Apesar dos problemas encontrados em vários motores Pratt & Whitney Pure Power que equipam outras aeronaves, a Embraer está otimista em relação a confiabilidade do produto oferecido para os aviões E-Jet E2, principalmente porque o motor PW1900G que equipa esses aviões é baseado em outra construção, que difere dos PW1100G e PW1500G.

Mas de acordo com Luis Carlos Affonso, antigo COO da área de aviões comerciais da Embraer, os engenheiros trabalharam para assegurar que o E2 entrasse em produção sem nenhum resquício de problemas nos motores. A Embraer focou em descobrir o problema ainda nas 2000 horas de testes dos 4 protótipos do E190-E2, sem contar o E195-E2 que utiliza a mesma motorização PW1900G.

Apesar de toda essa precaução a Embraer disse que vai acompanhar de perto o desempenho da aeronave após entrar em serviço. Mas Affonso já disse que os problemas apresentados anteriormente, como o atrito entre o fan frontal e a carenagem e os problemas hidráulicos, já foram resolvidos pela Pratt & Whitney na própria frota de testes.

Outras atualizações foram realizadas pela Pratt & Whitney, como as lâminas produzidas em alumínio e titânio. A fabricante americana também garantiu uma boa taxa de entregas, já que inaugurou uma nova unidade de fabricação em Michigan, para aumentar a taxa de entrega dos motores, após prejudicar bastante a Bombardier e atrasar algumas entregas da Airbus.

Foto – Embraer

“Nossos engenheiros de produção visitaram várias fábricas da Pratt & Whitney para ver as medidas que eles tomaram para acelerar a produção”, afirmou Affonso. Ele disse que a produção do E-Jet E2 crescerá exponencialmente, até estabilizar, principalmente durante o período de aprendizagem da Embraer sobre produção híbrida da família E1 e a E2, como postado anteriormente aqui.

A Embraer já sabe quantos E2 vai produzir em 2018, já que a certificação será obtida nos próximos 90 dias e a primeira aeronave será entregue em abril de 2018, mas Affonso disse que não pode revelar quantos aviões da família E2 serão produzidos em 2018. Não há ambição no processo, a Embraer quer garantir uma confiabilidade alta mesmo nas primeiras aeronaves produzidas, e garantir uma pontualidade britânica nas entregas.

Affonso ainda destacou a decisão da Embraer de projetar uma asa específica para cada variante, otimizando ela para o desempenho ideal de cada avião. Apesar dessa opção atrasar um pouco o processo de certificação das versões, a Embraer conseguiu aumentar substancialmente o alcance de todas as aeronaves da linha E-Jet E2, em comparação com os valores previstos em projeto.

Foto – Embraer/Via Twitter

Em julho a Embraer relatou que o desempenho nos testes demonstrou um aumento de autonomia da aeronave, principalmente em cidades de clima quente, como Denver, nessa condição o E190 E2 teve sua autonomia aumentada de 3942 km para mais de 4250 km.

Ontem John Slattery, Presidente e CEO da Embraer Commercial Aviation, declarou que espera conseguir a certificação do E190-E2 nos próximos 90 dias.

De acordo com ele a Embraer já completou 80% da fase de certificação, 1600 horas de voo já foram realizadas, das 2000 horas previstas, e só falta um ensaio em solo para ser finalizado, o ensaio de fadiga da fuselagem.

 

Processo de preparação

Imagem – Embraer/Divulgação

Antes mesmo de receber o avião a Wideroe já começou com os treinamentos de pilotos e mecânicos. Affonso disse que a Azul seguirá o mesmo caminho em breve, quando a Wideroe estiver operando o primeiro E190-E2, os tripulantes e mecânicos da Azul iniciarão sua preparação para pilotar o E195-E2.

Para a Azul esse planejamento é fácil, visto que a sede da companhia é no Brasil. A Wideroe está precisando deslocar mecânicos-supervisores para aprender sobre o E2 e repassar isso para os outros funcionários.

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