Programa FX-2
Caças F/A-18E Super Hornet do esquadrão VFA-31 Tomcatters. Foto: Aaron Allmon/USAF.

Em 2009 o Governo Federal abriu o Programa FX-2, cujos finalistas eram o Dassault Rafale francês, o Saab JAS-39E/F Gripen sueco (na época chamado de Gripen NG) e o Boeing F/A-18E/F Super Hornet dos EUA. 

Em dezembro de 2013, o Gripen foi anunciado o vencedor da licitação. O primeiro Gripen brasileiro, o F-39E FAB4100, foi oficialmente entregue à Força Aérea Brasileira em 2019 e, após uma série de testes na Suécia, chegou ao Brasil em setembro de 2020. 

O caça segue engajado nos voos de testes a partir do Centro de Ensaios em Voo do Gripen (GFCT) nas instalações da Embraer, em Gavião Peixoto (SP). 

Para equipar os aviões, a FAB adquiriu mísseis IRIS-T, Meteor e A-Darter (este desenvolvido pelo Brasil em conjunto com a África do Sul), bombas Spice 250 e Spice 1000, de origem israelense, e pods Litening G4 e Reccelite, também de Israel, usados para a identificação e guiagem de bombas e reconhecimento, fora o canhão interno Mauser BK-27 (disponível apenas na versão monoposta). 

Os pilotos também usarão o capacete com display integrado TARGO II, desenvolvido pela Elbit Systems de Israel. Atualmente, os pilotos de F-5EM/FM usam o Dash IV, também da Elbit. 

 

Qual foi a oferta dos norte-americanos?

Mas, voltando para 2009. Em 06 de agosto daquele ano, o Departamento de Estado dos EUA, através da Agência de Cooperação de Segurança e Defesa (DSCA), aprovou a venda de 28 caças F/A-18E (monoposto) e oito F/A-18F (dois assentos) Super Hornet para a Força Aérea Brasileira. 

O contrato de US$ 7 bilhões, ou US$ 8,67 bilhões, convertendo para valores atuais aproximados, também previa o fornecimento de quatro motores F414-GE-400 sobressalentes.

O contrato também incluía a venda de equipamentos de suporte, peças sobressalentes e de reparo, treinamento de equipagens, sistema conjunto de planejamento de missão, suporte ao voo de traslado com reabastecimento em voo, voos de teste, suporte de engenharia pelo contratante e pelo Governo dos EUA, documentos e manuais e demais materiais logísticos.

Projeção de como poderia ter sido um F/A-18F Super Hornet na FAB. Imagem: MirageC14 via Cavok Brasil.

Para os armamentos, foi aprovada a aquisição de: 

  • Mísseis ar-ar guiados por calor AIM-9M Sidewinder (28)
  • Mísseis ar-ar guiados por radar ativo AIM-120C-7 AMRAAM (28) 
  • Mísseis anti-radar AGM-88B HARM (10)
  • Bombas guiadas por GPS/Navegação Inercial GBU-31/GBU-32 JDAM (60)
  • Bombas planadoras AGM-154 JSOW 
  • Pods para identificação e guiagem AN/ASQ-228 (V2) ATFLIR (36)
  • Capacetes com display integrado JHMCS (44) 
  • Canhões rotativos de 20mm M61A2 Vulcan (36 já instalados nos aviões)
  • Demais cabides e trilhos de lançamento de armas 

Confira abaixo uma galeria com os armamentos citados:

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O pacote eletrônico contava com os seguintes itens: 

  • Radares de varredura eletrônica ativa (AESA) AN/APG-79 (36 já instalados)
  • Receptores de alerta de radar AN/ALR-67(V)3 (36 já instalados)
  • Lançadores de chaff e flare AN/ALE-47 (40)
  • Sistema de contramedidas de radiofrequência AN/ALQ-214 (36 já instalados)
  • Decoys rebocáveis AN/ALE-50 (112)

O ALE-50 é, basicamente, uma “isca” rebocável. O sistema é lançado pela aeronave e, ao emitir sinais de radiofrequência, se torna uma isca para mísseis guiados por radar, protegendo a aeronave que o reboca. O ALE-50 já foi testado com sucesso em combate real. 

O comunicado da DSCA também afirmava que: “A venda proposta contribuirá para a política externa e a segurança nacional dos Estados Unidos, ajudando a melhorar a segurança de um país amigo que foi, e continua sendo, uma força importante para a estabilidade política e o progresso econômico na América do Sul.”

Cabe destacar que o documento da DSCA não menciona nenhum acordo de offset, o que foi negociado entre os Governos e contratantes em outras instâncias. 

Anos depois, em 2012, um F/A-18F Super Hornet realizou demonstrações na Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), durante as comemorações dos 60 Anos da Esquadrilha da Fumaça. 

A mesma aeronave também foi apresentada na Base Aérea de Anápolis (atual Ala 2), sede do 1º Grupo de Defesa Aérea, o Esquadrão Jaguar, unidade da FAB que irá operar os Gripens. Ainda em 2021, o esquadrão deve receber seus primeiros F-39. 

No fim, como dito antes, a FAB escolheu o caça sueco. Foram adquiridos 28 caças JAS-39E (F-39E) monopostos e oito JAS-39F (F-39F) bipostos por 39,8 bilhões de Coroas Suecas. 

A compra do Gripen também traz crescimento e desenvolvimento técnico e industrial ao Brasil, através da transferência de tecnologia, além da geração de empregos diretos. 

 

*Até o momento não encontramos documentos mais recentes com algum tipo de alteração o detalhes diferentes.