HH-60G Pave Hawk.

Na tarde de sábado (21), um par de jatos C-17 Globemaster III da Força Aérea dos EUA (USAF) pousou na Base Aérea de Campo Grande, chamando a atenção dos moradores da cidade. No seu compartimento de carga, os grandes aviões militares carregavam helicópteros HH-60G Pave Hawk, bem como militares, materiais e equipamentos que serão empregados no Exercício Conjunto (EXCON) Tápio, realizado pela FAB em conjunto com Exército e Marinha. 

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O Pave Hawk tem suas origens ainda na década de 1980, quando a USAF buscava um substituto para o HH-3E Jolly Green Giant e o UH-1N. Para isso, foram adquiridos helicópteros UH-60A Black Hawk, similares aos operados pelo Exército Americano, com as aeronaves sendo modificadas para realizar a missão de Busca e Resgate em Combate (CSAR) e sendo chamados de Credible Hawk, entrando em serviço a partir de 1987.

HH-3 Jolly Green Giant, extensivamente usado nas missões CSAR durante a Guerra do Vietnã. Foto: USAF.

Mais tarde, a designação foi mudada para MH-60G Pave Hawk. A partir de 1991, os MH-60G foram atualizados, bem como outras aeronaves também foram adquiridas afim de aumentar a frota. Dessa forma, a USAF os redesignou como HH-60G Pave Hawk, nome que carrega até os dias de hoje. 

A principal missão do Pave Hawk é a busca e resgate em combate. Trata-se de achar e realizar o salvamento de soldados feridos ou até mesmo de pilotos que ejetaram atrás de linhas inimigas. Para isso, os esquadrões que empregam o HH-60 trabalham em um forte conjunto com os Pararescuemen, militares das forças especiais da USAF, especialistas em SAR e mais chamados de PJs. Cada HH-60 pode carregar uma equipe de dois, quatro ou seis PJs, além de quatro tripulantes (dois pilotos e dois mecânicos de voo). 

O curso com duração de pelo menos dois anos é um dos mais longos dentre as forças especiais do mundo todo e capacita o militar PJ a operar em climas de extremo frio ou calor além de realizar resgates no mar. A fase mais longa, com duração de cerca de 37 semanas, é a formação como paraquedista-paramédico, onde os voluntários começam a receber a instrução para serem formados como médicos de combate, recebendo noções de farmacologia, APH (Atendimento Pré-Hospitalar) de combate, gerenciamento de vias aéreas e sangramentos massivos, intervenções cirúrgicas de emergência, entre outros.

PJs da USAF durante treinamento com um HH-60G. Foto: USAF.

Uma das características mais marcantes do Pave Hawk é sua sonda de reabastecimento em voo, instalada no lado direito da aeronave. Os HH-60 também operam com o HC-130 Combat King, uma versão de SAR do C-130 que pode reabastecer os helicópteros. Segundo a USAF, o HH-60G tem uma autonomia de 933.4 quilômetros. Todos os Pave Hawks também possuem um tanque de combustível auxiliar instalado na cabine.

Também instalado no lado direito está o guincho para resgate, com um cabo de 60 metros de extensão e capaz de suportar até 270 quilos. O gancho central pode suportar até 3600 quilos, o que permite, por exemplo, o emprego do bambi bucket em operações de combate a incêndio.

Fora de combate, os Pave Hawks também são largamente empregados em missões de busca e resgate de civis, apoio em desastres naturais, transporte e ressuprimento logístico. A USAF já fez uso dos HH-60G e missões de resgate de vítimas do Terremoto no Japão, tsunamis no Pacífico em 2004 e no Furacão Katrina, onde cerca de 4300 americanos foram resgatados em voos realizados quase o dia inteiro. Nas missões SAR, os helicópteros recebem o callsign Pedro, o que deu origem à famosa pintura de bigode aplicada no nariz dos helicópteros.

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O HH-60 é equipado com um par de motores turboeixo General Electric T700-GE-700/701, cada um gerando cerca de 1940 shp, permitindo uma operação segura em grandes altitudes. Para operar em qualquer tempo, alguns HH-60 receberam sistema anti-gelo nas pás e nos motores. 

Um HC-130P Combat King reabastecendo um HH-60G Pave Hawk. Foto: Airman 1st Class Veronica Pierce/USAF.

Para ser transportado no C-5 Galaxy ou no C-17, como neste final de semana em Campo Grande, o Pave Hawk pode ter as pás dos rotor dobradas, assim como seu estabilizador horizontal traseiro. Nas laterais, a aeronave pode carregar metralhadoras GAU-2/GAU-17 Minigun, calibre 7,62x51mm, ou GAU-18/GAU-21, calibre .50 BMG, com a munição sendo armazenada em caixas montadas no lado de fora aeronave.

O helicóptero também possui seis lançadores de chaffs e flares ALE-47 montados na fuselagem para se defender de mísseis terra-ar guiados por radar ou espectro infravermelho, além de sensores de alerta radar, laser e aproximação de mísseis, trabalhando junto do sistema de gerenciamento AN/ALQ-213 e do interferidor AN/ALQ-202. 

Um tripulante de HH-60G manejando uma metralhadora calibre .50 BMG. Foto: USAF.

Para navegação, os Pave Hawks possuem sistemas de GPS, doppler, FLIR e navegação inercial integrados, bem como a suíte de comunicações segura e por satélite Have Quick. Para facilitar o voo pairado, os helicópteros também são equipados com o sistema autohover. 

No vídeo abaixo, o Capitão Phil ‘Caso’ White da USAF mostra o HH-60G nos mínimos detalhes.

Jolly Green II – O substituto

Em maio de 2019 o HH-60W fazia seu primeiro voo. A mais nova versão da família Black Hawk foi desenvolvida para substituir o Pave Hawk e tem como base o UH-60M do US Army, incorporando pás do rotor mais leves, sonda de reabastecimento reforçada, glass cockpit e cabine com recursos para maior consciência situacional dos tripulantes, aumento de autonomia, aviônicos e sistemas de contramedidas avançados, blindagem reforçada nas portas e pisos, janelas removíveis, iluminação de emergência, motores mais potentes e outras melhorias. 

Em 2020 a USAF batizou o HH-60W como Jolly Green II, em homenagem ao HH-3 que salvou inúmeros aviadores que ejetaram em combate atrás das linhas inimigas durante a Guerra do Vietnã. O HH-60W chega em boa hora, já que o HH-60G extrapolou a data originalmente estipulada para sua aposentadoria. 

HH-60W Jolly Green II e HH-60G Pave Hawk. O recém-chegado e ainda em desenvolvimento Jolly Green II veio para substituir o Pave Hawk na nobre de missão de achar e resgatar civis militares necessitados. Foto: Senior Airman Hayden Legg/USAF.

O helicóptero ainda está em desenvolvimento e mais de quatro unidades já foram entregues à USAF para a realização de testes operacionais e de desenvolvimento. Recentemente a USAF anunciou que pretende transferir e concentrar suas operações de treinamento e formação de busca e resgate em combate e ataque ao solo para a Base Aérea de Davis-Monthan, no Arizona. 

Neste outro o vídeo, o Capitão Phil White mostra, novamente com vários detalhes, o substituto do Pave Hawk. 

Tápio

Entre agosto e setembro a FAB realiza na Ala 5 (Base Aérea de Campo Grande) o Exercício Conjunto Tápio 2021, que tem por objetvo o adestramento de militares da USAF, Marinha do Brasil e da própria Força Aérea Brasileira. Cerca de 30 aeronaves e 16 esquadrões  serão desdobrados na operação que simula um cenário de guerra, incluindo o HH-60 dos EUA, o H-60L Black Hawk, H-36 Caracal, E-99 e R-99, C-105/SC-105, A-1AM/BM AMX, A-29 Super Tucano e outros. O Tápio 2021 é a quarta edição do exercício realizado no Mato Grosso do Sul.

De acordo com a FAB, são treinadas Ações de Força Aérea em uma possível participação da FAB em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para a ordem e a paz mundial e compromissos internacionais; garantindo a soberania, integridade territorial e defesa patrimonial; e provendo ajuda humanitária.

Na Aviação de Caça, aeronaves A-29 Super Tucano fizeram suas primeiras surtidas, por exemplo, em ações de Apoio Aéreo Aproximado e Escolta CSAR. Na primeira, o exercício simula uma situação em que as forças insurgentes tentam impedir a progressão das tropas amigas no terreno, quando então os caças são acionados e auxiliam na neutralização dos inimigos ao solo. Já na segunda ação, as aeronaves atuam como componente de apoio direto aos helicópteros H-36 Caracal e H-60 Black Hawk que resgatam combatentes em território hostil.

Além dessas missões, jatos A-1 AMX dos esquadrões Poker e Centauro cumprem, também, aquelas de Controle Aéreo Avançado, que consistem em empregar aeronaves para coordenar o ataque ou o Apoio Aéreo Aproximado contra alvos oponentes, previamente localizados e identificados, a fim de neutralizá-los ou destruí-los. Já as aeronaves E-99 e R-99 do Esquadrão Guardião demonstram a operacionalidade dos vetores nas missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento.

Militares de Operações Especiais das Forças Armadas estão integrados na execução de diversas Ações de Força Aérea, como Guiamento Aéreo Avançado, Infiltração por meio de salto livre operacional, Exfiltração de ambiente hostil e Ação Direta.

As missões envolvem componentes do Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC) e do Batalhão de Operações Especiais dos Fuzileiros Navais (Tonelero) da Marinha do Brasil; do Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro; e do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR) da FAB, explica a própria Força Aérea. 

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