Os restos da aeronave E-11 acidentada no Afeganistão. Foto Saifullah Maftoon/Associated Press via The Aviationist.

O Conselho de Investigação de Acidentes (AIB) da Força Aérea dos EUA (USAF) concluiu que a queda fatal de um avião de comunicações Bombardier E-11A, matrícula 11-9358, em janeiro de 2020 foi causada por erro humano. No acidente, piloto e co-piloto faleceram. 

A aeronave, uma versão militar do Bombardier Global Express usada para carregar o Battlefield Airborne Communications Node (BACN), decolou do Aeroporto de Kandahar, no Afeganistão, e fez um pouso forçado na província de Ghanzi, após a tripulação declarar falha nos dois motores. 

De acordo com o AIB, uma palheta (blade) do fan do motor esquerdo se desprendeu, levando ao desligamento do mesmo. A tripulação não soube identificar em qual dos motores foi o problema, e acabou desligando o direito, que estava funcionando normalmente, o que causou a emergência de apagamento dos dois motores. 

“Posteriormente, a tripulação tentou levar a aeronave de volta para Kandahar, à aproximadamente 230 milhas náuticas de distância. Infelizmente, a tripulação não conseguiu dar partida em nenhum dos motores para fornecer qualquer potência utilizável. Isso resultou na incapacidade da aeronave de planar a distância restante até Kandahar.”

“Com poucas opções restantes, a tripulação manobrou a aeronave em direção à Base Operacional Avançada (FOB) Sharana, mas não tinha altitude e velocidade para planar a distância restante. A tripulação tentou, sem sucesso, pousar em um campo de aproximadamente 21 NM aquém de FOB Sharana.

“O presidente do AIB constatou, por preponderância das evidências, que a causa do acidente foi o erro da tripulação em analisar qual motor havia falhado (motor esquerdo). Este erro resultou na decisão da tripulação de desligar o motor direito, criando uma emergência de falha nos dois motores.”

“O presidente do AIB também concluiu, pela preponderância das evidências, que a falha da tripulação em dar partida no motor correto e sua decisão de retornar para  Kandahar contribuíram substancialmente para o acidente.”

Os restos da aeronave E-11 acidentada no Afeganistão. Foto: AFP.

No relatório, o AIB também detalhou que, no momento da falha do motor esquerdo, haviam aeródromos bem mais próximos que Kandahar (230 milhas náuticas), como Cabul (17 milhas náuticas), Bagram (38 milhas náuticas) e a FOB Shank, (28 milhas náuticas). A meteorologia também apresentava boas condições. 

“As evidências mostram que nenhum dos motores deu partida para fornecer qualquer empuxo utilizável. Isso resultou na incapacidade da aeronave de planar a distância restante até Kandahar. Além disso, a aeronave eventualmente voou fora da distância de planeio suficiente para chegar em Bagram, Cabul ou FOB Shank, demonstrado por meio de perfis de simulador de voo.”

“Com poucas opções restantes, a tripulação manobrou para FOB Sharana, mas não tinha altitude e velocidade para planar a distância restante. A tripulação tentou pousar em um campo aproximadamente 21 NM aquém de Sharana, mas a aeronave foi significativamente danificada após o pouso, parando a aproximadamente 340 metros do ponto de toque.”

Na USAF, os E-11A são usados para carregar o Battlefield Airborne Communications Node (BACN), um sistema usado como um corredor de comunicações entre tropas no solo e aeronaves de combate.

Em regiões montanhosas, tais como as do Afeganistão, a comunicação é dificultada, e a movimentação pode expôr as tropas. O BACN funciona como um retransmissor, para permitir a comunicação entre um ponto e outro. 

Via The Aviationist