Chengdu FT-7 MiG-21 Irã IRIAF
FT-7N da IRIAF. Foto: Shahram Sharifi (CC BY-SA 3.0)

Dois pilotos de caça da Força Aérea da República Islâmica do Irã (IRIAF) faleceram em um acidente com um jato Chengdu FT-7 na manhã de terça-feira (24). A aeronave caiu na região de Anarak, no centro do país, a cerca de 200 km da capital Teerã. 

Segundo a mídia estatal e oficiais das forças armadas, o FT-7 de origem chinesa sofreu problemas técnicos durante uma operação de treinamento. Não há informações se houve tentativa de ejeção pelos tripulantes. 

Mohammad Reza Jannesari, um oficial de segurança da província de Anarak, disse ao site de notícias semi-oficial Tasnim que a aeronave caiu por volta das 8h10, horário local. Jannesari identificou os dois pilotos como Major Qasem Zamani e 1º Tenente Mohammad Javad Bai.

Este é o segundo acidente fatal com aeronaves da IRIAF neste ano. Em fevereiro, a queda de um caça F-5F Tiger II deixou três mortos – os dois tripulantes e um civil em solo – quando o avião caiu em uma área urbana. Na época, oficiais da Força Aérea homenagearam os pilotos que tentaram guiar o avião para dentro de um estádio. 

Saiba mais: Conheça os caças da Força Aérea do Irã em números

A maior parte da frota da IRIAF é composta por jatos das décadas de 1970 e 1980, com algumas unidades um pouco mais novas e atualizadas. Após a Revolução Islâmica de 1979, o Irã viu seu maior fornecedor, os EUA, impor sanções pesadíssimas que permanecem até hoje.  

F-5 e F Irã
Linha de caças F-5E e F-5F Tiger II do Irã.

Como o país não consegue obter peças por meios legais, acaba adquirindo os materiais através do mercado negro, canibalismo e engenharia reversa, executando modernizações e construído versões atualizadas/modificadas de aeronaves que já possui, até mesmo com ajuda da Rússia.

Essas dificuldades se estendem às aeronaves civis do Irã, que são mal classificadas pelos sites de segurança das companhias aéreas, observa a agência Al Jazeera. 

Avião sino-soviético

Em meados da Década de 1980, Teerã adquiriu 20 caças chineses F-7N e FT-7N Airguard, versão de exportação do Chengdu J-7, uma versão chinesa do Mikoyan Gurevich MiG-21F-13 da URSS.

F-7 FT-7 Airguard Irã
Caças F-7N e FT-7N da IRIAF. Foto: Rahim Sharafi – Ariliners.net

Por conta dos embargos, a China foi relutante na venda dos jatos. Na época, Pequim e Washington também tentavam uma aproximação, o que foi pelos ares após o Massacre da Praça da Paz Celestial. 

Hoje, 19 dos 20 caças permanecem em serviço. Os F-7 ficaram limitados a um serviço mais secundário, especialmente por serem aeronaves obsoletas e com células já bastante usadas.