Varig Boeing 747 Majestade
Foto: Demo Bo - PlaneSpotters.net

A primeira e a única companhia aérea brasileira a operar o Boeing 747, a Varig se ainda estivesse operando estaria completando hoje (07) 94 anos de vida. A Viação Aérea Rio-Grandense foi uma das maiores companhias aéreas que o Brasil já teve, tendo operado diversas aeronaves especialmente norte-americanas.

Neste artigo vamos falar de um pedaço importante da história da aviação brasileira e também da companhia aérea gaúcha. A ‘Rainha dos Céus’ como é conhecido o jumbo da Boeing, é um dos aviões mais conhecidos em todo o mundo se não o mais conhecido.

 

O início de uma era

Essa história começa ainda na década de 70, quando a empresa demonstrou interesse em contar com a aeronave. Porém, a demanda naquela época ainda não era suficiente para que a empresa conseguisse manter as operações de uma aeronave daquele porte, então por isso não foi feita a encomenda por enquanto.

Na década de 70 a Varig não tinha motivos para se preocupar, pois além de ser a maior companhia aérea do Brasil e da América Latina, ainda ocupava a 8ª posição entre as empresas com maiores volumes de cargas transportadas e também era considerada uma das melhores do mundo.

Considerado os anos de ouro da empresa e da aviação, a ‘pioneira’ detinha 50% do mercado doméstico e 100% do mercado internacional. Com prestígio em alta, as fabricantes queriam que seus aviões fossem operados pela empresa, a partir deste ponto o cenário começou a mudar. 

 

O Boeing 747-200 e 747-300 na Varig

Boeing 747-200 da Varig. Foto: Demo Bo – PlaneSpotters.net

Em 1981 a Varig encomendou seus primeiros 747, estes eram da versão -200B especial para transporte de passageiros e de cargas. A primeira encomenda foi para três aeronaves, que viriam a ser matriculadas como PP-VNA, VNB e VNC.

O PP-VNA chegou em janeiro de 1981, foi entregue rapidamente à Varig, visto que este mesmo avião deveria ter sido entregue a Libyan Airlines. Por problemas políticos do país as encomendas foram canceladas.

Logo foi configurado e entregue à companhia brasileira. Com a chegada do novo avião, a ‘pioneira’ pôde então iniciar voos na rota Rio de Janeiro – New York concorrendo com a renomada Pan Am. A companhia brasileira recebia seus primeiros aviões Boeing 747 em meio a uma crise que o Brasil enfrentava, mas que não afetou a empresa.

Passando pelo mesmo processo os 747-200 de matrícula PP-VNB e VNC chegaram em fevereiro e março de 1981, configurados para levar 359 passageiros em três classes de serviço. Vale ressaltar que o 747-200 ainda não tinha o “segundo andar” expandido, como o 747-300.

Com a chegada das novas aeronaves, a Varig ampliou suas rotas partindo do Rio de Janeiro para Frankfurt com escala em Paris. Uma curiosidade dessas duas aeronaves é de que a Varig foi a única empresa de passageiros que essas aeronaves operaram, após deixarem a empresa foram convertidos em cargueiros.

O Boeing 747, a ‘Majestade’ tornou-se o maior símbolo da Varig naquela época, o serviço da empresa já era conhecido pela sua excelência e ficou ainda melhor com uma aeronave deste porte. Pois a companhia aérea oferecia o que havia de melhor naquela época principalmente em voos internacionais.

Foto: Rémi Dallot – PlaneSpotters.net

Não demorou muito e a Varig encomendou a versão -300B em 1984, podendo transportar passageiros e cargas, no caso da companhia brasileira a configuração foi para 265 passageiros e mais 7 contêineres de cargas. A aeronave foi uma aposta de atualização da Boeing para a ‘Rainha dos Céus’, e a versão foi bem aceita pelas empresas aéreas. 

O primeiro chegou direto da fábrica com a matrícula PP-VNH em dezembro de 1985, poucos dias depois chegava o PP-VNI. Já consolidado como principal avião em rotas internacionais, a Varig trouxe então mais três aviões da versão -300, porém apenas para o transporte de passageiros. A configuração foi para 399 passageiros.

Como sendo a primeira empresa a operar no novo Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos, a Varig começou a realocar alguns de seus voos para o terminal. E quem foi o avião escolhido para o primeiro pouso? Ele mesmo, o Boeing 747 vindo de New York. 

 

O mais moderno da frota da Varig – Boeing 747-400

Foto: Chris Lofting – PlaneSpotters.net

Pouco depois de completar 10 anos de operações com o jumbo, a Varig encomendou a versão -400 que viria ser um sucesso estrondoso pelo mundo. Em 1991 a empresa gaúcha encomendava até então a maior aeronave já operado por uma empresa brasileira, o 747-400 com capacidade para 438 passageiros.

A aeronave foi entregue no final do ano com a matrícula PP-VPG, que se tornou a primeira das três única aeronaves Boeing 747-400 operadas pela Varig. O novo jumbo foi colocado em operação na rota para Roma a partir de São Paulo, quando chegaram os outros dois, a empresa iniciou a rota Rio de Janeiro-São Paulo-Johanesburgo-Bangkok-Hong Kong.

No começo dos anos 90, a Varig começava também seu período de crise. Com a abertura do mercado para novas empresas, os voos começaram a sair mais vazios e com preços mais reduzidos já que os concorrentes colocavam os preços mais baixos. Em apenas três anos de operação, a Varig devolveu os três 747-400. 

Junto com eles, foram alguns 747-200, mantendo em operação apenas a versão -300 com cinco aeronaves. Inclusive um desses marcou ainda mais a história da empresa, pois o PP-VNH foi o escolhido para receber a nova identidade visual da Varig em 1997, substituindo a pintura que estava em vigor desde 1955.

747-300 com as novas cores da Varig. Foto: xfwspot – PlaneSpotters.net

Nem todos os aviões 747 da Varig foram pintados devido a crise que se agravava ano-a-ano, apenas dois receberam as novas cores e novos interiores. Não durou muito e dois anos depois todos os 747s foram retirados de operação, deixando espaço para o novo McDonnell Douglas MD-11 além dos 767 e 777.

Quase a totalidade dessas aeronaves hoje em dia estão voando como cargueiros, e outras já foram aposentadas definitivamente. Operando por quase 20 anos, o Boeing 747 marcou a época de ouro da Varig e da aviação brasileira, até hoje nenhuma outra empresa operou o 747 no país. 

Todos os jumbos foram recebidos 0km pela Varig, e provavelmente se a empresa não tivesse entrado em uma profunda crise poderiam ter operado mais alguns anos. Se há alguns anos tínhamos um pouco de esperança de ver um 747 brasileiro novamente, com a crise atual praticamente rechaçou qualquer possibilidade. 

Este foi um artigo para homenagear uma das maiores se não a maior companhia aérea brasileira que já existiu, a Viação Aérea Rio-Grandense completaria 94 anos. A empresa pode não voar mais, porém ainda estará viva na memoria de milhares de apaixonados Brasil a fora.