Mecânico carregando um míssil AIM-120D AMRAAM em um F-15C Eagle no Japão.

Você já se perguntou como é o processo para armar um avião de caça? Um vídeo publicado originalmente em 2016 mostra esse trabalho em detalhes.

Nas imagens do Airman 1st Class James Merriman, da Força Aérea dos EUA, é possível ver militares do 18º Esquadrão de Manutenção de Aeronaves carregando mísseis AIM-120D AMRAAM, AIM-9X Sidewinder e munições de 20mm em um caça de superioridade aérea F-15C Eagle, na Base Aérea de Kadena (Japão).

Os primeiros armamentos carregados na aeronave são os mísseis de médio-longo alcance AIM-120D AMRAAM (Advanced Medium Range Air to Air Missile), um míssil guiado por radar ativo e o principal desse tipo em uso no mundo. Os armamentos são levados até a aeronave em um reboque e antes de serem carregados no caça, os mecânicos montam as aletas de manobra ao armamento.

Cada AMRAAM pesa cerca de 150 quilos, então um trator especial, o MJ1A Jammer, é usado para levar o míssil do reboque até a aeronave. O F-15 do vídeo foi carregado com seis mísseis, sendo quatro na fuselagem e dois nas asas. Outro detalhe interessante é que esses são mísseis reais, ou seja, os mesmos que seriam usados em caso de guerra. É possível identificar essa diferença através das listras de segurança pintadas no míssil. O amarelo indica que a ogiva é real, enquanto o marrom indica que o motor-foguete também é real.

Mísseis são armamentos muito sensíveis e caros. Para prolongar ao máximo a sua vida útil, os armamentos são armazenados em paióis especiais, onde aspectos como temperatura e umidade são rigorosamente controlados. Em treinamentos do dia-a-dia, os caças usam mísseis inertes: no lugar da ogiva e do motor-foguete são adicionados lastros para manter o peso do míssil verdadeiro, enquanto a cabeça de busca é real.

 

Depois dos AMRAAMs, os mecânicos carregam um par de mísseis AIM-9X no caça. O AIM-9 Sidewinder surgiu pouco depois do final Segunda Grande Guerra, tendo entrado em serviço somente em 1956, mas vem evoluindo ao longo das décadas.

A variante 9X é a mais avançada atualmente: possui empuxo vetorado e uma cabeça de busca que pode “ignorar” (em teoria) os flares, contramedidas usadas para mísseis guiados pelo espectro infravermelho. Os mísseis também trabalham em conjunto com os capacetes JHMCS (Joint Helmet Mounted Cueing System), permitindo que o piloto faça a pontaria em uma aeronave inimiga apenas olhando para o alvo e apertando os botões do manche.

Os Sidewinders também são transportados para os hangaretes em reboques, mas ao contrário dos AIM-120, os mecânicos carregam estes mísseis até o aeronave sem o uso do trator Jammer. Isso é possível pelo fato do AIM-9X ser mais leve que o AMRAAM, pesando cerca de 88 quilos. Leve o suficiente para que três especialistas carreguem o míssil no caça. Os dois Sidewinders foram carregados nos trilhos da parte “interna” do cabide montado na asa, logo acima dos tanques subalares, cada um capaz de receber 2271 litros de querosene de aviação.

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Terminado o carregamento dos mísseis, os especialistas partem para o trabalho de municiar o canhão interno do F-15C: o M61 Vulcan, um canhão rotativo de seis canos, calibre 20x102mm e com uma taxa de disparo máxima de incríveis seis mil tiros por minuto.

Os mecânicos abrem um acesso na fuselagem da aeronave e acoplam o chamado Universal Ammunition Loader (UAL), o equipamento usado para municiar o M61. Este mesmo instrumento é usado para carregar o M61 montado em outras aeronaves, como o F/A-18 Hornet/Super Hornet, F-16 Viper e F-22 Raptor, por isso é chamado de Universal. Depois de acoplado, o UAL carrega 940 munições de 20mm no tambor do F-15.

O canhão fica montado no lado direito da aeronave e é usado em combates dentro do alcance visual contra outros caças, o chamado dogfight.

Todo esse “esforço pesado” ocorre enquanto os pilotos e outros militares trabalham no planejamento da missão. Depois de ser armado, o F-15 então é abastecido e está pronto para receber o aviador que vai levá-lo aos céus.

O Eagle também está em serviço no Japão, Israel e Arábia Saudita. Apesar de ser considerado o caça mais bem-sucedido em combate real, com um escore de 104×0, a aeronave já vem apresentando os “sinais da idade”. Em 2021, a USAF recebeu as duas primeiras unidades do F-15EX Eagle II, que vai substituir os F-15C/D Eagle nos EUA.

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