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Força Aérea dos EUA vai retirar seus caças F-15 Eagle do Japão

Caças F-15 Eagle da Base Aérea de Kadena - USAF Japão
Caças F-15 Eagle da base aérea dos EUA em Kadena, Japão. Foto: USAF.

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) confirmou que, a partir de novembro, vai começar a retirada de seus caças F-15 Eagle sediados na Base Aérea de Kadena, em Okinawa, no sul do Japão. Os EUA possuem quase 50 caças na base.

Ann Stefanek, porta-voz da USAF, confirmou ao The War Zone a baixa dos jatos de combate depois que uma reportagem do Financial Times revelou os planos, citando seis fontes familiarizadas com o assunto. 

Ela diz em e-mail que “como parte de seu plano de modernização, a USAF está aposentando a frota de aeronaves F-15C/D que está em serviço há mais de 30 anos. A partir de 1º de novembro, o DoD [Departamento de Defesa] iniciará uma retirada em fases das aeronaves F-15C/D da Base Aérea de Kadena pelos próximos dois anos.”

A baixa dos jatos, presentes na base desde 1979, não foi bem recebida por algumas autoridades, uma vez que ocorre enquanto as ambições chinesas para a região tem crescido exponencialmente. “A mensagem para a China é que os EUA não levam a sério a reversão do declínio de suas forças militares”, disse David Deptula, ex-vice-comandante das Forças Aéreas do Pacífico e piloto aposentado de F-15, ao FT. “Isso encorajará os chineses a tomar medidas mais dramáticas.”

A medida vem logo depois que Força Aérea Japonesa aumentou sua força de caças em Okinawa como resposta à crescente atividade de aeronaves militares estrangeiras, bem como parte de uma ‘mudança para sudoeste’ mais ampla, para reorientar as ameaças chinesas no Mar da China Oriental e demais regiões.

Atualmente a USAF possui dois esquadrões de F-15 em Kadena: o 44º Esquadrão de Caça (FS) “Vampires” e o 67º Esquadrão de Caça “Fighting Cocks”, formando uma força de 48 aeronaves dedicadas exclusivamente à tarefas de superioridade aérea. Kadena ainda é sede de aeronaves E-3 Sentry, KC-135 Stratotanker, HH-60 Pave Hawk, MV-22 Osprey e MC-130 Commando II, representando uma das bases mais importantes dos EUA no Pacífico. 

KC-135 Stratotanker. Foto: USAF.

A saída dos aviões será compensada com destacamentos rotacionais, que serão trocados a cada seis meses. Segundo o The War Zone, é possível que um grupo de caças stealth F-22 Raptor seja o primeiro dessa rotação, seguido dos F-35 Lightning II. Ainda assim, um movimento de rodízio não é o mesmo que 48 aviões instalados permanente. Por outro lado, são caças bem mais modernos que os veteranos F-15.

Conforme o portal, observadores apontam que além da modernização da USAF, outro motivo da baixa dos caças seria a vulnerabilidade da base aérea face aos possíveis ataques chineses. “Qualquer aeronave em Kadena é alvo fácil. Eles provavelmente seriam danificados ou destruídos no solo por mísseis balísticos e de cruzeiro”, disse Stacie Pettyjohn, diretora do programa de defesa no Center for a New American Security. 

Além disso, os velhos Eagle foram “deixados pra trás” depois que a China introduziu seu primeiro caça stealth, o J-20, em serviço de larga escala. Outros modelos como o Su-35S e J-16 também são páreos para o F-15. O chefe das Forças Aéreas do Pacífico, General Kenneth Wilsbach, esperava ver o novo F-15EX Eagle II substituindo os F-15C/D em Kadena. No entanto, a recente diminuição da USAF na encomenda de 144 jatos para apenas 80 diminui essas esperanças. 

Em compensação, Stefanek diz que a USAF ainda não tomou uma decisão de longo prazo, indicando que a presença permanente de caças em Kadena pode voltar a ocorrer no futuro. 

 

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Estudante de Jornalismo na UFRGS, spotter e entusiasta de aviação militar.