materiais de suporte da 52ª Ala de Caça, com sede Base Aérea de Spangdahlem, Alemanha, chegaram à Base Aérea de Fetesti, “para melhorar a postura de defesa coletiva da OTAN e apoiar a missão de policiamento aéreo da OTAN, juntando-se aos caças italianos já implantados na Romênia”, informa a USAFE (Forças Aéreas EUA na Europa e África). 

Foto: USAF.

“A aeronave F-16 melhorará significativamente a postura de dissuasão da OTAN na região sudeste da OTAN e fornecerá capacidade de resposta adicional para a missão de policiamento aéreo aprimorada”, disse o vice-comandante do Comando Aéreo Aliado, Tenente-General Pascal Delerce. Os F-16 vão operar ao lado de caças Eurofighter Typhoon da Itália, presentes na Romênia desde dezembro.

Nas imagens divulgadas pelos EUA, um dos F-16CJ aprece carregando seis mísseis AIM-120 AMRAAM, um pod de interferência eletrônica AN/ALQ-131 e o que aparenta ser um pod AN/ASQ-213 HARM Targeting Pod. Este último é usado para adquirir alvos para o míssil antirradar AGM-88 HARM. Em outras imagens, os F-16 são vistos carregando o ALQ-131, mísseis inertes AMRAAM e pods logísticos.

F-16CJ decolando de Spangdahlem com seis AIM-120. Foto: USAF.

Todas as movimentações ocorrem como resposta à uma cada vez mais possível ação da Rússia contra a Ucrânia. As inteligências dos EUA e OTAN chegaram à conclusão de que uma invasão pode ocorrer até quarta-feira da próxima semana, enquanto as conversas com Vladimir Putin não apresentam nenhum avanço para tentar resolver a situação diplomaticamente.

Os Estados Unidos já afirmaram que não participarão diretamente em nenhuma ação militar na Ucrânia, mas já mandaram centenas de toneladas de armamentos diversos ao país, enquanto desdobra tropas e aeronaves em nações vizinhas, todas membros da OTAN. 

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A inteligência também diz que a Rússia já tem o número de tropas necessário para invadir a Ucrânia, ao mesmo tempo em que três navios de desembarque estão no Mar Negro, com outros devendo chegar neste final de semana. A Rússia também anunciou que realizará exercícios navais no Mar Negro para simular a defesa da Crimeia, península anexada em 2014. 

As tensões na Europa estão atingindo seu ponto mais alto desde que a Rússia começou a desdobrar tropas, tanques, veículos logísticos e aeronaves de asa fixa e rotativas na fronteira com a Ucrânia.